Mais habitantes, mas com maior peso dos idosos: Portugal agrava desequilíbrio demográfico

  • Joana Abrantes Gomes
  • 11 Julho 2026

População idosa em Portugal cresce cinco vezes mais depressa do que a população ativa, num rácio de apenas 2,76 ativos por cada idoso. País é o terceiro mais envelhecido da UE.

ECO Fast
  • A população portuguesa atingiu 11,4 milhões em 2025, com um crescimento contínuo de sete anos, mas enfrenta um envelhecimento acentuado.
  • Uma análise da Pordata revela que a população idosa cresce a um ritmo cinco vezes superior ao da população ativa, com apenas 2,76 ativos por idoso.
  • A diminuição da taxa de natalidade e o aumento da imigração contribuem para um cenário demográfico preocupante, com apenas 25% dos agregados familiares a incluir crianças.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

Portugal continua a ganhar habitantes — são já 11,4 milhões de habitantes contabilizados pelo Instituto Nacional de Estatística — mas não consegue travar o envelhecimento. A população idosa cresce a um ritmo cerca de cinco vezes superior ao da população em idade ativa e o país consolidou-se como o terceiro mais envelhecido da União Europeia, com 182 idosos por cada 100 jovens.

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Estes dados — publicados no Dia da População, que se assinala este sábado, 11 de julho — resultam de uma análise da Pordata, a plataforma estatística da Fundação Francisco Manuel dos Santos (FFMS), à fotografia demográfica do país recentemente divulgada pelo INE, que pela primeira vez recorreu a dados de base totalmente administrativa para a elaboração das estimativas populacionais.

No ano passado, Portugal contava com 7.346.647 pessoas em idade ativa e 2.665.777 pessoas com 65 ou mais anos, o que se traduz num rácio de apenas 2,76 pessoas em idade ativa por cada idoso. Em comparação com 2024, a população ativa nacional cresceu 0,3%, enquanto a população idosa cresceu 1,6%.

A nível regional, o pior rácio do país, com apenas 2,24 pessoas em idade ativa por cada idoso, encontra-se na região Centro, seguindo-se o Alentejo, cuja população ativa teve um decréscimo de 0,4% face a 2024, registando 2,38 pessoas em idade ativa por cada idoso.

A Península de Setúbal e a Grande Lisboa destacam-se como as regiões com maior capacidade de atração populacional. Desde 2015, o total de habitantes cresceu 19,1% e 18,3%, respetivamente. Este crescimento deve-se, sobretudo, ao aumento da população em idade ativa (entre os 15 e os 64 anos): de 23% na Grande Lisboa e de 21,6% na Península de Setúbal.

Aliás, de acordo com a análise da Pordata, a Grande Lisboa foi uma das duas regiões do país onde o crescimento da população ativa conseguiu superar o da população idosa — que, em relação a 2015, aumentou 18,3%. A outra foi o Alentejo, onde os ativos cresceram 7% e os idosos 6,3% face há uma década.

Em 2025, Portugal contabilizou 7.346.647 pessoas em idade ativa e 2.665.777 pessoas com 65 ou mais anos, o que se traduz num rácio de apenas 2,76 pessoas em idade ativa por cada idoso. Face a 2024, a população ativa nacional cresceu 0,3%, enquanto a população idosa cresceu 1,6%, ou seja, o número de idosos está a aumentar a um ritmo cerca de cinco vezes superior ao da população ativa.

Já no Norte, que concentra cerca de 3,8 milhões de habitantes e é a região mais populosa do país, a população em idade ativa praticamente estagnou, tendo crescido apenas 0,03% face a 2024 e somente 0,7% desde há dez anos. Ao mesmo tempo, a sua população idosa disparou 31% comparativamente a 2015.

O cenário é ainda pior nas ilhas. Enquanto nos Açores a população em idade ativa contraiu 8,7% desde 2015, registando a maior queda do país, e a população idosa aumentou 26%, na Madeira, a força de trabalho encolheu 3% nos últimos dez anos, com o número de idosos a subir 31,2% no mesmo período.

Portugal tem 182 idosos por cada 100 jovens

Sem exceção, entre o início de 2001 e o início de 2025, houve uma diminuição da proporção de crianças e jovens até aos 15 anos e, simultaneamente, um aumento da proporção de idosos em todos os Estados-membros da UE. A população em idade ativa, face ao total, também decresceu em quase todos os países, salvo no Luxemburgo, no Chipre e em Malta.

Em Portugal, no mesmo período, a proporção de crianças e jovens até aos 15 anos caiu de 16,3% para 12,6% (menos 3,7 pontos percentuais) e a proporção de idosos aumentou de 16,3% para 23% (mais 6,7 pontos percentuais). A população em idade ativa, face ao total, passou de 67,4% para 64,5%.

São valores que colocam Portugal no pódio dos países mais envelhecidos da União Europeia, em terceiro lugar, com 182 idosos por cada 100 jovens. Itália lidera, com 208 idosos por cada 100 jovens, enquanto a Irlanda é o país menos envelhecido, com 85 idosos por cada 100 jovens.

