Vendas da LVMH aceleram, mas lucros travam

Lina Santos,

Grupo de luxo faturou 38,6 mil milhões de euros no primeiro semestre. As vendas cresceram 2%, mas os lucros recuaram 4%.

O maior conglomerado de marcas de luxo do mundo faturou 38,6 mil milhões de euros no primeiro semestre de 2026, de acordo com os resultados apresentados esta segunda-feira pela empresa francesa. Os números representam uma queda de 3% da receita e de 4% nos lucros face ao mesmo período em 2025. As vendas aumentaram 2%.

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De acordo com a LVMH, o crescimento orgânico do grupo acelerou para 3% no segundo trimestre, depois de ter atingido 1% nos primeiros três meses do ano. Sem o conflito no Médio Oriente, os números poderiam ter chegado aos 4%, sustenta.

O lucro das operações recorrentes recuou 4%, para 8,7 mil milhões de euros, com a margem operacional nos 22,5%, dizem ainda os resultados. O resultado líquido atribuível ao grupo manteve-se estável em 5,7 mil milhões.

Moda volta ao crescimento, joias e relógios lideram

Moda e marroquinaria mostra ter regressado ao ao crescimento orgânico no segundo trimestre, com uma subida de 1%, apesar de fechar o semestre com uma queda de 1%, um dos mais baixos entre as várias divisões da LVMH. Uma “rápida aceleração nos Estados Unidos, apesar do impacto do conflito no Médio Oriente”, explica a companhia, lembrando que a Louis Vuitton celebrou o 130.º aniversário do seu Monogram, “prestando homenagem às suas malas icónicas e enriquecendo a gama com o Monogram Emblème e a histórica tela jacquard utilizada nos primeiros baús da maison”. No primeiro semestre, a marca abriu duas novas flagships, em Pequim e Seul.

Na Christian Dior, o grupo salienta a boa receção das coleções do seu novo diretor criativo, Jonathan Anderson, e da mala Cigale, inspirada num vestido criado pelo próprio Christian Dior. A maison abriu o seu Bamboo Pavilion, em Tóquio, e uma nova loja em Osaka.

Outros destaques da marca vão para a Loro Piana, que, segundo o grupo, voltou a apresentar bons resultados, tal como Rimowa e Berluti. Outras marcas prosseguem renovações como Givenchy e Fendi. Nesta divisão, o semestre ficou marcado pelo acordo com a WHP Global para a venda da Marc Jacobs, por 850 milhões.

A categoria de Relógios e joalharia liderou o crescimento, com uma progressão orgânica de 11% no trimestre e de 9% no semestre. O crescimento está em linha com os resultados apresentados recentemente pela Richemont. Tiffany & Co. destacou-se nas suas linhas históricas. A Bvlgari cresceu e, segundo a LVMH, a Tag Heuer beneficia nas vendas da “elevada visibilidade” que lhe traz a associação à Fórmula 1.

Perfumes e cosméticos terminam o semestre em linha com os resultados do primeiro semestre de 2025 (mas menos 1% no segundo trimestre). A LVMH prefere destacar o bom desempenho de marcas históricas, com lançamentos como J’adore Intense e das versões eau de parfum do Dior Addict. Segundo a companhia, Guerlain registou um forte crescimento, “sustentado pelas coleções de fragrâncias L’Art & La Matière e Aqua Allegoria”.

Vinhos e bebidas espirituosas sobem 5% no segundo trimestre, um valor que contraria as quedas dos últimos exercícios. “O negócio do champanhe apresentou sinais encorajadores, em particular nos cuvées de prestígio”, nota o comunicado da LVMH, lembrando que “a Moët & Chandon iniciou a sua segunda temporada como champanhe oficial dos Grandes Prémios de Fórmula 1″. Outros destaques vão para a “dinâmica positiva” do conhaque Henessy iniciada durante o Ano Novo Chinês. “Além de um rigoroso controlo de custos, a desejabilidade das marcas e a inovação mantiveram-se como prioridades estratégicas centrais do grupo de atividades”, defende o grupo.

Uma das divisões que tem gerado melhores resultados à LVMH no último ano tem sido a distribuição seletiva, onde se destaca o papel da Sephora. “O crescimento orgânico das receitas foi de 5% no primeiro semestre de 2026 e a margem continuou a aumentar”. A cadeia de lojas “continuou a ganhar quota de mercado em numerosos países, consolidando a sua posição de liderança mundial”. Mantém a sua estratégia de lançamentos exclusivos com marcas como Rhode, de Hailey Bieber, nomeadamente no Reino Unido e EUA.

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