Governo renova redução temporária do imposto sobre os combustíveis para lá de janeiro
Afinal a descida de dois cêntimos na gasolina e de um cêntimo no gasóleo vai manter-se para lá de 31 de janeiro. O Governo decidiu renovar a portaria que dá um desconto temporário nos combustíveis.
O desconto temporário no imposto sobre os combustíveis (ISP) acabaria a 31 de janeiro, mas o Governo decidiu esta terça-feira prorrogar a sua vigência. A renovação da portaria em causa foi decidida pelo Ministério das Finanças e deverá ser publicada em breve no Diário da República para que esta descida temporária introduzida em outubro se prolongue para lá de janeiro.
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“Na análise do Governo, os pressupostos que levaram à adoção desta medida mantêm-se, pelo que a medida deverá manter-se em vigor para lá de 31 de janeiro“, revelou o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, António Mendonça Mendes, em entrevista ao ECO realizada esta terça-feira no âmbito da campanha eleitoral, que irá ser publicada esta quarta-feira.
Em causa está a portaria n.º 208-A/2021 que dava um desconto de dois cêntimos por litro no caso da gasolina e de um cêntimo por litro no caso do gasóleo. Nessa portaria o Governo introduzia este desconto “no sentido de assegurar que o ganho adicional em sede de IVA decorrente do aumento do preço dos combustíveis seja integralmente devolvido aos consumidores por via da diminuição, em proporção, das taxas unitárias de ISP“.
Porém, a portaria definia que a aplicação do desconto terminava a 31 de janeiro, apontando para ajustes consoante a evolução da cotação do petróleo nos mercados internacionais. “Sem prejuízo de se prever, ao nível dos mercados de futuros dos preços do petróleo, uma diminuição do preço da matéria-prima no curto e médio prazo, a medida agora tomada será objeto de constante monitorização para que seja ajustada em função da evolução do mercado“, dizia o Governo.
Como desde outubro não houve uma descida significativa do preço dos combustíveis para os consumidores — em janeiro até subiram –, o Executivo do PS, com eleições à porta, decidiu manter este desconto temporário, o qual acumula com o subsídio direto aos cidadãos através do AutoVoucher (em vigor até março). Quando for conhecida a portaria irá saber-se se a prorrogação do desconto no ISP é apenas por mais um mês ou se mais tempo.
Segundo as contas do Governo, seriam restituídos 63 milhões de euros aos consumidores, devolvendo a receita adicional de IVA na forma de desconto no ISP. “Estes 63 milhões de euros são, na realidade, 90 milhões de euros anuais, na medida em que a repercussão da receita adicional que nos faríamos com os combustíveis, faria com que a taxa unitária do ISP [Imposto sobre Produtos Petrolíferos] do gasóleo apenas fosse aliviada em menos de um cêntimo, e nós arredondámos para o cêntimo”, explicou o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais em outubro.
Terminado este desconto, o objetivo do Executivo era, quando acabasse esta medida transitória, a entrada em vigor o novo ISP, atualizado em 1%, como constava da proposta de Orçamento do Estado para 2022, a qual acabou por ser chumbada.
O próprio ministro do Ambiente e da Ação Climática, Matos Fernandes, já tinha admitido em entrevista ao ECO que após 31 de janeiro “o mais normal é que o valor do ISP venha a ser aquele que era antes dessa decisão”, ou seja: 52,6 cêntimos por litro na gasolina e 51,3 cêntimos no diesel, valores estes atualizados em 1%.
Além do desconto do ISP e do AutoVoucher, o Governo decidiu congelar o aumento da taxa de carbono até 31 de março, travando assim um aumento estimado de cinco cêntimos nos preços. Mantém-se assim em vigor, por mais três meses, a taxa aplicada ao longo de todo o ano de 2021, de 23,921 euros por tonelada de carbono.
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