Fundador da LVMH entra no X para negar tensões familiares
Bernard Arnault, líder e fundador do grupo LVMH, publicou a sua primeira mensagem na rede social. É uma resposta ao jornal detido pelo genro.

Merci. O presidente executivo do grupo LVMH, dono da Louis Vuitton, estreou-se no X para reagir a uma investigação em seis partes do Le Monde sobre o seu poder, as suas relações e as alegadas divisões (e tensões) na família. Às palavras do fundador da empresa, uma das maiores de França, seguia-se uma imagem com a palavra “obrigado” em francês. E ponto final.
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A mensagem de Bernard Arnault, 77 anos, foi publicada esta segunda-feira numa conta recém-aberta no X com apenas um post: este. “Fiquei sensibilizado com as numerosas mensagens que me enviaram na sequência da minha carta aberta ao Le Monde. Queria agradecer a todas e todos, direta e pessoalmente, aqui, no X”, lê-se. É uma resposta à série de seis artigos que foram sendo publicados no jornal francês entre 19 e 24 de julho, dizem o Le Monde e a Bloomberg.
Com base na sua investigação, o Le Monde analisou a influência acumulada pelo acionista maioritário da LVMH em França e no estrangeiro, as suas relações com sucessivos presidentes franceses, os interesses nos meios de comunicação social e o recurso aos benefícios fiscais associados ao mecenato.
O jornal abordou também alegadas rivalidades entre os filhos de Arnault e desentendimentos dos dois mais velhos com Hélène Mercier Arnault, segunda mulher do empresário e mãe dos seus três filhos mais novos.
A teia torna-se ainda complexa se tivermos em conta que o acionista maioritário do Le Monde é Xavier Niel, milionário francês que fez fortuna nas telecomunicações e é companheiro, e pai de dois filhos, da primogénita de Bernard Arnault.
A resposta de Bernard Arnault foi publicada este domingo na conta da LVMH. Sem desmentidos, recordou que o jornal ouviu durante seis meses vários dirigentes do grupo e membros da sua família, incluindo os cinco filhos e a mulher, e rejeitou a possibilidade de uma rutura familiar. Na primeira publicação feita na conta pessoal verificada, @BernardArnault, o empresário agradeceu as mensagens de apoio recebidas após a divulgação do texto.
A questão da sucessão de Arnault no grupo LVMH surge ocasionalmente. Na última vez em que o assunto foi abordado na última assembleia-geral da LVMH, realizada em abril, já tinha afirmado que a questão da sucessão não se colocaria antes de sete ou oito anos, enquanto os acionistas aprovaram o aumento para 85 anos do limite etário aplicável ao cargo de presidente executivo. No início do ano, coincidindo com a apresentação dos resultados de 2025 (não muito brilhantes), vários analistas tinham expressado a necessidade de um conhecer um plano de sucessão em detalhe.
Atualmente, os cinco filhos de Arnault trabalham na LVMH ou numa das marcas do grupo. Delphine está na Christian Dior Couture, Antoine é quem mais fala do grupo a par do pai, Alexandre está na Moët Hennessy, Frédéric lidera a Loro Piana e Jean está na divisão de relógios da Louis Vuitton.
Segundo o artigo do Le Monde, o patriarca tem pouco interesse em falar de sucessão. Os irmãos estão preparados para liderar as empresas do grupo e, entre eles, podem ver-se como concorrentes. Delphine tem ganho relevância, Antoine Arnault está mais perto do poder, Alexandre perdeu terreno e a sua missão – a divisão de bebidas – é difícil. A divisão não tem apresentado bons resultados. Frédéric é visto como parecido com o pai, mas pouco capaz no que diz respeito a relações humanas. Jean, que ainda não cumpriu 30 anos, está à margem para já.
Bernard Arnault ocupa o nono lugar entre as pessoas mais ricas do mundo, com uma fortuna estimada em cerca de 154 mil milhões de dólares, segundo o Bloomberg Billionaires Index, enquanto Xavier Niel, principal acionista do Le Monde e companheiro de Delphine Arnault, tem uma fortuna avaliada em cerca de 15 mil milhões de dólares.
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