Mais de metade dos executivos recusaria promoção se prejudicasse bem-estar

Remuneração permanece um fator "relevante" na atração e fidelização de executivos, mas cultura e qualidade da liderança têm conquistado maior peso nessa dinâmica, mostra estudo da Page Executive.

Mais de metade dos executivos sinalizam que recusariam uma promoção, caso este avanço na carreira tivesse um impacto negativo no seu bem-estar. De acordo com um novo estudo da Page Executive (com base em respostas de mais de 14 mil executivos de todo o mundo), verifica-se atualmente uma “evolução para decisões de carreira mais conscientes“.

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“Cerca de 58% dos executivos afirmam que recusariam uma promoção, caso esta tivesse um impacto negativo no seu bem-estar. Os dados refletem uma evolução para decisões de carreira mais conscientes, ciclos de permanência mais curtos e uma valorização crescente da experiência global de liderança, em detrimento de aspetos puramente financeiros”, sublinha a consultora de recursos humanos, na análise que foi divulgada esta terça-feira.

Por outro lado, a Page Executive frisa que o mercado executivo europeu apresenta, neste momento, “elevados níveis de mobilidade e abertura à mudança”. Em concreto, 90% dos executivos dizem-se abertos a novas oportunidades profissionais e quase metade encontra ativamente à procura de uma nova função.

“Mais do que a progressão na carreira ou a remuneração, fatores como propósito, cultura organizacional e bem-estar assumem um peso crescente nas decisões profissionais“, realça a consultora de recursos humanos.

Assim, há a frisar que, embora a remuneração continue a ser um “elemento importante” na atração e retenção de executivos, “são a cultura organizacional e a qualidade da liderança que determinam, em última análise, a capacidade das empresas” para recrutar, envolver e fidelizar este talento.

Por exemplo, na Europa, ainda que 70% dos líderes afirmem estar satisfeitos com o seu pacote remuneratório, para 44%, a remuneração representa apenas um dos vários fatores determinantes para a satisfação profissional, segundo este novo estudo.

Já quanto à Inteligência Artificial, o novo estudo mostra que esta tecnologia está “cada vez mais integrada nas funções dos executivos”. Tanto que cerca de 77% dos líderes que utilizam ferramentas de IA indicam ganhos de produtividade a nível individual.

Porém, apenas 67% identificam melhorias de produtividade ao nível da organização e apenas 53% observam um aumento da qualidade global do trabalho. “Os resultados sugerem que o verdadeiro fator diferenciador já não é a adoção da tecnologia, mas a capacidade das empresas para converter essas ferramentas em valor organizacional mensurável e sustentável“, lê-se na análise publicada esta terça-feira.

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