Reino Unido reforça defesa com 15 mil milhões de libras e aposta em drones

  • Tiago Martins d'Oliveira
  • 30 Junho 2026

Cinco mil milhões de libras serão para drones e sistemas autónomos para adaptar as Forças Armadas à guerra moderna. Investimento deverá criar cerca de 60 mil empregos no país, diz Starmer.

O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que o Plano de Investimento em Defesa (DIP – Defense Investment Plan) do país contará com mais 15 mil milhões de libras (aproximadamente 17,4 mil milhões de euros), dos quais 5 mil milhões de libras (cerca de 5,8 mil milhões de euros) para drones e armas autónomas. Um investimento que diz vai criar cerca de 60 mil empregos no país.

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O líder trabalhista salientou que o plano prevê aumentar para quase 300 mil milhões de libras (equivalente a quase 350 mil milhões de euros) nos próximos quatro anos, acrescentando que o governo britânico vai elevar o investimento no setor de 54 mil milhões de libras para cerca de 80 mil milhões (quase 93 mil milhões de euros) até 2029.

“O orçamento previsto é de 270 mil milhões de libras esterlinas, e posso anunciar hoje que, ao abrigo do plano de investimento em defesa, estamos a aumentar este valor em mais 15 mil milhões de libras esterlinas, estabelecendo um novo recorde de gastos de quase 300 mil milhões de libras esterlinas nos próximos quatro anos para apoiar as nossas forças armadas e reforçar a nossa segurança nacional”, frisou o primeiro-ministro britânico durante a conferência de imprensa destinada a apresentar o plano de investimento.

Starmer destacou que o Governo britânico vai criar um fundo de exportação de defesa de 50 mil milhões de libras (cerca de 58 mil milhões de euros) para apoiar as empresas britânicas do setor. Afirmou também que o plano vai “proporcionar o maior aumento sustentado nos gastos com defesa desde a década de 1980”, vincando que representa “um aumento real de 27%“.

De um gasto de 2,3% do PIB em defesa em 2024, estamos a aumentar para 2,7%, o que nos coloca numa trajetória para atingir 3% no próximo Parlamento, que deve ser a prioridade número um na próxima revisão de gastos”, referiu.

O plano apresentado esta terça-feira levará o Reino Unido a gastar 4,2% do PIB em defesa — ainda abaixo da meta de 5% estipulado pelos Estados-membros da NATO até 2035. Contudo, o primeiro-ministro britânico reforçou que o plano representa uma grande mudança para o país.

“Sem dúvida, esta é uma enorme mudança histórica para a nossa nação e um legado do qual me orgulho. E devemos usar esse investimento com sabedoria, porque sei que, no passado, os gastos com defesa às vezes foram vistos como um poço sem fundo. Não podemos simplesmente gastar mais, temos que gastar melhor”, sublinhou Keir Starmer.

O primeiro-ministro do Reino Unido ressalvou que os planos de gastos com defesa vão impulsionar a economia do país ao criar “quase 60.000 empregos” classificando-os como “altamente qualificados” e “bem remunerados”.

O líder britânico destacou ainda que o plano vai permitir ao Reino Unido fortalecer a sua liderança internacional em defesa, ao mesmo tempo que permite “construir uma NATO mais europeia”, acrescentando que tal não exclui os Estados Unidos da aliança militar.

“Isto exige um reforço decisivo das capacidades europeias. E é por isso que estamos a avançar ainda mais no âmbito do plano de investimento em defesa, alocando 400 milhões de libras para a contribuição do Reino Unido ao mecanismo multilateral de defesa, a fim de financiar e adquirir equipamentos de defesa com os aliados e apoiar um caminho para atingir as metas de gastos com a NATO”, vincou.

A poucas semanas de abandonar o cargo de primeiro-ministro, Keir Starmer abordou o conflito entra a Ucrânia e a Rússia, afirmando que este é o momento para o bloco europeu pressionar o Kremlin, que enfrenta dificuldades económicas.

“A boa notícia é que a Ucrânia está a resistir. Eles estão cada vez mais a conseguir repelir a Rússia no campo de batalha, e há sinais claros de que, à medida que as perdas da Rússia aumentam e sua economia enfrenta dificuldades, o clima em Moscovo está se a voltar contra a guerra de Putin“, enfatizou Starmer. “Este é o momento de aumentar a pressão, apoiando a defesa da Ucrânia e apertando o cerco contra a economia da Rússia. E é isso que estamos a fazer”, aferiu.

O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, saudou o plano de investimento em defesa de Keir Starmer, acrescentando que “os gastos e a produção na área da defesa serão um foco importante da cimeira da NATO na próxima semana”, que decorrerá em Ancara, na Turquia.

“Saúdo o Plano de Investimento em Defesa do Reino Unido. Uma defesa britânica mais forte torna-nos todos mais seguros. Este é um bom passo para atingir a meta de 3,5% do PIB para a defesa, acordada em Haia no ano passado”, afirmou através da rede social X.

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