Escândalos da KPMG e PwC na Austrália prejudicam contratos de outras Big Four

Finanças australianas estão a investigar consultora até setembro. Em 2025, os novos contratos que KPMG, PwC, Deloitte e EY assinaram com o governo da Austrália caíram 45% para cerca de 212 milhões.

O escândalo de auditoria que eclodiu na Austrália com a KPMG, e levou à suspensão de novos contratos públicos com a empresa, pode arrastar-se a outras Big Four, mesmo que não estejam envolvidas na investigação das Finanças. As quatro maiores consultoras do mundo têm estado a perder contratos com o Governo australiano, de acordo com uma análise da Reuters.

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A receita das Big Four com trabalhos para o governo federal caiu para quase metade desde uma fuga de informação fiscal que aconteceu na PwC há três anos. Em 2025, os novos contratos que a KPMG, a PwC, a Deloitte e a EY assinaram com a Austrália caíram a pique para 348 milhões de dólares australianos (cerca de 212 milhões de euros), menos 45% em termos homólogos.

A agência noticiosa detalha que os números demonstram a rapidez com que Camberra está disposta a distanciar-se das principais auditoras, que movimentam 1,8 mil milhões de dólares australianos (cerca 1,1 mil milhões de euros).

“Isto gera apreensão por parte dos organismos governamentais de que possa haver um uso indevido de materiais confidenciais. Consequentemente, os organismos governamentais estarão mais relutantes em contratar a KPMG. Podem também enfrentar cortes de despesas por parte dos governos estaduais. No geral, isto representa um impacto maior do que apenas o trabalho para o governo federal”, disse Stephen Bartos, ex-secretário adjunto do Departamento de Finanças, à Reuters.

O caso veio a público no mês passado e envolveu a KPMG da Austrália, que alegadamente terá usado indevidamente informações confidenciais do seu cliente Lendlease (imobiliária) para ganhar contratos de auditoria com o banco Westpac e a gestora de ativos Dexus, sendo que não agiu devidamente perante queixas de denunciante. Perante a polémica, o CEO da KPMG Austrália, Andrew Yates, demitiu-se com efeitos imediatos a 29 de maio, pediu desculpa ao whistleblower e foi substituído a nível interino por Stan Stavros.

Reconhecemos que os indivíduos da nossa empresa cometeram erros. Mas estas falhas não refletem a grande maioria dos nossos sócios e colaboradores – profissionais competentes e talentosos que continuam a entregar um trabalho de alta qualidade com integridade e um profundo compromisso com os nossos valores e ética”, começou por explicar a KPMG, em comunicado divulgado online esta segunda-feira.

O novo CEO informou que a da consultora aussie não vai entrar em mais concursos públicos até ao próximo dia 30 de setembro e está a terminar um “Plano de Remediação claro e robusto”, que irá abordar as principais áreas em que não obteve “os padrões esperados”, e com o qual se compromete “a implementar na íntegra”.

Desde esta terça-feira e até ao final de setembro, o Departamento de Finanças australiano está a levar a cabo uma investigação para perceber se a KPMG – que tem 270 milhões em contratos federais – violou o seu contrato com o governo de Camberra. “Esta análise irá examinar minuciosamente se a KPMG violou os padrões esperados dos fornecedores do governo e se os contribuintes foram cobrados por um trabalho que não cumpriu esses padrões”, afirmou a ministra das Finanças australiana, Katy Gallagher, em declarações divulgadas pelo Australian Financial Review.

Em 2023, a concorrente PwC viu-se obrigada a vender a sua operação de consultoria ao Estado por um dólar à Allegro Funds em 2023, depois de ter sido proibida de ganhar novos contratos federais no âmbito de uma fuga de informação fiscal, segundo a mesma publicação económica.

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