A nação lusa também compara mal com os seus pares europeus no que diz respeito à escolarização da população em idade ativa. Quatro em cada dez pessoas entre os 15 e os 64 anos não têm o ensino secundário em Portugal, o que o torna o segundo Estado-membro da UE com menor escolarização deste segmento populacional, apenas à frente dos vizinhos espanhóis. Já na Polónia e na Lituânia, apenas uma em cada dez pessoas nesta faixa etária não concluiu o secundário.

Se se tiver em conta apenas a faixa etária dos 25 aos 34 anos, Portugal já revela uma escolarização alinhada com a média comunitária: 42,5% dos jovens nestas idades já têm o Ensino Superior, ligeiramente abaixo dos 44,8% do conjunto da UE. A Irlanda volta a destacar-se neste campo, com dois em cada três jovens deste grupo etário (66,8%) a terem formação universitária.

Por outro lado, Portugal surge no 10.º lugar entre os países da UE com maior proporção de população estrangeira. Os dados do INE divulgados em junho dão conta de que já há mais de 1,5 milhões de imigrantes a viver em território nacional, o equivalente a 13,5% do total de residentes, acima da média europeia (10%). Portugal está ligeiramente abaixo de Espanha (14,1%), mas supera França (9,4%), Grécia (9,7%) e Itália (7,1%).

Fonte: Pordata

Mas o crescimento da população residente em Portugal deve-se, além da maior imigração, ao aumento da esperança média de vida à nascença, atualmente nos 82,5 anos. Aqui, Portugal ocupa a 9.ª posição entre os 27 Estados do espaço comunitário, à frente de países como a Bélgica (82,4) e atrás da Irlanda (83,1). Espanha apresenta a maior esperança média de vida à nascença (84 anos), seguida de perto pela Suécia (83,8) e a Itália (83,7).

Apenas um quarto dos agregados em Portugal tem crianças

Outro aspeto relevante da análise da Pordata diz respeito ao tipo de agregados familiares. Portugal registava, em 2025, 4,6 milhões de agregados familiares para 11,4 milhões de residentes, mais 11,6% do que há uma década. Contudo, este aumento resulta da subida de 33% no número de pessoas a viverem sozinhas: atualmente, cerca de 1,18 milhões vivem sozinhas, mais 293 mil em comparação com 2015.

Entre os idosos, um em cada quatro vive sozinho. No caso das mulheres acima dos 65 anos, a proporção sobe para uma em cada três, ao passo que entre os homens, a proporção é de um em cada seis. Na população adulta dos 18 aos 64 anos, apenas 8% das pessoas vivem sozinhas (7% nas mulheres e 10% nos homens).

Na União Europeia, os seus 450 milhões de residentes viviam em 203 milhões de agregados familiares, o que representa um aumento de quase 10% no número de agregados entre 2015 e 2025. Tal como no cenário a nível nacional, isto resulta, sobretudo, de um crescimento no número de pessoas a viverem sozinhas, que a nível europeu foi de 19%, equivalente a mais 12 milhões de agregados unipessoais.

Em dez anos, a proporção de famílias sem crianças no conjunto dos 27 Estados-membros aumentou 2,6 pontos percentuais, sendo que, em Portugal, apenas 25,1% dos agregados têm crianças, menos 5,7 pontos percentuais do que em 2015. A Eslováquia é o país da UE com maior percentagem de famílias com crianças (35,4%).

O relatório da Pordata assinala, neste quadro, que o número de nascimentos em Portugal se tem mantido abaixo dos 500 mil desde a primeira metade da década de 2010. De 2021 a 2025, três em cada cinco bebés nascidos tinham pais não casados, sendo que os nados-vivos registados no país nesses cinco anos pós-pandemia foram 2,5% inferiores aos registados no quinquénio anterior (2015-2019).

Estes números seriam mais alarmantes sem os bebés de mães estrangeiras, já que, segundo a análise da base estatística da FFMS, a quebra dos nascimentos no período pós-pandemia teria atingido, nesse caso, os 15,1%. O peso destes nascimentos passou de 10% para 21,6% entre os períodos pré e pós-pandemia de Covid-19, uma diferença de 11,6 pontos percentuais num período de dez anos.

A Península de Setúbal (8%), Oeste e Vale do Tejo (4,7%) e o Algarve (0,8%) foram as únicas regiões com um aumento dos nascimentos. Mas, em qualquer uma delas, teria havido uma quebra do número de bebés nascidos sem o contributo das mães estrangeiras: -14% em Setúbal, -11% no Oeste e Vale do Tejo e -17% no Algarve.

Sem surpresa, isto resulta num nível de fecundidade abaixo do limiar de renovação de gerações. Em 2024, a expectativa de número de filhos por mulher era, aos 15 anos, de 1,4. Este indicador mantém-se acima de 1 até aos 28 anos, mas reduz rapidamente e cai para os 0,4 a partir dos 35 anos. Estima-se que seis em cada dez mulheres com idades entre os 35 e os 49 anos não venham a ter mais filhos.

Fonte: Eurostat e cálculos Pordata

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