Marinha usa IA Amália e investe cerca de um milhão em Marinheiro de Silício

O modelo, criado em parceria com a NOVA FCT tendo por base o LLM Amália, funciona apenas em "infraestruturas controladas pela Marinha".

A Marinha Portuguesa está a apostar na inteligência artificial (IA) para se dotar de capacidades de transformar grandes volumes de informação em conteúdo útil, com ganhos de soberania digital. Com base no grande modelo de linguagem (LLM) Amália, o ramo investiu cerca de um milhão de euros para criar o Marinheiro de Silício. O modelo funciona apenas em “infraestruturas controladas pela Marinha”.

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“A Marinha produz e utiliza diariamente grandes volumes de informação técnica, operacional, logística, administrativa e científica. Neste contexto, tornou-se evidente a necessidade de dotar a organização de ferramentas que permitam transformar essa informação em conhecimento útil, apoiando a tomada de decisão, aumentando a produtividade e reduzindo o tempo necessário para localizar, analisar e produzir informação”, começa por explicar porta-voz da Marinha ao ECO/eRadar, quando questionado sobre o que tinha motivado o projeto de IA.

“O projeto surge igualmente da necessidade de desenvolver capacidades nacionais e soberanas no domínio da inteligência artificial, privilegiando uma abordagem assente em modelos de linguagem de fonte aberta, como é o caso do Amália, executados em ambiente seguro e controlado, reduzindo a dependência de serviços externos e reforçando a proteção da informação”, refere.

Desenvolvido em parceria entre a Marinha Portuguesa e a NOVA FCT (um dos elementos do consórcio envolvido no LLM português), o Marinheiro de Silício foi financiado pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR) através da ARTE -Agência para a Reforma Tecnológica do Estado, tendo exigido um investimento de 740 mil euros, valor a que acresce o IVA, ou seja, 910 mil euros, “enquadrando-se nas iniciativas destinadas a acelerar a adoção de tecnologias digitais e a reforçar as capacidades nacionais de inovação”.

“Este financiamento tem permitido criar uma infraestrutura tecnológica moderna, desenvolver componentes de inteligência artificial e estabelecer parceria com a NOVA FCT, contribuindo simultaneamente para o reforço da soberania tecnológica e da capacidade de inovação nacional”, destaca o porta-voz da Marinha Portuguesa.

Segurança na base do projeto

O Marinheiro de Silício não constitui “uma base de dados pública nem disponibiliza indiscriminadamente informação”, frisa o porta-voz do ramo da Armada quando questionado sobre para que público o projeto se dirige e quem tem acesso ao mesmo.

“Trata-se de uma plataforma de inteligência artificial que disponibiliza a cada utilizador interno apenas a informação para a qual já possui autorização de acesso, respeitando integralmente os mecanismos existentes de autenticação, autorização e controlo de permissões”, detalha.

“A solução poderá apoiar diferentes perfis de utilizadores da Marinha em tarefas como pesquisa semântica, síntese documental, apoio à elaboração de documentos, análise de informação e resposta a questões sobre conteúdos existentes nos repositórios autorizados“, refere.

Ao contrário de soluções comerciais disponibilizadas através da Internet, o Marinheiro de Silício foi concebido para funcionar em infraestruturas controladas pela Marinha, permitindo que a informação permaneça em ambientes segregados e sujeitos às políticas de segurança aplicáveis.

Porta-voz

Marinha Portuguesa

“Uma vez concluído o projeto, a plataforma poderá igualmente ser disponibilizada para instalação noutras entidades da Administração Pública que pretendam adotar uma solução desta natureza, desde que disponham da infraestrutura tecnológica e da capacidade de processamento necessárias à sua operação, permitindo assim potenciar a reutilização de uma capacidade desenvolvida em Portugal“, diz ainda.

Mas tratando-se de um projeto que lida com informação de um ramo das Forças Armadas que cuidados de segurança adicionais foram implementados para garantir que não há informações críticas a serem partilhadas, questionamos.

“A segurança constitui um requisito estruturante do projeto desde a sua conceção”, garante o porta-voz. “Ao contrário de soluções comerciais disponibilizadas através da Internet, o Marinheiro de Silício foi concebido para funcionar em infraestruturas controladas pela Marinha, permitindo que a informação permaneça em ambientes segregados e sujeitos às políticas de segurança aplicáveis”, explica.

Mais, a arquitetura do Marinheiro de Silício “privilegia modelos de linguagem de fonte aberta executados localmente, evitando que informação institucional seja enviada para plataformas externas”, sendo paralelamente, “aplicados mecanismos de autenticação forte, controlo de acessos, segregação da informação, registo de auditoria e monitorização contínua”.

A plataforma não altera as regras de classificação nem de acesso à informação. Cada utilizador apenas pode consultar informação para a qual já possui credenciais e autorização, mantendo-se integralmente os princípios da necessidade de conhecer e da proteção da informação sensível.

Porta-voz

Marinha Portuguesa

“A plataforma não altera as regras de classificação nem de acesso à informação. Cada utilizador apenas pode consultar informação para a qual já possui credenciais e autorização, mantendo-se integralmente os princípios da necessidade de conhecer e da proteção da informação sensível”, reforça o porta-voz da Marinha Portuguesa.

O projeto está numa “fase de evolução contínua, acompanhando a maturidade das tecnologias de inteligência artificial e as necessidades da Marinha”, refere.

Próximos passos

“Os próximos passos passam pela consolidação das capacidades desenvolvidas e pela integração gradual de novas funcionalidades que acrescentem valor operacional, sempre em conformidade com os requisitos de segurança e soberania digital”, diz ainda.

A evolução da plataforma poderá implicar “investimentos adicionais”, admite o porta-voz da Marinha Portuguesa, que serão avaliados “em função das prioridades da Marinha, da evolução tecnológica e das oportunidades de financiamento disponíveis”.

Até agora a Marinha Portuguesa terá sido o único ramo das Forças Armadas a integrar o Amália. “A Força Aérea ainda não tem integrado o LLM Amália nos nossos sistemas. Acompanhamos com interesse a evolução este tipo de tecnologias, avaliando continuamente soluções que possam contribuir para o cumprimento da nossa missão, mas, neste momento, não existe qualquer integração dessa plataforma”, diz porta-voz da Força Aérea Portuguesa.

Até ao fecho deste artigo não foi possível obter uma resposta do Exército Português sobre a eventual integração do LLM nos sistemas do ramo.

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