BRANDS' ECO “O sucesso do turismo português não aconteceu por acaso”

  • Conteúdo Patrocinado
  • 13 Julho 2026

Pedro Machado, Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, defende que a estabilidade das políticas públicas e a diversificação da oferta explicam a competitividade do país.

O futuro do turismo será decidido pela capacidade de adaptação à inteligência artificial, pela resposta às alterações climáticas, pela utilização de dados para apoiar decisões e por uma cooperação cada vez mais estreita entre entidades públicas e privadas. Foi esta a visão apresentada pelo secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços, Pedro Machado, no encerramento da conferência “Portas da Cidade – O Futuro do Turismo Inteligente e Sustentável”, onde traçou um retrato do momento que o setor atravessa e dos desafios que considera decisivos para manter Portugal entre os destinos turísticos mais competitivos do mundo.

Escolha o ECO como fonte preferida no Google

Escolher
Pedro Machado, Secretário de Estado do Turismo, Comércio e Serviços

O grande tema das conferências internacionais passa hoje por quatro grandes pilares: as alterações climáticas e a mitigação dos seus impactos, a inteligência artificial e a transformação digital, a cooperação entre entidades e os dados para apoiar a tomada de decisão. São estes os temas que dominam hoje a agenda internacional do turismo e que vão determinar o futuro do setor”, afirmou.

Para Pedro Machado, Portugal chega a esta nova fase numa posição particularmente favorável. O governante recordou que o país é hoje reconhecido internacionalmente como um caso de sucesso e sustentou que esse reconhecimento resulta de uma estratégia consistente construída ao longo de quase duas décadas, independentemente dos diferentes ciclos políticos. “Portugal é hoje reconhecido como um caso de sucesso. Os dados demonstram-no. Entre janeiro e maio deste ano registámos um crescimento das receitas de 5,5%. Depois dos 29,4 mil milhões de euros alcançados em 2025, tudo indica que em 2026 ultrapassaremos a barreira dos 30 mil milhões de euros em receitas diretas e indiretas da atividade turística”.

O secretário de Estado considera que este percurso não aconteceu por acaso. Na sua perspetiva, uma das maiores vantagens competitivas do turismo português foi precisamente a estabilidade das políticas públicas.

“Em 2006 Portugal apresentou uma estratégia para o turismo que apontava metas para 2015. Depois surgiu a Estratégia Turismo 2027 e neste momento já estamos a preparar a Estratégia 2035. Esta previsibilidade, esta consistência e esta capacidade de alimentar a marca Portugal foram absolutamente determinantes para chegarmos onde estamos”.

Consolidar o posicionamento internacional do país

Essa continuidade permitiu, segundo o governante, consolidar o posicionamento internacional do país. Portugal ocupa atualmente o 12.º lugar no ranking mundial de competitividade turística e o objetivo passa por integrar o grupo dos dez destinos mais competitivos. Mas se existe um fator que, na visão do secretário de Estado, explica igualmente a evolução do turismo português é a profunda transformação da própria oferta. Durante muitos anos, Portugal promoveu-se essencialmente através dos produtos sol e praia e golfe. Hoje, a realidade é substancialmente diferente. “Portugal tinha há duas décadas 10 produtos turísticos estruturados. Hoje, oferece 22. O ecoturismo, o enoturismo, o turismo industrial, o turismo religioso e muitos outros produtos permitiram responder a uma procura muito mais diversificada e exigente”.

Na opinião de Pedro Machado, esta diversificação não resultou apenas de uma decisão política. Foi também consequência da evolução dos próprios mercados. “Se, em alguns casos, a oferta demorou a responder, a procura exigiu essa mudança. Os mercados começaram a pedir experiências diferentes e Portugal soube adaptar-se”.

“Portugal tinha há duas décadas 10 produtos turísticos estruturados. Hoje, oferece 22”

Essa adaptação foi acompanhada por um forte investimento na regeneração urbana e na qualificação dos territórios, um processo que o secretário de Estado considera determinante para a competitividade alcançada pelo país. “Estar hoje no Porto não tem nada a ver com aquilo que era a cidade há 15 ou 20 anos. O investimento realizado nas cidades, nas vilas e nos territórios transformou profundamente a experiência de quem aqui vive. E quando qualificamos uma cidade para os seus residentes, estamos naturalmente a qualificá-la também para quem a visita”.

