Preço das casas volta a bater recorde com subida de 20% num ano
O preço recorde de 2.337 euros por metro quadrado no primeiro trimestre foi seguido por uma subida expressiva em Guimarães e Vila Franca de Xira, onde os preços subiram 41,9% e 32,2% no último ano.
- O preço mediano das casas em Portugal atingiu 2.337 euros por metro quadrado no primeiro trimestre, com menos transações mas valores de venda cada vez mais elevados.
- Entre os 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, 13 tiveram subidas acima da média, destacando-se Guimarães com 41,9% e Vila Franca de Xira com 32,2% de aumento no valor mediano.
- A escalada dos preços abrange todas as regiões e é acompanhada por subida das rendas, enquanto os dados europeus apontam Portugal como líder na valorização da habitação.
A escalada dos preços no mercado imobiliário nacional não deu sinais de abrandamento no arranque do ano, com o valor mediano dos alojamentos familiares efetivamente transacionados no país no primeiro trimestre a alcançar o valor recorde de 2.337 euros por metro quadrado, quase o dobro do valor registado há cinco anos, de acordo com o Instituto Nacional de Estatística (INE).
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Este valor, calculado a partir de 35.953 transações, representa uma queda de 14% em relação ao quarto trimestre de 2025 e de 10,5% face ao período homólogo de 2025, uma desaceleração que sucede a uma queda homóloga de 5,3% no quarto trimestre do ano passado.
Em comunicado, os dados do INE confirmam que há menos casas a mudar de mãos, mas a preços cada vez mais elevados, numa tendência que o próprio INE já tinha identificado no Índice de Preços da Habitação, com uma queda homóloga de 8,7% nas vendas no mesmo período.

A subida generalizada dos preços não foi uniforme por todo o território. Dos 24 municípios com mais de 100 mil habitantes, 13 apresentaram um crescimento do valor mediano das vendas acima da média nacional de 19,8%, com Guimarães e Vila Franca de Xira a destacarem-se pelas subidas mais expressivas, de 41,9% e 32,2%, respetivamente.
Além disso, o INE sublinha que os preços “aceleraram” em 11 desses 24 municípios face ao trimestre anterior, ou seja, registaram aumentos nas taxas de variação homóloga superiores às do quarto trimestre de 2025, com o Funchal a ganhar 25,2 pontos percentuais e Guimarães a somar 24,1 pontos percentuais. No sentido inverso, Matosinhos foi o concelho onde a desaceleração foi mais acentuada, com uma perda de 11,9 pontos percentuais na taxa de variação homóloga.
Na Grande Lisboa, além de Vila Franca de Xira, também Sintra (28,9%), Odivelas (22,1%) e Amadora (21,3%) registaram subidas homólogas bem acima da média nacional.
Ainda assim, quem procura casa na capital ou nos concelhos vizinhos continua a encontrar os preços mais elevados do país: Lisboa fixou-se em 5.292 euros por metro quadrado, seguido de Cascais, com 5.000 euros, e Oeiras, com 4.511 euros.
Na Área Metropolitana do Porto, apenas Gondomar (21,7%) e a própria cidade do Porto (21,6%) superaram a taxa de variação homóloga nacional.

Onda de valorização imobiliária varre todo o território
O panorama regional confirma esta tendência de subida sustentada, já que “as 26 sub-regiões NUTS III do país registaram acréscimos homólogos dos preços da habitação”, com a Lezíria do Tejo a destacar-se com uma valorização de 30,4%, refere o INE em comunicado.
A Grande Lisboa e a Área Metropolitana do Porto, apesar de terem registado menos transações do que há um ano, continuaram a concentrar 34,7% de todo o negócio imobiliário residencial do país, o que ajuda a explicar por que motivo estas duas regiões pesam tanto na formação do preço mediano nacional.
Este encarecimento da casa própria surge, aliás, a par de uma subida também nas rendas: os novos contratos de arrendamento fecharam o primeiro trimestre com uma mediana de 9,46 euros por metro quadrado, um acréscimo homólogo de 9,1%.
Os números divulgados esta sexta-feira pelo INE, que resultam do cruzamento de dados fiscais do IMT e do IMI relativos a transações efetivamente registadas em Portugal, ajudam a contextualizar os dados divulgados no início do mês pelo Eurostat, que também colocaram Portugal na liderança da subida de preços na União Europeia.
Segundo o gabinete de estatísticas europeu, o Índice de Preços da Habitação nacional aumentou 17,8% em termos homólogos no primeiro trimestre, a maior subida entre os Estados-membros, à frente da Bulgária (14,8%) e da Eslováquia (14,4%), e 3,8% em cadeia, também a maior variação trimestral registada na União.
A diferença entre os 19,8% do INE e os 17,8% do Eurostat explica-se sobretudo pela metodologia: enquanto o indicador local reflete o valor mediano efetivo das vendas concluídas no trimestre, o índice harmonizado europeu segue uma metodologia estatística distinta, pensada para permitir comparações diretas entre os 27 países da União, e que o próprio INE também reproduz a nível nacional através do Índice de Preços da Habitação, com resultado praticamente coincidente.
Ainda assim, ambas as fontes apontam na mesma direção: Portugal continua a ser o país da União Europeia onde a habitação mais encareceu, num contexto em que a subida em cadeia do conjunto dos 27 Estados-membros se ficou pelos 1,2% no mesmo período.
O próximo destaque do INE sobre preços da habitação ao nível local está agendado para 23 de outubro, e permitirá avaliar se esta trajetória de aceleração se mantém ou se começa a moderar.
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