Quando preocupar-se com um sinal: o “E” para a evolução da regra ABCDE pode ser a chave para detetar melanoma precoce

  • Servimedia
  • 12 Julho 2026

O Hospital Universitário Rey Juan Carlos em Madrid organizou uma conferência de sensibilização por ocasião do Dia Mundial do Cancro da Pele.

A partir do seu Health Corner e com a participação do Serviço de Dermatologia do centro, promoveu ações de fotoproteção e a promoção de hábitos saudáveis.

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Com base nesta iniciativa, os especialistas do centro lembram a população da importância de proteger adequadamente a pele do sol, conhecê-la e verificá-la periodicamente para identificar quaisquer alterações que possam constituir um sinal de alarme. “A pele é o maior órgão do nosso corpo e, felizmente, também um dos mais acessíveis para exploração”, explicou o Dr. Francisco Javier Vicente, chefe do Serviço de Dermatologia do hospital Móstole. Verificar periodicamente sinais e outras lesões cutâneas permite-lhe detetar alterações que possam ser o primeiro sinal de cancro da pele e consultar um especialista precocemente.

Esta deteção precoce é especialmente importante no melanoma, o tipo mais agressivo de cancro da pele. “Quando é diagnosticada nas fases iniciais e a lesão ainda é superficial, as hipóteses de cura são muito elevadas e, em muitos casos, o tratamento consiste apenas numa intervenção cirúrgica simples”, diz a Dra. Araceli Sánchez, chefe associada do serviço referido.

O diagnóstico precoce é também essencial noutros tumores cutâneos comuns, como o carcinoma basocelular e o carcinoma escamoso, pois permite evitar cirurgias mais extensas, possíveis sequelas estéticas e complicações locais.

O principal sinal de alerta num sinal de infiltração é a mudança. Para ajudar a identificar características suspeitas, os dermatologistas recomendam seguir a conhecida regra ABCDE: “A” para assimetria, quando metade da pinta é diferente da outra; “B” com arestas irregulares ou mal definidas; “C” de cor, na presença de vários tons; “D” de diâmetro, especialmente em lesões superiores a seis milímetros que cresceram; e “E” para evolução. “Atualmente, muitos dermatologistas consideram o ‘E’ para evolução o critério mais importante. Uma pinta que foi modificada em comparação com o que era anteriormente merece ser avaliada por um especialista”, diz o Dr. Vicente.

Também é aconselhável consultar em caso de uma lesão que comicha de forma persistente, sangramento sem razão aparente, crostas repetidas, ulcerações ou que não cicatrize. Outro sinal de alerta é o chamado sinal do “patinho feio”, ou seja, o aparecimento de uma nova lesão que parece muito diferente do resto das pintas da pessoa.

Como recomendação geral, os especialistas aconselham uma autoavaliação completa da pele a cada um ou dois meses, sem esquecer áreas menos visíveis como o couro cabeludo, costas, solas dos pés ou região genital, e recorrer, quando necessário, a espelhos ou à ajuda de outra pessoa.

As consultas dermatológicas regulares são especialmente importantes para pessoas com histórico pessoal ou familiar de melanoma ou outros cancros de pele; numerosos sinais, especialmente se forem atípicos; pele clara e tendência a queimar facilmente; um historial de queimaduras solares graves, especialmente durante a infância ou adolescência; imunossupressão, ou exposição solar intensa e acumulada, como ocorre em alguns trabalhadores ao ar livre. Nestes casos, a frequência dos controlos deve ser individualizada de acordo com o risco de cada paciente.

TECNOLOGIA

O Serviço de Dermatologia do hospital Mostole dispõe de ferramentas que melhoram a deteção precoce de lesões suspeitas. Entre elas está a dermoscopia, um exame não invasivo que permite visualizar estruturas cutâneas impercetíveis a olho nu e aumenta a precisão do diagnóstico. Além disso, o serviço dispõe de um programa de teledermatologia que facilita a avaliação e monitorização de certas lesões, enviando imagens antecipadamente.

Em pacientes com múltiplos sinais ou risco elevado de melanoma, o acompanhamento pode ser realizado com fotografia corporal total e sistemas de dermoscopia digital. “Estas técnicas permitem comparar imagens obtidas em diferentes momentos e detetar alterações mínimas que poderiam passar despercebidas num exame convencional”, explica o Dr. Sánchez.

Da mesma forma, a monitorização digital ajuda a identificar lesões que evoluem de forma suspeita e a evitar a remoção desnecessária de sinais benignos. Quando uma lesão levanta dúvidas diagnósticas, a sua remoção e o subsequente estudo patológico continuam a ser o método definitivo para confirmar o diagnóstico.

Entre os erros mais frequentes estão expor-se ao sol a meio do dia, usar protetor solar apenas na praia ou na piscina, aplicar uma quantidade insuficiente ou não renová-lo após o banho, suar ou passar o tempo. Também é comum pensar que as nuvens eliminam o risco ou que a pele bronzeada já está protegida. “Os danos solares são cumulativos e grande parte dos seus efeitos surgem anos após a exposição”, alerta o Dr. Vicente. Para além de causar queimaduras de curta duração, promove o envelhecimento prematuro da pele e aumenta o risco de cancro de pele.

Para proteção adequada, recomenda-se o uso de protetor solar de amplo espectro contra radiações UVA e UVB, com FPS 50 ou superior em pessoas de pele clara, crianças, pacientes com historial de cancro da pele ou durante exposições intensas. Deve ser aplicado entre 20 e 30 minutos antes da exposição, em quantidade suficiente, aproximadamente 30 mililitros para todo o corpo de um adulto, e renovado a cada duas horas e após banho ou suor intenso. “O importante é escolher um bom protetor solar, usá-lo corretamente e fazê-lo de forma consistente”, enfatiza a Dra. Sánchez.

O protetor solar faz parte da estratégia de proteção. Os dermatologistas recomendam evitar exposição entre as 12 e as 17 horas, procurar sombra, usar chapéu, óculos com filtro ultravioleta e vestuário protetor, manter uma hidratação adequada e reduzir a atividade física nas horas mais quentes. “A melhor fotoproteção é a combinação de todas estas medidas”, insiste o chefe do Serviço de Dermatologia.

A prevenção deve ser extrema nos grupos mais vulneráveis. Crianças com menos de seis meses não devem ser expostas diretamente ao sol e, durante a infância, é especialmente importante evitar queimaduras solares, pois aumentam o risco de melanoma mais tarde na vida. As pessoas mais velhas devem hidratar-se frequentemente, evitar calor intenso e estar atentos a novas lesões, feridas que não cicatrizam ou crostas persistentes.

Pacientes imunocomprometidos, pessoas com historial de cancro da pele, trabalhadores ao ar livre, pessoas que tomam medicamentos fotosensibilizantes e pacientes com doenças de pele agravadas pelo sol também necessitam de atenção especial. “O melhor tratamento para o cancro da pele continua a ser a prevenção e a deteção precoce. Conhecer a nossa pele, protegê-la devidamente do sol e consultar em caso de alterações suspeitas são hábitos simples que podem fazer uma grande diferença”, conclui o Dr. Sánchez.

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