Enviar lixo para aterros vai custar 22 euros por tonelada – o dobro – a partir do verão
De um valor atual de 11 euros por tonelada (enquanto noutros países europeus chega a ser mais de 10 vezes superior — até 80 euros), a TGR vai duplicar no próximo verão para “22 euros por tonelada”.
Depois do anúncio feito na semana passada pelo ministro do Ambiente e Ação Climática, João Pedro Matos Fernandes, na assinatura do Pacto Português para os Plásticos, de que o Governo vai rever e aumentar já “nos próximos meses” a taxa de gestão de resíduos (TGR), a confirmação desta medida chegou entretanto em comunicado oficial do MAAC, já depois da aprovação do Orçamento de Estado para 2020.
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Assim, de um valor atual de 11 euros por tonelada (enquanto noutros países europeus chega a ser mais de 10 vezes superior — até 80 euros), esta taxa vai duplicar no próximo verão para “22 euros por tonelada”.
Também “a TGR para 2021 e anos seguintes será estabelecida ainda este ano”, explicou ainda o mesmo comunicado, sublinhando que esta revisão em alta dos valores da Taxa de Gestão de Resíduos tem como objetivo travar “o encaminhamento de resíduos nacionais e de outros países para aterro”. Uma medida prevista na revisão do Regime Geral de Gestão de Resíduos e o Regime de Aterro, que irá decorrer durante os próximos meses de abril e maio.
“Mandar resíduos para aterro não pode ser mais barato do que reciclar. E a taxa de gestão de resíduos tem de refletir esta necessidade. Iremos assim introduzir um valor suficientemente elevado para corrigir as distorções que existem. Esta subida vai ajudar”, disse o ministro do Ambiente.
O MAAC explica ainda que a TGR incide sobre a “quantidade de resíduos que é efetivamente eliminada, como seja a que é depositada em aterro ou incinerada”, à qual se soma o custo do transporte, custos administrativos (no caso do movimento transfronteiriço de resíduos) e tarifa de entrada nas instalações, que no caso de um aterro de resíduos industriais é definida pelo operador privado.
De acordo com dados da Comissão Europeia, os valores da taxa de gestão de resíduos variam muito entre os Estados-membros. “Por exemplo, na Grécia, apesar de existir, a TGR nunca foi aplicada na prática; a Alemanha não aplica TGR, mas baniu a deposição de resíduos não tratados; a região de Castela-Leão em Espanha cobra 7€ por tonelada (resíduos não recuperáveis); na Croácia, a mesma só é paga acima de determinada meta de deposição; em Itália, o preço varia entre os 5,2€ e os 25,82€ consoante a região; na Roménia houve várias tentativas para a sua introdução, mas sempre com retrocessos; na Eslovénia pratica-se também uma TGR de 11€ embora vá evoluir para ser modelada consoante o desempenho em matéria de reciclagem”, frisa o ministério em comunicado.
Enquanto destino de resíduos para aterro, Portugal encontra-se nas últimas posições, revela o Eurostat. Alemanha (62%), França (14%), Bélgica (9%) e Áustria (5%) são os quatro países que em conjunto recebem 90% dos resíduos importados para eliminação (que inclui aterro, incineração e outras operações de eliminação). Já Portugal é responsável por apenas 1,61% dos resíduos importados para eliminação, garante a tutela. “Se isolarmos apenas as quantidades que têm por destino o aterro, então a Alemanha é o destino por excelência para 83% destes resíduos, seguido pela França com 12%. Portugal recebe 2% do total de resíduos importados com destino de aterro”.
Segundo o Instituto Nacional de Estatística, em 2018 os resíduos industriais produzidos em Portugal ascenderam a cerca de 10,7 milhões de toneladas, nove milhões das quais são valorizadas (por exemplo, refinação ou reciclagem), e cerca de 1,7 milhões são encaminhados para eliminação (por exemplo, incineração ou aterro).
No mesmo ano, segundo a APA, deram entrada em Portugal 111 mil toneladas de resíduos para eliminação oriundos de outros países. Dados do Ministério do Ambiente referentes a 2018 indicam que resíduos vindos de países estrangeiros para eliminação em Portugal representaram 6% do total de resíduos industriais eliminados em território nacional. Apesar de esse lixo oriundo do exterior representar apenas 6%, o MAAC revela que desde 2017 se tem vindo a assistir a um “aumento” da entrada destes resíduos, com os dados provisórios de 2019 a “registarem as 230 mil toneladas”.
“Existirá sempre uma fração de resíduos que não poderá ser valorizada, e é por isso que a União Europeia colocou uma meta de deposição direta em aterro inferior a 10% em 2035 (e não zero aterro). Por isso, é importante garantir uma boa gestão das infraestruturas de resíduos, incluindo os aterros”, salienta o comunicado do MAAC que, no início de fevereiro deu um “passo inédito para diminuir as entradas de resíduos provenientes do exterior” com a publicação do Despacho n.º 28/GSEAMB/2020.
Assim, desde 1 de fevereiro estão em vigor novos pedidos de autorização, o que não travará no entanto movimentos de resíduos autorizados antes desta data. Em apenas uma semana, revela o ministério, Portugal recusou a entrada nos seus aterros de “48 mil toneladas de resíduos” provenientes de países estrangeiros.
A subida da TGR insere-se no Plano de Acção de Aterros 2020, uma iniciativa do MAAC para “fazer face às preocupações sobre os aterros” e cuja acção vai ser concertada e articulada entre as várias entidades com competências de inspecção, fiscalização, licenciamento e monitorização, designadamente a Agência Portuguesa do Ambiente (APA), Inspecção Geral do Mar, Ambiente e Ordenamento do Território (IGAMAOT) e as cinco Comissões de Coordenação e Desenvolvimento Regional (CCDR).
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