Itália disponível para integrar Alemanha no projeto de caça de sexta geração
A Leonardo admite integrar a Alemanha no programa de caça GCAP, considerando que o reforço industrial e financeiro de Berlim compensaria eventuais atrasos no desenvolvimento da aeronave.
A Itália demonstrou estar disponível para integrar a Alemanha no programa de caça de nova geração Global Combat Air Programme (GCAP) desenvolvido em conjunto com o Reino Unido e o Japão, depois de Berlim ter travado o projeto de construção de aeronave de combate com a França e Espanha.
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O novo diretor-executivo da Leonardo, Lorenzo Mariani, que assumiu a liderança do grupo italiano de defesa controlado pelo Estado no mês passado, sinalizou que a participação alemã no programa, apesar de provocar alguns atrasos, traria benefícios a longo prazo.
“Se quiséssemos integrar agora um novo país com os mesmos direitos dos outros três parceiros, isso seria um pouco disruptivo, [mas] os benefícios a longo prazo são evidentes”, frisou Mariani, citado pelo Financial Times.
Lorenzo Mariani explicou que os atuais parceiros do GCAP já acordaram uma divisão de trabalho após negociações difíceis, mas recordou que a italiana Leonardo e a britânica BAE Systems colaboraram com sucesso no passado com a divisão de defesa alemã da Airbus no programa Eurofighter Typhoon.
“Ficaria satisfeito se parte do complexo industrial alemão se juntasse às nossas atividades. Estes programas exigem sempre investimentos muito elevados. Normalmente absorvem mais recursos do que o previsto inicialmente. Por isso, ter mais um parceiro com capacidade financeira e competência industrial seria positivo”, reiterou o diretor-executivo do grupo italiano, mencionado pelo jornal britânico.
Contudo, o Japão tem-se mostrado relutante em admitir novos parceiros no programa, procurando evitar atrasos e cumprir a meta do programa de colocar o novo caça de combate ao serviço até 2035, depois do Canadá ter afirmado que quer aderir ao GCAP com o papel de observador.
O potencial interesse da Alemanha surge num contexto de incerteza quanto ao compromisso financeiro do Reino Unido com o projeto, depois de o ministro da Defesa britânico, John Healey, se ter demitido este mês do cargo de ministro da Defesa, criticando o Governo por estar “relutante em disponibilizar os recursos de que a nação necessita”.
Não obstante, o líder da Leonardo vincou que se mantém confiante quanto à continuidade da participação do Reino Unido no programa.
“O combate aéreo é um segmento tão importante para o Reino Unido que nunca deixará de ser uma prioridade. É importante para o país, pela sua localização geográfica, e é importante para preservar as suas competências industriais”, aferiu Lorenzo Mariani, citado pelo Financial Times.
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