Do Metro à Transtejo, empresas de transportes reforçam oferta em Lisboa

Metropolitano pretende avançar com abertura às 5h30 em janeiro de 2027. Transtejo arranca em julho com a ligação Trafaria-Algés. Carris quer voltar a ter linha para o aeroporto.

Uma nova ligação de navio entre a Trafaria e Algés, a abertura do Metro de Lisboa às 5h30 da manhã ou 30 novas automotoras para a Linha de Cascais são algumas das mudanças que vão acontecer na mobilidade da área metropolitana nos próximos anos.

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Metropolitano de Lisboa, Transtejo, Carris, CP e Fertagus partilharam alguns dos planos para reforçar a oferta na conferência “Transporte público: uma década depois o que mudou”, organizada pela Transtejo e o ECO e que decorreu esta terça-feira no Terminal do Cais do Sodré.

O Metropolitano de Lisboa vai avançar com um alargamento do horário durante a semana e um reforço da oferta ao sábado e ao domingo, revelou a presidente da empresa, Cristina Vaz Tomé. “Em outubro vamos começar o piloto. As equipas estão a trabalhar e eu presumo que [o arranque da operação] será às 5h30, 5h40, não todos os dias de semana, provavelmente dois dias por semana”, relevou a responsável durante a conferência.

Cristina Vaz Tomé, na conferência “Transporte público: uma década depois o que mudou”, que decorreu no Terminal do Cais do Sodré.Hugo Amaral

Cristina Vaz Tomé apontou como uma falha na interoperabilidade o facto de os barcos da Transtejo chegarem muito cedo de manhã à cidade e não existir metro a essa hora. “Nós arrancamos a operação às 6h30 e estamos a trabalhar com a Transtejo e com a CP, que é onde nós temos os pontos de contacto nos extremos da nossa rede”, referiu.

“Precisamos dos dados concretos e as equipas das três operadoras têm estado a trabalhar muito intensamente nesta matéria”. A mudança irá obrigar a “uma alteração do contrato de concessão”, mas que já está alinhada com a secretária de Estado da Mobilidade. Terá também de existir um diálogo com os sindicatos.

O objetivo, relevou Cristina Vaz Tomé, é iniciar o novo horário mais cedo “em janeiro de 2027”. “E aí serão 5 ou 7 dias por semana. “Temos que ver se o fim de semana também compensa, se há procura que justifique começarmos a operação mais cedo”, explicou.

Ao fim de semana o metro tem uma procura bastante significativa, e não podemos manter uma tipologia de horários que eram os horários do passado.

Cristina Vaz Tomé

Presidente do Metropolitano de Lisboa

Comece ou não a operação mais cedo, a oferta também será reforçada ao fim de semana para diminuir o tempo de espera entre comboios. “O nosso comportamento mudou muito desde o Covid para agora, as pessoas já utilizam o transporte público de outra forma, mesmo para eventos de lazer, ou seja, ao fim de semana o metro tem uma procura bastante significativa, e não podemos manter uma tipologia de horários que eram os horários do passado”, defendeu a presidente do Metropolitano de Lisboa.

“Estamos a trabalhar no sentido de como é que vamos reorganizar a oferta do fim de semana para ir ao encontro daquilo que é a procura das pessoas ao fim de semana, naquilo que é o corpo do dia, entre as 9h30/10h da manhã e as 6h da tarde“, disse Cristina Vaz Tomé.

Transtejo arranca em julho com ligação entre Trafaria e Algés. Parque das Nações com boas perspetivas

Já no próximo mês deverá arrancar a ligação da Transtejo entre a Trafaria e Algés, afirmou o presidente da empresa, Rui Rei. “Estamos aqui a meia dúzia de dias de eventualmente podermos vir a fazer esse trabalho“, referiu no painel sobre o papel dos operadores. Um trabalho que está a ser feito com a Autoridade do Porto de Lisboa, a Câmara Municipal de Lisboa, a Câmara Municipal de Oeiras “que estão a fazer o investimento, a fazer esta ligação”.

Conferência: "Transporte Público: Uma Década Depois - O Que Mudou?"
Rui Rei, CEO da Transtejo/SoflusaHugo Amaral/ECO

Rui Rei adiantou ainda que “a Transtejo começou hoje a fazer o investimento que lhe compete de levar para lá um pontão e toda a infraestrutura associada”.

