Santos Ferreira: “Questionei Governo sobre La Seda”

Carlos Santos Ferreira diz que questionou o Governo sobre o investimento na La Seda. Uma aposta que acabou por ser ruinosa. Hoje, a empresa espanhola é uma das grande devedoras da CGD.

Carlos Santos Ferreira esteve à frente da CGD quando foram tomadas várias decisões polémicas de investimento e financiamento. Decisões que podem levar a Caixa a perder mais de 900 milhões de euros. Um desses investimentos foi feito no capital da La Seda, empresa petroquímica espanhola. O antigo presidente do banco do Estado terá questionado “alguém de responsabilidade” qual a sua finalidade.

Na comissão de inquérito à gestão da CGD, o gestor explica aos deputados que questionou “alguém de responsabilidade” sobre a grande razão do investimento da CGD em cerca de 5% do capital da La Seda. Para Carlos Santos Ferreira, este projeto apenas faria sentido se permitisse instalar em Portugal uma fábrica que possibilitasse aproveitar aquilo que era produzido pelas refinarias da Galp em Sines.

“Perguntei se o Governo estava a considerar atribuir o chamado Projeto de Potencial Interesse Nacional (PIN) ao projeto La Seda”, explica aos deputados. O que acabou por acontecer. A CGD investiu 121,3 milhões e deu financiamentos de 75 milhões à La Seda.

Mas este projeto acabou por ser ruinoso. Neste caso, há quatro empresas envolvidas: a espanhola La Seda, que produzia poliéster termoplástico para fabricar garrafas, e as portuguesas Selenis (acionista da La Seda e fabricante de plásticos, Artlant (fornecedora da La Seda) e Barbosa Almeida (acionista). Como relembra o Público, entre 2006 e 2010, estas empresas cruzaram-se por intermédio da CGD. O banco do Estado foi financiador das quatro empresas, investidor da La Seda e da Artlant e promotor do projeto que iria revitalizar o complexo de Sines.

Hoje, a La Seda, a Artlant e a Selenis são três dos grandes devedores da CGD, mas nenhuma tem como pagar a dívida. Para além do que investiu na La Seda, a CGD aplicou 25 milhões na Artlant, a quem também reclama créditos de 520 milhões; e concedeu créditos de 165 milhões à Selenis. Contas feitas, a exposição do banco público a estas empresas ascende a 906,3 milhões de euros.

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