Alemã Hennig constrói fábrica com 450 empregos na Figueira da Foz para faturar 500 milhões

Empresa que produz componentes de energia e infraestrutura para data centers vai expandir produção para Portugal, com criação de uma unidade na Figueira. Produção deverá arrancar em janeiro de 2028.

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A Hennig vai criar uma nova unidade de produção na zona industrial do Pincho, na Figueira da Foz, num investimento de 53 milhões de euros e cujo início de produção está previsto para o início de 2028. O grupo septuagenário alemão prevê criar 450 postos de trabalho e faturar cerca de 500 milhões de euros em Portugal, no prazo de cinco anos, com a nova fábrica que vai produzir componentes direcionados para responder à crescente procura de data centers e cujos clientes finais são as gigantes da tecnologia, como a Nvidia ou a Apple.

Criada em há 75 anos em Munique, a Hennig incluiu Portugal na sua estratégia de descentralização da produção, através da criação desta nova unidade de 35.000 metros quadrados, que vai criar 400 postos de trabalho no Pincho e outros 50 em Santana, a unidade “de apoio” à nova fábrica. A partir do Pincho, a empresa alemã, que se afirma como “fornecedor de eleição no mercado em rápida expansão das infraestruturas para centros de dados, particularmente entre operadores de centros de dados de grande escala e fornecedores de alojamento de infraestruturas digitais”, prevê reforçar a capacidade de produção, posicionando a Hennig “como um líder de mercado fiável e inovador”.

A empresa, que assinala esta quarta-feira o lançamento da primeira pedra deste projeto, num evento que conta com a presença do primeiro-ministro Luís Montenegro, antecipa faturar 500 milhões de euros em Portugal, nos primeiros cinco anos de produção, adianta Robert Schwaiger, CEO da Hennig Portugal, ao ECO.

Enquanto aguarda a conclusão das obras da nova fábrica, a multinacional alemã já está a trabalhar na expansão no país, através do arrendamento de um edifício para o período de 10 anos, em Santana, a oito quilómetros do Pincho. Nestas instalações, a multinacional alemã vai dar apoio à nova fábrica e vai iniciar a seleção e formação das pessoas que vão integrar a equipa da nova unidade. “A formação será feita um ano e meio antes em Santana“, explica Robert Schwaiger, CEO da Hennig Portugal.

“Os componentes são difíceis“, acrescenta, notando que a empresa vai produzir grandes contentores para geradores. Atualmente a empresa já conta com uma equipa de 17 pessoas, a qual vai continuar a aumentar, prevendo arrancar a produção na nova fábrica com entre 100 e 150 pessoas. O elevado nível de exigência obriga a formar primeiro as pessoas: “Temos de fazer uma produção mecânica e eletrónica completa.”

Portugal “favorito” para data centers

A escolha de Portugal foi devido a fatores logísticos. Com fábricas na Bósnia, Chéquia, França e Alemanha, Robert Schwaiger, reconhece que nenhum destes países “está preparado para uma procura logística assim”. “Por causa da energia verde, e a oportunidade de acolhimento do Atlântico, Portugal é o favorito para maiores data centers“, acrescenta. “Portugal tem todas as oportunidades que é preciso”, reforça, lembrando que os contentores para data centers são “unidades enormes”.

Além da parte logística, a empresa alemã destaca as capacidades do talento. “A minha mensagem para a geração jovem é não saiam para qualquer país da Europa. Precisamos de vocês em Portugal”.

De olho nas oportunidades futuras ligadas ao mercado de data centers, que deverá crescer até 35 biliões, a multinacional germânica investiu a olhar para o futuro. No Pincho tem espaço suficiente para duplicar a produção. Mas este crescimento não será de um dia para o outro.

“Temos de crescer lentamente”, explica o líder da Hennig Portugal, recordando que a empresa tem como clientes finais empresas como Amazon, Meta, Google, ou Apple, e os produtores de data centers. Em termos de produção, entre 60 a 70% terá, assim, como destino a exportação.

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