Norberto Rosa desistiu do BCP por causa de “impasse” na avaliação do BCE

Norberto Rosa estava para ser nomeado administrador no BCP. Foi a uma entrevista a Frankfurt para ser avaliado pelo BCE. Mas, perante o "impasse" na decisão, aceitou convite para ir para a APB.

Norberto Rosa, antigo administrador da CGD, durante a audição na comissão de inquérito ao banco público.ECO

Norberto Rosa diz que desistiu de ir para o BCP, tendo aceitado antes o convite para ser secretário-geral na Associação Portuguesa de Bancos (APB), perante o “impasse” no processo de avaliação de idoneidade junto do Banco Central Europeu (BCE).

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher

Falando na comissão de inquérito da Caixa Geral de Depósitos (CGD), Rosa rejeitou que tenha recebido uma “nega” do BCE porque o processo de avaliação não chegou a ser concluído pelo supervisor. Foi “arquivado” depois de o BCE ter informado o BCE que o seu nome já não estava em cima da mesa para a administração dado que tinha aceitado o convite de Faria de Oliveira para a ir para APB, em novembro de 2018, explicou o responsável.

Ainda assim, apesar de ter desistido do cargo no BCP, Norberto Rosa defendeu que não havia “nenhum fator, em termos de currículo profissional e idoneidade, que pusesse em causa” o seu nome nem “havia razão para que não pudesse exercer funções” no banco.

No âmbito da avaliação de idoneidade para o BCP, Norberto Rosa contou que teve de ir a uma entrevista em Frankfurt, em outubro de 2018, para responder às questões do supervisor europeu. “O tema da auditoria da EY sobre a CGD foi levantado?”, questionou a deputada do Bloco de Esquerda Mariana Mortágua.

“Foi uma entrevista genérica, que colocava várias questões sobre experiência profissional. Num dos pontos, mais do que política de crédito, pôs-se questões sobre o cumprimento das normas de crédito nas operações em que tinha participado“, respondeu o antigo administrador da CGD durante a presidência de Faria de Oliveira.

Uma das questões levantadas pelo BCE dizia respeito ao facto de a EY ter identificado operações de crédito com parecer desfavorável do risco e que não estavam fundamentados de forma escrita. “Fundamentei que não era assim”, disse Norberto Rosa, explicando que o antigo secretário-geral da CGD João Dias Garcia “teve a simpatia” de “fazer um documento em que demonstrava que havia o cumprimento” das normas.

Só que “como o processo estava nesta impasse” decidiu aceitar ir para a APB, explicou.

Na sua intervenção inicial, Norberto Rosa também deixou fortes críticas ao trabalho da EY na auditoria aos atos de gestão na CGD entre 2000 e 2015. Por exemplo, criticou o facto de a auditora não ter permitido que fosse exercido o direito ao contraditório e ainda a amostra das operações de crédito usadas no relatório. Os resultados da auditoria seriam os mesmos se “se tivesse selecionado uma amostra aleatória?”, questionou Norberto Rosa.

(Notícia atualizada às 19h22)

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

Norberto Rosa desistiu do BCP por causa de “impasse” na avaliação do BCE

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião