António Eça: “Se não formos ambiciosos, não estamos aqui a fazer nada”

  • ECO
  • 6 Julho 2026

Ainda sem saber o que significava fazer um negócio, António Eça sempre teve o "gosto pela troca" e colocou-o em prática desde muito novo. Hoje é fundador e CEO da Importrust e partilha o seu percurso.

António Eça, fundador e CEO da Importrust, é o 85º convidado do podcast “E Se Corre Bem?”. A paixão por fazer negócio surgiu quando ainda era muito novo e decidiu pintar pregos para vender na praia, com a mãe. Este “bichinho”, como lhe chama, acabou por ir crescendo na sua vida e, hoje, tem o seu próprio negócio de importação de carros.

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Eu acho que isto do mundo dos negócios nasceu comigo. Desde pequenino, pintava uns pregos para vender na praia. A minha mãe ajudava-me e eu, com cinco ou seis anos, montava uma banquinha com uma toalha à porta da praia. Sempre gostei de me pôr em situações desconfortáveis com pessoas que eu não conhecia e sempre tive aqui um gosto pela troca. E acho que esse bichinho foi crescendo”, começou por dizer.

Acabou por se formar na Universidade Lusíada, onde tirou o curso de gestão de empresas, mas confessa que, pelo facto de não ter conseguido entrar nem na Universidade Católica nem na Universidade Nova, sentia que tinha de se esforçar um bocadinho mais: “Na altura, o currículo ainda era muito baseado na Católica e na Nova, era aquele carimbo que passava à frente. Mas eu percebi que, cada vez mais, também andavam a valorizar a experiência profissional prévia até ao primeiro trabalho. Por isso, fiz um estágio no Deutsche Bank”.

Neste estágio, a sua função era colocar extratos bancários dentro de envelopes, algo que fazia “de uma forma muito eficiente” e lhe permitia estudar enquanto trabalhava, já que apenas tinha de se levantar da cadeira quando a envelopadora encravava. “Estava lá a ganhar algum dinheiro e a ganhar um bocado de currículo. Mas depois fui para a Brisa, mais especificamente para a Via Verde, para ajudar a montar um género de uma plataforma de venda de carros. E ainda fiz um estágio na EY, durante o verão, em Advisory“, contou.

Estas três empresas foram, para António Eça, “ótimas escolas”: “Foram três empresas com uma grande estrutura. E é engraçado porque eu agora, estando numa startup, sinto muito essa falta de estrutura e de cerimónia, no sentido de não ser muito hierárquico na startup. Eu sofri um bocado com isso na Importrust porque eu estava no meio das vendas, com toda a gente, e depois, para tomar decisões mais sérias, era mais difícil“.

Apesar da dificuldade que estar tão envolvido em todo o processo lhe traz, António Eça considera que isso acaba por ser uma consequência direta da forma como a Importrust foi criada: “Dois dos meus sócios, o Pedro e o Afonso, lembraram-se de ir buscar uns carros à Alemanha para vender em Portugal. Então, trouxeram os carros para Portugal, mas não estavam a conseguir vender. E foi aí que falaram comigo para ver se eu conseguia vender. A verdade é que eu consegui vender rápido e achamos, os três, que podíamos fazer disto negócio. Foi aí que começou”.

O facto de ter começado logo nas vendas e na parte mais operacional, fez com que ganhasse um conhecimento e uma capacidade de resolução de problemas que, ainda hoje, gosta de colocar em prática, até para dar o exemplo. “Eu gosto de estar no meio dos vendedores. Gosto de ir ter com um vendedor e pedir para falar eu com o cliente para tentar vender o carro. Eu sempre tentei liderar pelo exemplo. Acho que fui ganhando o respeito das pessoas por isso. Sou alguém que não tem medo de fazer o mesmo trabalho que qualquer pessoa“, disse.

Quando começaram, ainda a conciliar este negócio com os seus trabalhos a tempo inteiro, os três sócios dedicavam-se a funções diferentes: “Eu era mais o operacional da empresa, o Pedro era do marketing e finanças, e o Afonso estava na parte mais estratégica. Como eu era mais operacional, para mim foi uma surpresa perceber que nos estavam a chegar clientes de fora. Tínhamos um site, mas não investíamos em publicidade. E, mesmo assim, começaram a aparecer clientes. Nós começamos a satisfazer as suas necessidades e isto teve aqui um efeito de ´cliente chama cliente´. É engraçado porque nunca tivemos de meter dinheiro nosso na empresa”.

Ainda assim, confessa que a empresa só se tornou “mais profissional” quando terminou o seu mestrado e se dedicou ao negócio a full-time. “Aí começou a crescer mais rápido. Consegui também puxar os meus sócios a saírem do que eles estavam a fazer para virem para a Importrust a tempo inteiro, e consegui. A partir daí, nós começamos a perceber o potencial que a empresa tinha e tivemos de começar a tomar algumas decisões mais estratégicas, mais estruturais“, referiu.

Atualmente, vendem 250 carros por mês e faturam 10 milhões de euros por ano. Em cinco anos, contam com uma equipa de 50 pessoas, 25 das quais são vendedores. Para António Eça, este crescimento deve-se, sobretudo, à confiança que conseguiram criar junto dos clientes: “Antes havia muito um estigma de carros importados porque a viagem da Alemanha para Portugal era apagada e não sabíamos o que tinha acontecido ao carro – se tinham mudado quilómetros ou não. Mas nós ajudamos o cliente a ir diretamente à origem, por isso somos 100% transparentes, até porque nós não vendemos carros, nós vendemos o serviço de importar o carro. A diferença é essa”.

Para o futuro, o CEO espera que se tornem “o facilitador de compra de carros na Europa”. Ou seja, nós gostávamos de ser uma empresa europeia, presente em quase todos os países da Europa, e ajudar clientes. Se não formos ambiciosos, não estamos aqui a fazer nada. E nós temos a confiança, a equipa e a estrutura para isso. Daqui a cinco ou dez anos, o nosso grande objetivo é, por exemplo, estar a ajudar um cliente da Bulgária a comprar um carro da Roménia“, concluiu.

Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan e da Scalpers.

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