“Serão usadas em alguns casos embarcações elétricas e em outros os navios tradicionais que temos, porque nós nos últimos sete meses temos mais de cinco milhões de euros de manutenção na rua”, com a entrada em operação de embarcações “paradas há dois anos por falta de manutenção”.

A Transtejo pretende também avançar com a ligação entre a margem sul e o Parque das Nações. “Estamos em conversa com a Câmara de Lisboa para fechar o protocolo, para avaliarmos rapidamente a questão do Parque das Nações“, disse o presidente da empresa de transportes. Rui Rei partilhou também que o estudo encomendado ao professor José Manuel Viegas “tem bons dados e boas ambições do Parque das Nações”.

“Estamos no bom caminho, portanto o rio não separa, une”, assinalou.

Novas carruagens na Fertagus esperadas em 2027

A Fertagus é a outra grande empresa que assegura a ligação entre as duas margens, mas em comboio. O forte crescimento da procura, não acompanhada pela oferta, tem levado a situações recorrentes de sobrelotação do serviço, muito criticas pelo presidente da Câmara do Seixal, Paulo Silva.

A presidente da transportadora, Cristina Dourado, referiu que só no final do segundo semestre de 2027 deverão entrar ao serviço as duas carruagens com capacidade para 350 passageiros.

Conferência: "Transporte Público: Uma Década Depois - O Que Mudou?"
Cristina Dourado, Presidente da Fertagus.Hugo Amaral/ECO

“As carruagens são da Renfe e estamos à espera que a Renfe faça o processo de introdução das carruagens”, afirmou. Um trabalho que está a ser articulado com a Sagescur, que é desde 2005 a detentora do material circulante.

“Em princípio, nós temos uma previsão de estarem a funcionar no fim do primeiro semestre de 2027“, estimou a presidente da Fertagus. A estas carruagens vão somar-se mais três, para as quais Cristina Dourado não tem ainda uma estimativa para entrarem em operação.

A presidente da Fertagus espera também uma diminuição dos chamados afrouxamentos, as zonas da linha em que tem de ser reduzida a velocidade. “O último, que é o problema do Pragal, que é muito complicado, foi concluído no final da semana passada“, revelou.

30 novas automotoras para a Linha de Cascais

Nos próximos anos vai também chegar a tão esperada modernização do material circulante da CP. O presidente da empresa, Pedro Moreira, afirmou que das 153 automotoras que serão adquiridas à Alston, “as primeiras, que começaram a chegar em 2029, são para a Linha de Cascais”. As 25 primeiras são unidades bitensão, que permitirão operar antes mesmo da conversão integral da linha para o padrão europeu de 25 kV, uma obra da Infraestruturas de Portugal que já está em curso.

Conferência: "Transporte Público: Uma Década Depois - O Que Mudou?"
Pedro Moreira, Presidente da CP.Hugo Amaral/ECO

“As primeiras unidades terão a capacidade de circular com a tensão que lá se encontra hoje, permitindo-nos injetar rapidamente material circulante novo, e estarão preparadas para o momento em que já tivermos unidades suficientes para se alterar a tensão da infraestrutura e elas mudam para o modo 25KV”, explicou Pedro Moreira.

Carris quer voltar a ter linha para o aeroporto

Rui Lopo, presidente da Carris desde janeiro, afirmou que a empresa tem de ter “condições técnicas e de meios” para se “adaptar de forma mais rápida àquilo que são as dinâmicas da cidade de Lisboa”. E deu como exemplo voltar a ter uma linha para o Aeroporto Humberto Delgado.

“Temos de ter uma nova rede e novos serviços. Um exemplo: foi descontinuado há nove anos, de forma significativa, a ligação ao aeroporto. Não é aceitável“. O presidente da Carris não refere, no entanto, um timing para a regresso na linha. “Assim que tivermos meios para isso”.

Conferência: "Transporte Público: Uma Década Depois - O Que Mudou?"
Rui Lopo, Presidente da Carris.Hugo Amaral/ECO

Garantida é a continuação do investimento na eletrificação da frota. “Queremos entregar ao nosso museu o último carro a diesel ainda no ano de 2029”, disse. Um processo que diz ser muito exigente. “O fácil é comprar autocarros, o difícil é mudarmos as formas de operar, a infraestrutura, tecnicamente, as equipas conseguirem adaptar-se a estas novas realidades”.

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