Porque é que a Google e a Apple são tão boas? Porque têm os melhores trabalhadores

  • ECO
  • 15 Março 2017

Resume-se tudo a três fatores: ter uma equipa de trabalhadores de topo, eliminar a burocracia e gastos desnecessários com o controlo do pessoal, e ter líderes inspiradores.

Algumas das maiores empresas à escala mundial — como a Apple, a Netflix, a Google e a Dell — são 40% mais produtivas que a maioria. A conclusão é de um estudo da consultora Bain & Company, citado pela Fast Company, que quis averiguar que fatores influenciam o nível de produtividade dos colaboradores destas empresas. Sabe os resultados? A receita para o sucesso combina elevado nível de organização no trabalho, definição muito clara das prioridades, confiança nos membros dos vários escalões dentro da companhia e liderança forte.

Isto significa que os seus colaboradores não têm de ser todos ‘superestrelas’: “O estudo concluiu que estas empresas só têm 16% de ‘estrelas’ (profissionais que se destacam realmente dos demais), enquanto outras companhias têm 15%”, afirmou Michael Mankins, parceiro da Bain & Company e autor do livro “TIME | TALENT | ENERGY: Overcome Organizational Drag and Unleash Your Team’s Productive Power”.

Ou seja, a diferença não está na quantidade mas na qualidade. Os trabalhadores de grandes empresas de doze setores industriais a nível mundial elegeram as três componentes humanas que afetam mais que qualquer outra coisa a produtividade de uma empresa: tempo, talento e energia.

“Estes trabalhadores conseguem ter mais trabalho concluído às 10h de uma terça-feira de manhã do que outros, numa semana inteira”, disse Mankins. “E esta diferença acumula-se a cada ano. Ao fim de uma década, conseguem produzir até 30 vezes mais do que as restantes empresas, tendo o mesmo número de trabalhadores”.

No seu livro, Mankins identificou ainda os três principais fatores que influenciam a produtividade das empresas:

1. Realçar as estrelas

Ao contrário da maioria das empresas — que aposta numa cultura igualitária entre os seus trabalhadores — gigantes como a Google e a Apple realçam os seus melhores colaboradores. “Eles selecionam uma mão cheia de postos que são mesmo essenciais para o negócio, que afetam a estratégia da companhia para o sucesso e a sua execução, e preenchem 95% destes lugares com esses trabalhadores de topo”, explicou Mankins. “Os restantes postos ficam para os colaboradores menos qualificados”.

No caso específico do iOS 10, a Apple só usou trabalhadores de topo, porque era uma missão crítica e de grande relevo. O trabalho de equipa foi recompensado no final, sob a condição de que nenhum dos indivíduos receberia uma recompensa à parte se a equipa inteira não a recebesse também. “Por cada membro da equipa que não é uma ‘estrela’, a produtividade desce”, explicou Mankins. “Se a equipa inteira foi constituída por estrelas, a produtividade torna-se bastante elevada”.

2. Eliminar a burocracia

Um estudo da Harvard Business Review mostrou que a burocracia custa à economia mais de três biliões de dólares todos os anos. Uma companhia mediana perde mais de 25% da sua capacidade produtiva com os atrasos e arrastos na organização, processos burocráticos que desperdiçam tempo e impedem as pessoas de conseguirem fazer o que precisa de ser feito, refere Mankins. Isto costuma acontecer à medida que as companhias crescem, porque a tendência é substituir as avaliações de cada caso por um processo geral para todos.

O mais comum desses processos é o que diz respeito à gestão dos empregados, alerta Mankins. “Na maior parte das empresas, há audições e limites para as despesas, e os empregados são todos vigiados. Na Netflix, pelo contrário, não há política de gastos. A única política existente é “faz o melhor em prol da empresa”. A companhia está a dizer aos seus trabalhadores: ‘Acreditamos que não estás aqui para pilhar a companhia, por isso não vamos dar início a processos que vão desperdiçar dinheiro, tempo e energia que podiam ser aproveitados para aumentar a produção’. Eles dizem aos trabalhadores para usarem o seu bom senso, porque podem ser mais produtivos se não forem restringidos”, explicou.

3. Uma liderança inspiradora

Um trabalhador comprometido é, em média, 44% mais produtivo que um trabalhador simplesmente satisfeito. Mas um trabalhador que se sinta inspirado pelo trabalho e pelo ambiente que encontra no local do trabalho é cerca de 125% mais produtivo que um trabalhador simplesmente satisfeito, alertou Mankins.

“Foi-nos ensinado que, ou és um General Patton e consegues inspirar os outros, ou não és, mas isto não é verdade”, avisou o autor do livro. “Pode aprender-se a ser um líder inspirador. As companhias que reconhecem isto e investem em melhorar nesse aspeto criam um impacto significativo no seu nível de produção”.

A Dell Technologies reconheceu a diferença entre equipas que se sentiam inspiradas pelos seus líderes e as restantes. “As equipas de vendas lideradas por alguém inspirador são 6% mais produtivas que aquelas que não são, e esses 6% convertem-se numa receita de mais mil milhões de dólares ao fim do ano. Ou seja, a má liderança custa dinheiro às empresas”.

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