Regulador britânico vai vigiar equipas offshore das grandes auditoras
Financial Reporting Council está preocupado com o excesso de utilização do modelo de "equipa alargada" por parte das Big Four, que envolve recursos humanos do estrangeiro, sobretudo na Índia.
As quatro maiores empresas de auditoria e consultoria estão a recorrer demasiado às suas redes globais de colaboradores para trabalhos complexos de clientes no Reino Unido. O alerta foi dado esta quarta-feira pelo regulador britânico, que considera que a Deloitte, a EY, a KPMG e a PwC estão a tornar-se cada vez mais dependentes das equipas no estrangeiro para processos de auditoria complexos.
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No próximo ano, o Financial Reporting Council (FRC) irá monitorizar a forma como as Big Four gerem os seus “modelos de equipa alargada”, nomeadamente porque teme que não consigam controlar devidamente as atividades noutras partes das suas redes internacionais, de acordo com um relatório que foi divulgado pelo jornal Financial Times (acesso pago, conteúdo em inglês).
O FRC afirma que estas organizações estão a incorporar cada vez mais equipas offshore nos seus trabalhos de auditoria no Reino Unido, sob o modelo de “equipa alargada”. Em causa está a utilização de equipas offshore para trabalhos que exigem “julgamento profissional”, o que vai além da prática tradicional de recorrer a recursos humanos no estrangeiro para funções administrativas e trabalhos (testes) de rotina.
As Big Four — Deloitte, EY, KPMG e PwC — têm extensas operações offshore, principalmente na Índia, através das quais procurar reduzir custos, aceder a mão-de-obra qualificada e prestar apoio às empresas durante 24 horas por dia em sete dias da semana. Por exemplo, no Reino Unido, cerca de um quarto dos colaboradores de auditoria da KPMG está sediado no estrangeiro.
Para o FRC, estas empresas têm de se preparar para os riscos da deslocalização, até porque a maioria opera como uma rede de parcerias nacionais, detidas e geridas autonomamente pelos sócios seniores de cada país e supervisionadas por uma organização global.
Em declarações ao matutino britânico, dois auditores (não identificados) admitiram uma crescente dependência das equipas offshore nas Big Four e também manifestaram preocupação com a qualidade do trabalho que estas equipas ‘externas’ são capazes de produzir.
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