Câmara de Odemira está a averiguar legalidade das obras em imóvel do MAI
Perante as suspeitas de eventuais "operações urbanísticas irregulares" em casa do ministro, a autarquia afirmou que está a desenvolver os procedimentos necessários para apurar a situação.
A Câmara de Odemira, no distrito de Beja, avançou esta terça-feira que está a verificar a legalidade das obras realizadas num imóvel particular do ministro da Administração Interna, Luís Neves, na freguesia de São Teotónio. Em resposta por escrito a questões colocadas pela agência Lusa, o município esclareceu que “não está em curso qualquer processo de licenciamento ou comunicação de obras nos prédios” localizados na freguesia de São Teotónio.
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Perante as suspeitas de eventuais “operações urbanísticas irregulares”, a autarquia afirmou que está a desenvolver os procedimentos necessários para apurar a situação. “Está o município a proceder em conformidade para verificar a legalidade destas mesmas operações urbanísticas efetuadas neste local”, avançou.
Na mesma resposta, a Câmara de Odemira garantiu que “tratará deste assunto de acordo com os trâmites legais para casos desta natureza”. Na última sexta-feira, o semanário Nascer do Sol noticiou que o ministro da Administração Interna contratou para remodelar um imóvel que detém em Odemira uma empresa anteriormente responsável por obras na Polícia Judiciária (PJ) quando Luís Neves era diretor nacional.
Segundo a publicação, entre 2020 e 2025, a empresa Construbarcelos recebeu cerca de 1,9 milhões de euros em contratos públicos, valor confirmado esta terça pelo ministro da Administração Interna, em entrevista à TVI/CNN. Entretanto, o vereador do Chega na Câmara de Odemira, Manuel Matias, apresentou um requerimento a solicitar a convocação de uma reunião extraordinária do executivo municipal, com caráter de urgência, para analisar este caso.
No documento dirigido ao presidente da câmara, Hélder Guerreiro (PS), o vereador fundamentou o pedido com a “gravidade das notícias tornadas públicas” sobre as “obras realizadas na residência” do ministro. Além de considerar que o assunto “suscitou forte preocupação pública e legítimas exigências de transparência e de apuramento de responsabilidades”, o autarca disse pretender “avaliar se existem implicações para o município de Odemira”.
“Designadamente quanto a contratos, procedimentos administrativos, relações institucionais ou outras matérias que justifiquem esclarecimentos perante o executivo municipal e os munícipes”, acrescentou. Questionado sobre o caso, Luís Neves esclareceu que durante mais de 70% do período em que a empresa trabalhou para a PJ, ainda não conhecia o empreiteiro, acrescentando que só o conheceu durante a inauguração de uma obra.
Relativamente à remodelação do imóvel particular, Luís Neves disse que começou por pedir uma opinião técnica ao amigo e acabou por contratá-lo para executar os trabalhos.
Afirmando estar de consciência tranquila, o governante garantiu não existir qualquer favorecimento no preço da empreitada e afirmou estar disponível para apresentar as faturas, registadas no e-faturas e declaradas à Autoridade Tributária, justificando que ainda não o fez por falta de oportunidade.
As obras abrangem, segundo explicou, “uma parede, uma casa de banho e um alpendre” onde foi instalado um tanque, devendo representar um custo entre “os 20 mil ou 30 mil euros”, a liquidar após a conclusão dos trabalhos.
Questionado se se arrepende da contratação, Luís Neves respondeu: “Sabendo o que sei hoje, naturalmente o percurso teria sido diferente, sem nunca renegar a amizade”.
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