Exames. Ministro admite “centenas” de provas sem notas

  • Lusa e ECO
  • 17 Julho 2026

As escolas devem receber “oportunamente mais orientações” sobre as provas que vão estar sinalizadas nas pautas com “suspenso”. Ministro ameaça responsabilizar diretores que não publiquem notas.

Os resultados dos exames nacionais do ensino secundário começaram a chegar às escolas, mas há “centenas” sem classificação, segundo o ministro Fernando Alexandre em declarações à SIC Notícias. Antes já tinha sido adiantando pelo Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) que haverá provas sem nota devido a falhas identificadas pelo Júri Nacional de Exames.

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Numa informação oficial relativa ao processo de classificação dos exames do ensino secundário, a que o ECO teve acesso, o EduQA explicou que as escolas devem receber “oportunamente mais orientações” sobre as provas que estarão sinalizadas nas pautas com “suspenso”.

No ano letivo, avança a nota, “foram realizadas 290.351 provas, correspondentes a 2.059.974 itens digitalizados” e, em situações excecionais, “pode verificar-se o extravio de uma folha da prova ou a indisponibilidade de um ou mais itens de resposta por motivo não imputável ao aluno”.

Fernando Alexandre admitiu que em “centenas” de provas “há falhas diversas” e prometeu uma “auditoria” para averiguar os motivos. “Houve provas que chegaram ao EduQA só na última semana, porque não foram entregues na altura pela escola. Essas provas não têm condições, está em questão a própria integridade da prova, para ter nota agora”, disse o governante, que desvalorizou os alunos que vão ficar em “suspenso” na pauta.

“São 300 mil exames, é natural que existam problemas”, disse, para garantir que não vai abdicar “do novo sistema semi-digital”, que torna o trabalho “muito mais eficiente e mais seguro”.

O ministério da Educação pediu, entretanto, “mais um esforço dos diretores dos agrupamentos de escolas e das escolas não agrupadas” para que as notas sejam afixadas ainda esta sexta-feira. As notas “devem chegar aos alunos, as escolas e os diretores têm essa obrigação”, adiantou Fernando Alexandre à SIC, antes de avisar que vai “pedir individualmente” a cada diretor uma “justificação” para não afixarem os resultados.

“Hoje não é um dia normal: as escolas sabiam que as notas iam chegar e têm a responsabilidade de preparar as equipas para isso”, atirou. O ministro Fernando Alexandre reiterou que “os diretores têm essa responsabilidade” de publicar as notas, justificando que estas “são publicadas eletronicamente” e que “os alunos não têm que ir hoje à escola” para consultar a nota dos exames.

O ministro da Educação, Ciência e Inovação atribui a um “problema de comunicação entre o Júri Nacional de Exames e os professores” o facto de não ter conseguido concluir o processo de avaliação. O ministro garantiu ainda que os professores serão pagos pelas horas extraordinárias realizadas, sem revelar o montante previsto para esse efeito.

Antes, a EduQA tinha adiantando que os resultados das provas do 9.º ano não seriam afixados esta sexta, apontando o atraso no processo de classificação. “Tendo em consideração o atraso verificado no processo de classificação, vem o EduQA, através do Júri Nacional de Exames, informar que a afixação de pautas das provas finais de 9.º ano não ocorrerá hoje”, lê-se numa comunicação enviada às escolas. Na nota, o EduQA indica agora que a “afixação das pautas de resultados das provas finais de ciclo para o início da próxima semana”.

Inicialmente, estava prevista para terça-feira a publicação das notas das provas do 9.º ano, à semelhança dos exames nacionais do ensino secundário, mas os constrangimentos registados na classificação digital obrigaram o Governo a adiar a afixação das pautas das várias avaliações externas.

No entanto, ao contrário dos exames dos 11.º e 12.º anos – onde ainda se espera a afixação de algumas pautas esta sexta-feira –, os alunos do 9.º ano não vão ainda conhecer as notas finais de Português e Matemática.

As provas do 9.º ano, obrigatórias para concluir o 3.º ciclo, decorreram há um mês e, pela primeira vez este ano, realizaram-se em formato digital. No dia 17 de junho, os alunos foram avaliados a Português, seguindo-se a prova de Matemática, no dia 22 de junho. A segunda fase, inicialmente prevista para decorrer entre os dias 16 e 20 de julho, foi igualmente adiada.

Segundo o calendário publicado pelo Instituto de Educação, Qualidade e Avaliação (EduQA) no dia 3 de julho, a prova de Português foi reagendada para terça-feira (dia 21), seguindo-se a de Matemática na quinta-feira (dia 23).

(Notícia atualizada às 20h41 com mais informação)

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