Onda de calor. Saiba quais as recomendações da DGS
Portugal vai ser atingido por uma onda de calor que poderá durar até 10 dias e abranger quase todo o país. Conheça as recomendações da Direção-Geral da Saúde para reduzir os riscos e proteger a saúde.
Com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) a estimar que as temperaturas elevadas registadas em Portugal devem dar lugar a uma onda de calor, que vai atingir quase todo o país, é importante saber como lidar com uma onda de calor extremo. Conheça então as 11 recomendações da Direção-Geral da Saúde (DGS).
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Grande parte da Europa tem sofrido com uma onda de calor que já provocou mais de 1.300 mortes desde 21 de junho, com vários países da Europa Central e Oriental a enfrentarem temperaturas recorde, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS). Apesar de ter escapado na passada semana, Portugal não será exceção nos próximos oito a dez dias.
O serviço central do Ministério da Saúde considera que Portugal “é um dos países europeus mais vulneráveis às alterações climáticas, com o aumento das temperaturas médias, fenómenos extremos mais frequentes e intensos e uma população envelhecida”, particularmente ao calor extremo e aos riscos para a saúde associados.
A exposição prolongada a temperaturas elevadas, sobretudo durante ondas de calor, pode provocar problemas de saúde graves e exigir assistência médica. Entre os principais riscos estão a desidratação grave, cãibras, agravamento de doenças crónicas, esgotamento devido ao calor, insolação e, nos casos mais extremos, a morte, elenca o Serviço Nacional de Saúde.
Quase 20 concelhos dos distritos de Bragança, Castelo Branco, Santarém, Portalegre e Faro enfrentam um perigo de incêndio máximo e todos os distritos do interior têm concelhos em perigo muito elevado. O IPMA avançou esta terça-feira que praticamente todos os distritos estão sob alerta laranja na sexta-feira por causa do nível elevado de calor.
Nesse sentido, a autoridade de saúde elaborou onze medidas de proteção para situações de calor extremo, com o objetivo de prevenir complicações potenciadas pela exposição às temperaturas elevadas que se registam e vão continuar a registar em Portugal. Estas são as “regras” a cumprir para evitar prejudicar a saúde:
- Beber pelo menos 1,5 litros de água (equivalente a 8 copos), mesmo quando não tem sede, evitando o consumo de bebidas alcoólicas e com cafeína;
- Procurar permanecer em ambientes frescos ou climatizados, com sombras e circulação de ar, pelo menos 2 a 3 horas por dia, e manter as janelas, persianas e estores fechados nos períodos de maior calor, ou em zonas com risco de poeiras dos incêndios;
- Evitar a exposição direta ao sol, principalmente entre as 11 e as 17 horas e utilizar protetor solar com fator igual ou superior a 30, renovando a sua aplicação de 2 em 2 horas e após os banhos na praia ou piscina;
- Utilizar roupas de cor clara, leves e largas, que cubram a maior parte do corpo, chapéu e óculos de sol com proteção ultravioleta;
- Evitar atividades no exterior que exijam grandes esforços físicos, nomeadamente, desportivas e de lazer;
- Escolher as horas de menor calor para viajar de carro, e não permanecer dentro de viaturas estacionadas e expostas ao sol;
- Dar atenção especial a grupos mais vulneráveis ao calor, tais como crianças, pessoas idosas, doentes crónicos, grávidas, trabalhadores com atividade no exterior;
- Assegurar que as crianças bebem água frequentemente e permanecem em ambientes frescos e arejados; as crianças com menos de 6 meses não devem estar sujeitas a exposição solar, direta ou indireta;
- Contactar e acompanhar os idosos e outras pessoas que vivam isoladas, assegurando a sua correta hidratação e permanência em ambientes frescos e arejados;
- Manter-se informado relativamente às condições climatéricas, para poder adotar os cuidados necessários;
- Em caso de emergência, e se apresentar sinais de alerta (tais como suores intensos, febre, vómitos/náuseas ou pulsação acelerada/fraca), contactar o SNS 24 através do número 808 24 24 24, ou ligar para número europeu de emergência 112.
DGS deixa também recomendações para empresas
A Direção-Geral da Saúde divulgou esta semana um guia com medidas para proteger os trabalhadores expostos a temperaturas elevadas, recomendando a implementação de planos de prevenção nas empresas, a adaptação da organização do trabalho e o reforço da hidratação para minimizar riscos como acidentes, desidratação e doenças relacionadas com o calor.
“As alterações climáticas têm originado ondas de calor mais frequentes, intensas e prolongadas em Portugal, que têm profundos impactos na Segurança e Saúde do Trabalho/Saúde Ocupacional (SST/SO)”, alertou a DGS.
A exposição dos trabalhadores a temperaturas elevadas “reduz a concentração, aumenta a probabilidade de acidentes e contribui para o aparecimento de lesões e doenças relacionadas com o calor”, de acordo com a autoridade.
A DGS considerou que os trabalhadores mais vulneráveis são os que exercem atividade ao ar livre, sobretudo sob exposição direta ao sol, como na construção, agricultura, silvicultura, pesca, recolha de resíduos e serviços de emergência. O risco estende-se também a quem trabalha em ambientes interiores com temperaturas elevadas, como estufas, fornos e fundições, ou em espaços com ventilação insuficiente ou sem sistemas de climatização.
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