Alemanha procura alternativas aos mísseis cruzeiro dos EUA. Empresas israelita e ucraniana na mira alemã

  • Tiago Martins d'Oliveira
  • 19 Junho 2026

A Alemanha está a estudar a aquisição de mísseis de baixo custo produzidos por empresas de Israel e da Ucrânia, face à escassez de equipamento militar norte-americano causada pelo conflito com o Irão.

Depois dos Estados Unidos terem anunciado atrasos nas entregas de equipamento militar e que vão diminuir os recursos disponíveis para a NATO, a Alemanha procura alternativas para adquirir mísseis cruzeiro de longo alcance de baixo custo e poderá recorrer a empresas de Israel e Ucrânia especializadas no setor, segundo documentos do Ministério da Defesa alemão consultados pelo Politico

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Berlim está interessado nas startups de defesa ucraniana FirePoint, fabricante do míssil de cruzeiro de longo alcance FP-5 “Flamingo”, e na israelita Covenant, especializada em tecnologias de defesa, inteligência artificial (IA) e sistemas aeroespaciais, com foco no desenvolvimento de sistemas de mísseis, segundo adiantaram autoridades da indústria e do governo alemão familiarizadas com o assunto ao mesmo jornal.

Nesse sentido, a agência de compras do Ministério da Defesa da Alemanha terá enviado um pedido de propostas de produtos à Covenant, fundada em 2024 e que tem forte ligação aos EUA.

O sistema de mísseis da Covenant — Anthem — deverá ser testado em Israel no final de junho e autoridades do Ministério da Defesa alemão foram convidados a observar o teste, avançaram pessoas com conhecimento do assunto sob condição de anonimato ao Politico.

Esta não seria a primeira colaboração na defesa entre Israel e Alemanha. Na passada semana, Berlim e o grupo Israel Aerospace Industries (IAI) assinaram um acordo para estabelecer um hub focado em tecnologias aeroespaciais, de defesa, segurança e de uso dual na capital alemã.

Além da startup israelita, Berlim considera ainda a ucraniana Fire Point como outra forte candidata no fornecimento de mísseis de baixo custo para o exército alemão. Os documentos do Ministério da Defesa alemão referem o míssil de cruzeiro de baixo custo “Flamingo” da Fire Point, e ainda o sistema balístico Bars, um míssil-drone de médio alcance movido a jato, produzido por uma empresa ucraniana não identificada na documentação vista pelo Politico.

“Sistemas com boa relação custo-benefício podem sobrecarregar as defesas aéreas inimigas por meio de ataques em massa e, portanto, têm alto valor operacional”, referiu um porta-voz do Ministério da Defesa alemão, ao Politico. O Ministério quer expandir esta capacidade “o mais rápido possível” e que a Ucrânia demonstrou que atingir alvos estratégicos em território inimigo tornou-se “indispensável para uma dissuasão credível”, referiu ainda.

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