BRANDS' ECO Rita Tecedeiro: “Só conseguimos cuidar das pessoas quando também vivemos essa experiência”
Rita Tecedeiro, Diretora de RH da Logicalis Portugal, explica como a certificação Great Place to Work reflete uma cultura de confiança, inclusão e melhoria contínua da experiência.
A Logicalis Portugal voltou a ser distinguida como Great Place to Work, num percurso marcado por uma evolução contínua da experiência das suas pessoas através da escuta ativa contínua, da responsabilização das lideranças, e da criação de experiências personalizadas, onde cada colaborador se sente valorizado e integrado.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
Ao ECO, Rita Tecedeiro, diretora de RH da Logicalis Portugal, explicou que, mais do que mudanças pontuais, a organização tem vindo a reforçar a personalização da experiência, o bem-estar, a flexibilidade e a inclusão, mantendo como base uma cultura assente na confiança, proximidade e respeito.
A empresa voltou a ser certificada como Great Place to Work. O que é que mudou? E o que é que se manteve consistente desde a primeira certificação?Mais do que mudanças pontuais, o que temos vindo a fazer é uma evolução consistente da experiência das nossas pessoas. Nos últimos anos, reforçámos sobretudo a componente de personalização da experiência (a começar logo pela atração e o onboarding), e aprofundámos iniciativas relacionadas com bem-estar, flexibilidade e inclusão.
Ao mesmo tempo, aquilo que se manteve consistente desde a primeira certificação é, talvez, o mais importante: uma cultura baseada na confiança, na proximidade e no respeito. Continuamos a acreditar que são as pessoas que fazem a diferença e que o nosso papel é criar um ambiente onde cada uma pode crescer e contribuir com impacto.
Como garantem que a certificação não é apenas um selo, mas uma experiência real vivida diariamente pelas equipas?A certificação só faz sentido se refletir a realidade do dia a dia e isso exige disciplina e consistência na gestão. Na prática, trabalhamos em três níveis:
- Escuta ativa contínua: utilizamos ferramentas como o feedback regular e momentos estruturados de auscultação para perceber o que está a funcionar e onde precisamos de atuar.
- Responsabilização das lideranças: a experiência das pessoas não é um tema de RH, é um tema de negócio. Os managers têm um papel central na concretização dessa experiência.
- Ações concretas e visíveis: iniciativas como programas de reconhecimento, acompanhamento individual, eventos internos, ou políticas de flexibilidade garantem que os princípios se traduzem em práticas reais.
A nossa ambição é que aquilo que comunicamos externamente seja exatamente o que cada colaborador sente internamente.
Hoje fala-se cada vez mais de “belonging” para além da diversidade e inclusão. O que significa isso concretamente na vossa organização?Para nós, “belonging” vai além de garantir representatividade ou igualdade de oportunidades; trata-se de assegurar que cada pessoa se sente genuinamente valorizada, respeitada e com espaço para ser quem é.
Na prática, isso traduz-se numa abordagem muito centrada na experiência individual. Trabalhamos para criar um ambiente onde cada colaborador tem uma jornada personalizada, onde o seu contributo é reconhecido e onde existe proximidade com a liderança e a organização.
Complementarmente, promovemos uma cultura ativa de diversidade e inclusão, com iniciativas como recrutamento inclusivo, formação em linguagem inclusiva e programas específicos como o Women in Tech.

A medição é uma peça fundamental para garantir consistência e impacto nas políticas de inclusão. Trabalhamos com um conjunto de indicadores que combina dados quantitativos (como retenção, representação e progressão interna), com dados qualitativos (obtidos através de questionários de engagement e feedback direto das equipas), bem como análises regulares de tendência que nos permitem identificar padrões e antecipar áreas de risco.
Estas métricas não se limitam a ser reportadas, são efetivamente integradas nos processos de decisão. Na prática, contribuem para definir prioridades de formação e desenvolvimento das lideranças, orientando o desenho de iniciativas específicas de inclusão, e suportam decisões estratégicas relacionadas com a experiência das pessoas dentro da organização. Além disso, asseguramos o alinhamento destas métricas com os nossos compromissos mais amplos de responsabilidade social e ESG, garantindo uma abordagem integrada, consistente e sustentável à gestão de pessoas.
Como equilibram as necessidades do negócio com o bem-estar e as expectativas das pessoas, num contexto de crescente exigência sobre as empresas?Acreditamos que este equilíbrio não é um trade-off, mas uma condição para o sucesso sustentável. Quando as pessoas têm acesso a flexibilidade, desenvolvimento, reconhecimento e a um ambiente inclusivo, o impacto no negócio torna-se naturalmente positivo.
Na prática, asseguramos esse equilíbrio através de uma forte clareza de objetivos e alinhamento com as prioridades do negócio, combinada com um foco consistente na experiência das pessoas, nomeadamente através de políticas de equilíbrio entre vida pessoal e profissional, e iniciativas de bem-estar. Em paralelo, promovemos o desenvolvimento contínuo, garantindo oportunidades de crescimento e evolução. O papel dos Recursos Humanos é garantir que estas dimensões estão verdadeiramente integradas e não tratadas de forma isolada.
A sua nomeação para melhor Diretora de RH PME em 2026 surge num momento de crescimento. O que considera ter sido mais determinante neste percurso?Acredito que este percurso resulta muito da forma como tenho vivido a organização ao longo dos anos. Ter passado por diferentes áreas antes de assumir a função de Recursos Humanos permitiu-me ter uma visão mais integrada do negócio, compreendendo melhor os desafios das equipas, as necessidades dos clientes e a forma como tudo se liga. Isso sempre me ajudou a tomar decisões mais equilibradas e próximas da realidade.
Acredito que só conseguimos cuidar verdadeiramente das pessoas quando também vivemos essa experiência de forma autêntica. Isso influencia a forma como lidero, como comunico e como desenho as iniciativas de RH. Mais do que um percurso individual, este reconhecimento reflete também um contexto muito positivo: uma organização onde há confiança, onde as equipas têm espaço para contribuir e onde conseguimos construir, em conjunto, uma cultura consistente e com propósito.

Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Rita Tecedeiro: “Só conseguimos cuidar das pessoas quando também vivemos essa experiência”
{{ noCommentsLabel }}