Primeiro carro elétrico português vai ter bancos aquecidos e altifalante no encosto

Soluções para o assento automóvel do BEN, com apenas 2,5 metros de comprimento, estão a ser desenvolvidas no CeNTI, em Famalicão, em conjunto com o CEiiA, Simoldes, TMG, Citeve e Nova de Lisboa.

O primeiro carro elétrico fabricado em Portugal vai ter bancos com sistemas de aquecimento têxteis incorporados e encostos de cabeça com sistemas de som de alta qualidade e decoração luminosa. O BEN é uma das principais concretizações da agenda mobilizadora Be.Neutral do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).

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As soluções para o assento automóvel deste veículo pequeno e acessível, com apenas 2,5 metros de comprimento, estão a ser desenvolvidas no CeNTI – Centro para a Nanotecnologia e Materiais Avançados, em Vila Nova de Famalicão, em conjunto com o CEiiA, a Simoldes, a TMG, o Citeve e a Universidade Nova.

Uma das principais novidades é o desenvolvimento de um altifalante ultrafino que, em vez de estar localizado no tabliê ou nas portas, está incorporado no encosto de cabeça do banco automóvel. Visando um maior conforto acústico e uma experiência sonora personalizada, já foi premiado na Alemanha, num dos principais eventos internacionais da área da eletrónica impressa (LOPEC).

“Esta abordagem permitiu explorar uma solução inovadora, sem interferir com as funcionalidades já integradas na estrutura têxtil do banco. No fundo, esta solução foi idealizada como um add-on ao veículo, permitindo uma integração mais simples e menos intrusiva. Paralelamente, contribui para conceitos de leveza, integração funcional e personalização da experiência do utilizador”, refere Marta Midão, investigadora do CeNTI.

Em comunicado, o centro minhoto explica que o sistema de áudio pode ser controlado através de um dispositivo móvel, funcionando de forma semelhante aos sistemas de som convencionais, permitindo reproduzir as funcionalidades habitualmente associadas aos sistemas de áudio automóvel, como reprodução de música, chamadas telefónicas, navegação GPS e avisos e notificações do veículo.

Por outro lado, os investigadores desenvolveram igualmente sistemas de aquecimento têxteis integrados nos assentos e encostos dos bancos, para aumentar o conforto térmico dos ocupantes, incorporando eletrónica e tecnologias de hardware e firmware. Em paralelo, para “proporcionar novos efeitos visuais”, estão a ser utilizadas fibras fosforescentes como aplicação decorativa, integradas no encosto de cabeça e no encosto do banco.

“Na prática, foi desenvolvido um conjunto diversificado de soluções tecnológicas para o banco automóvel, integrando funcionalidades avançadas ao nível dos materiais, sensorização, atuação e experiência do utilizador. O objetivo é que estas soluções contribuam para uma nova geração de interiores automóveis mais leves, sustentáveis, tecnológicos e centrados no utilizador, permitindo uma experiência a bordo mais inteligente e diferenciadora”, sublinha Marta Midão.

Resultado de uma agenda do PRR liderada pela Nos e que envolve 40 parceiros, entre os quais o CEiiA e várias cidades do Norte de Portugal, o BEN já tem luz verde para circular em toda a Europa. Deverá ser vendido a um preço a partir de oito mil euros e a expectativa é que em 2030 estejam a ser produzidos 20 mil unidades por ano.

Como o ECO noticiou no início deste ano, o BEN vai ser vendido em lotes no mínimo de dez unidades a condomínios, empresas e operadores. Só numa segunda fase vai ser possível comprar em stands este pequeno carro concebido numa lógica de transporte partilhado.

Fundado em 2006 e atualmente com uma equipa de mais de 200 investigadores, o CeNTI foi o primeiro centro de investigação em Portugal dedicado à nanotecnologia para aplicação na indústria e resulta de uma parceria entre o Citeve – Centro Tecnológico das Indústrias Têxtil e do Vestuário de Portugal, o CTIC – Centro Tecnológico das Indústrias do Couro, e as Universidades do Minho, Porto e Aveiro, à qual se juntou o CEiiA e o BIKiNNOV – Bike Value Innovation Center.

Reclamando uma forte ligação ao tecido empresarial, o CeNTI contabiliza já ter participado em mais de 600 projetos colaborativos e científicos e desenvolvido mais de 350 projetos sob contrato com a indústria. Possui ainda um portefólio com mais de 100 pedidos de patente ativos, dos quais mais de 75 patentes encontram-se concedidas.

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