Thales estreia sistema com IA no controlo aéreo de Singapura e mira mercado global
Thales leva inteligência artificial ao controlo aéreo de Singapura com um novo sistema previsto para 2030, pensado pela empresa francesa como um projeto global.
A Thales vai desenvolver um novo sistema de gestão de tráfego aéreo de nova geração para Singapura, com recurso a inteligência artificial (IA), numa altura em que o tráfego aéreo mundial deverá aumentar e os sistemas de controlo a enfrentam uma pressão crescente sobre capacidade e eficiência.
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O NexGen ATMS (Next Generation Air Traffic Management System), selecionado pela Autoridade da Aviação Civil de Singapura (CAAS – Civil Aviation Authority of Singapore), deverá estar operacional em 2030 e substituir o atual sistema LORADS III pela solução TopSky – ATC One da empresa francesa, integrando também novos radares de controlo aéreo.
“O sistema está previsto para entrar em operação em 2030. Trata-se, portanto, de um plano de implementação de quatro anos. Este projeto terá várias etapas”, afirmou Hervé Dammann, vice-presidente executivo para os Sistemas Terrestres e Aéreos da Thales, numa conferência telefónica com jornalistas.
O contrato tem valor confidencial. A empresa revelou apenas que representa um dos maiores negócios da empresa francesa no setor. “O valor do contrato é confidencial. O que podemos partilhar é que este contrato vale vários milhões de euros e representa, para a Thales, um dos maiores contratos neste domínio”, esclareceu o gestor.
“Este é um projeto global, este é um projeto muito importante”, reiterou o vice-presidente executivo para os Sistemas Terrestres e Aéreos. Apesar de estar a ser implementado em Singapura, o projeto surge num contexto mais amplo de modernização das infraestruturas de controlo aéreo, com vários operadores a procurarem aumentar capacidade, automatizar processos e reforçar a resiliência digital dos sistemas críticos.
Segundo Dammann, o tráfego aéreo deverá triplicar nos próximos 25 anos. “O crescimento do tráfego está a aumentar e deverá triplicar nos próximos 25 anos, principalmente na região Ásia-Pacífico. Este projeto torna-se, por isso, um projeto muito ambicioso”, vincou.
No centro do sistema estará o TopSky – Sequencer, uma solução baseada em IA destinada a otimizar os fluxos de chegada e partida das aeronaves. A tecnologia disponibiliza aos controladores de tráfego aéreo “ferramentas de apoio à decisão em tempo real, fluxos de trabalho simplificados e uma interface homem-máquina altamente intuitiva”, refere a empresa.
“Trata-se de maximizar a utilização do espaço aéreo e da infraestrutura existente, aumentando a capacidade. Também ajudará a reduzir os tempos de espera das aeronaves e dos passageiros. Por último, mas não menos importante, permitirá reduzir os atrasos operacionais — momentos em que as aeronaves ficam potencialmente à espera para aterrar ou descolar”, explicou o gestor
Questionado sobre se esta configuração já está disponível noutros mercados, Dammann garante que as funcionalidades mais avançadas de inteligência artificial representam uma estreia mundial. “Quando falamos das funcionalidades de IA mais avançadas, sim, esta seria uma primeira implementação mundial”, sublinhou.
A inteligência artificial integrada no sistema terá, contudo, de ser certificada pelas autoridades singapurianas antes de ser implementada. “A IA dentro do sequenciador será certificada pelas autoridades singapurianas antes da implementação”, explicou o responsável.
Sistema pensado para evolução contínua
Além da automatização, a empresa de aeroespacial destaca a capacidade de atualização contínua do sistema e a arquitetura aberta da solução, permitindo integrar novas tecnologias à medida que as necessidades operacionais evoluem.
“O sistema cumpre as normas internacionais de segurança mais exigentes atualmente em vigor para sistemas de terceira geração e oferece uma capacidade de atualização contínua, graças à abordagem de desenvolvimento de produto da Thales”, referiu Dammann.
A empresa destaca ainda a componente de cibersegurança, numa altura em que os sistemas de controlo aéreo são considerados infraestruturas críticas. “É sobre a resiliência da segurança cibernética do produto”, afirmou o responsável, acrescentando que a solução cumpre não só normas internacionais, mas também os requisitos específicos impostos pelas autoridades de Singapura.
O projeto inclui também dois radares de controlo de tráfego aéreo de nova geração, capazes de reforçar a vigilância do espaço aéreo em diferentes condições meteorológicas. Segundo a Thales, estes sistemas incorporam tecnologias de inteligência artificial para melhorar a capacidade de identificação de pequenos objetos no espaço aéreo.
“Os novos radares que estamos a fornecer a Singapura também avançam nas tecnologias de inteligência artificial, especialmente, por exemplo, para distinguir entre aves e drones. São elementos muito pequenos no céu e é importante conseguir diferenciá-los”, explicou Dammann.
“Os algoritmos são ajustados para trabalhar no ambiente climático de Singapura, que não é exatamente igual ao de outros países. Mas este é um projeto global”, acrescentou.
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