O governante sublinhou que esta transformação foi possível graças aos sucessivos quadros comunitários de apoio, que permitiram modernizar infraestruturas, melhorar a mobilidade, reforçar a conectividade e criar condições para uma oferta turística mais competitiva.

Ao longo da intervenção, Pedro Machado procurou também desmontar algumas ideias que considera erradas sobre o turismo, classificando-as como “mitos urbanos”. “O excesso de turismo é muitas vezes um mito urbano. Tal como a ideia de que determinados territórios estão condenados a não beneficiar da atividade turística. O turismo impacta diretamente 49 atividades económicas e constitui hoje um dos maiores motores de desenvolvimento económico do país”.

Preparar o setor para uma nova realidade

Para o secretário de Estado, os desafios atuais já não passam por discutir se Portugal deve ou não crescer em turismo, mas sim por preparar o setor para uma nova realidade tecnológica e ambiental. E destacou as alterações climáticas como uma das prioridades da agenda internacional, mencionando o lançamento recente do programa nacional dos Refúgios Climáticos, destinado a apoiar municípios na adaptação dos espaços públicos às novas condições climáticas.

Ao mesmo tempo, defendeu que a inteligência artificial será inevitavelmente um dos principais fatores de transformação da atividade turística. “A inteligência artificial já está presente nos canais de distribuição, nas plataformas digitais e nos modelos de negócio. O risco não é a inteligência artificial. O risco é ficar fora dela”.

“A inteligência artificial já está presente nos canais de distribuição, nas plataformas digitais e nos modelos de negócio. O risco não é a inteligência artificial. O risco é ficar fora dela”

Apesar da crescente digitalização do setor, Pedro Machado acredita que a tecnologia não substituirá aquilo que distingue verdadeiramente Portugal enquanto destino. “Quanto mais inteligência artificial tivermos, mais inteligência emocional teremos de colocar. É precisamente aí que reside uma das maiores vantagens competitivas do nosso país: nas pessoas, na hospitalidade e no talento”.

Outro dos desafios identificados passa pela melhoria das infraestruturas de mobilidade e conectividade. O secretário de Estado considerou que Portugal deu passos importantes na resolução das limitações aeroportuárias, mas defendeu que o esforço deve prosseguir, abrangendo igualmente a ferrovia e a mobilidade dentro das cidades. “A conectividade não é apenas aeroportuária. É também ferroviária e urbana. Precisamos de garantir que a mobilidade acompanha o crescimento da procura turística”.

Pedro Machado acredita igualmente que a próxima fase de desenvolvimento do turismo passará por experiências cada vez mais personalizadas e por uma valorização crescente dos territórios de baixa densidade. “O mercado procura hoje hotéis mais pequenos, experiências mais personalizadas e uma relação mais próxima com os territórios e com quem os recebe. Essa hiperpersonalização será uma das grandes tendências dos próximos anos”.

Na sua intervenção, defendeu que Portugal deve abandonar definitivamente a visão tradicional que opõe litoral e interior. “O país não precisa de criar agendas para o interior. Precisa de redefinir a sua estratégia nacional. Temos de deixar de olhar para estes territórios como espaços periféricos. Algumas das maiores oportunidades de crescimento do turismo estão precisamente nas regiões de baixa densidade”.

O secretário de Estado destacou ainda o potencial de cooperação entre Portugal e Espanha, defendendo que a Península Ibérica constitui atualmente uma das maiores plataformas turísticas do mundo. “Portugal e Espanha formam hoje uma das maiores plataformas turísticas internacionais. Temos muito mais a ganhar trabalhando em conjunto do que isoladamente”.

A terminar, Pedro Machado voltou a insistir que o sucesso futuro dependerá da capacidade de preservar aquilo que considera ser a maior vantagem competitiva do país. “Podemos investir em tecnologia, em inteligência artificial, em infraestruturas e em inovação. Mas aquilo que continuará a distinguir Portugal será sempre o talento das pessoas e a forma como sabemos receber quem nos visita”.

Assine o ECO Premium

No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.

De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.

Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})

“O sucesso do turismo português não aconteceu por acaso”

Respostas a {{ screenParentAuthor }} ({{ totalReplies }})

{{ noCommentsLabel }}

Ainda ninguém comentou este artigo.

Promova a discussão dando a sua opinião