Alemanha quer fabricar mísseis norte-americanos na Europa para acelerar rearmamento
A Alemanha quer fabricar mísseis dos Estados Unidos no seu território para acelerar o rearmamento europeu, reforçar a indústria de defesa e reduzir a dependência militar de Washington.
A Alemanha está a pressionar os Estados Unidos para que permitam a produção de armamento norte-americano em território alemão, numa tentativa de acelerar o rearmamento europeu, reforçar a capacidade industrial de defesa e manter Washington comprometido com a segurança do bloco europeu.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
As autoridades alemãs procuram alcançar um acordo com os seus homólogos americanos ainda antes da cimeira da NATO, que se realiza nos próximos dias 7 e 8 de julho em Ancara, na Turquia, segundo adiantaram pessoas familiarizadas com o assunto ao Financial Times.
De acordo com uma das fontes ouvidas pelo jornal britânico, as partes já estão a negociar “conceitos de produção conjunta” que reunissem as indústrias alemãs e norte-americanas, sendo que outra fonte referiu que os países incluíram nas conversações a coprodução de mísseis Tomahawk de longo alcance e os PAC-3, versão mais avançada dos mísseis utilizados pelos sistemas de defesa aérea Patriot, produzidos pela norte-americana Lockheed Martin.
O principal objetivo de Berlim é preencher as lacunas de dissuasão que Washington poderá deixar ao rever seu compromisso com a aliança militar. O aliado americano planeia reduzir significativamente o número de aeronaves e navios de guerra disponíveis para operações da NATO na Europa, visando a redução de cerca de um terço do número de caças.
O Ministério de Defesa da Alemanha afirmou que já existe uma cooperação “intensa e bem estabelecida” entre empresas de defesa norte-americanas e alemãs, apontando como exemplo a produção de fuselagens dos caças F-35 pela Rheinmetall para a Lockheed Martin e uma nova fábrica conjunta da MBDA e da Raytheon dedicada aos mísseis Patriot PAC-2 e GEM-T, avança o Financial Times.
O ministério acrescentou ao mesmo jornal que a Alemanha continuará a explorar formas de expandir a capacidade de produção e acelerar a entrega de “sistemas de armas urgentemente necessários” para a Bundeswehr (Forças Armadas alemãs) e outros estados europeus.
A iniciativa surge num contexto em que os fabricantes norte-americanos enfrentam atrasos nas cadeias de produção e dificuldades no fornecimento de componentes críticos. Mark Rutte, secretário-geral da NATO, alertou em junho que os EUA podem não disponibilizar à Aliança Atlântica os recursos militares que prometeram por terem de se ocupar com os conflitos no Médio Oriente e na Ucrânia.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.

Comentários ({{ total }})
Alemanha quer fabricar mísseis norte-americanos na Europa para acelerar rearmamento
{{ noCommentsLabel }}