Miguel Vieira: “As pessoas pensam que é só ter uma ideia e depois está tudo feito”
Apaixonado pela programação desde que recebeu o seu primeiro computador, Miguel Vieira formou-se na área e hoje é CEO de uma aplicação de encontros para relações sérias - a Deepbond.
Miguel Vieira, CEO e fundador da Deepbond, é o 83º convidado do podcast “E Se Corre Bem?”. Foi nas áreas da programação e da gestão que encontrou o seu caminho e decidiu aprofundá-las no curso de Tecnologias e Sistemas de Informação, na Universidade do Minho. Terminada a licenciatura, houve vários projetos que tentou implementar, mas foi a vontade de resolver um problema que identificou no universo das aplicações de encontros que o levou a criar a Deepbond, a primeira dating app portuguesa dedicada a relações sérias e o seu primeiro projeto bem-sucedido.
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“Este gosto pela programação começou com o primeiro computador que eu recebi do meu pai. E depois também tive muito interesse pela área da gestão. Eram duas dinâmicas que sempre me interessaram e foi algo que quis explorar. Consegui, na universidade, fazer um curso que me permitiu fazê-lo. Tirei Tecnologias e Sistemas de Informação, na Universidade do Minho, e este é um curso que nos permite aprender a parte de gestão, mas também a parte de programação e de desenvolvimento de aplicações”, começou por dizer.
E foi precisamente a capacidade de “desenvolvimento de aplicações” e de gestão que aprendeu no curso que acabou por fazer toda a diferença na sua vida. Depois de alguns projetos que não correram bem, Miguel Vieira acabou por encontrar numa dificuldade comum a muitas pessoas uma oportunidade de negócio: “Há uns anos atrás, eu usei dating apps e sentia que havia muita gente a usar que ficava frustrada, quer com a experiência em si, quer com o resultado final. O modelo dessas aplicações era muito focado no engagement, na quantidade, e não tanto na qualidade“.
Perante isto, percebeu que podia criar ele próprio uma aplicação de encontros que colmatasse as falhas que observava nas dating apps que existiam. Foi assim que nasceu a Deepbond, uma dating app made in Portugal, que tem como principal objetivo facilitar o processo de encontrar alguém para desenvolver uma relação séria. “Na Deepbond, o processo de conexão é completamente diferente. Enquanto que no Tinder tu vês uma pessoa de cada vez e tens de decidir sobre essa pessoa para veres a seguinte, quase como um jogo, na Deepbond tu podes ver todas as pessoas que estão à tua volta, segundo os teus filtros, e podes ir navegando pelos perfis e ir analisando com calma. Não existe aqui a pressão de ter de decidir já para ver quem vem a seguir”, explicou.
Para Miguel Vieira, a forma como o processo de conexão acontecia nas outras aplicações de encontros era “muito superficial” e não facilitava a criação de uma relação séria precisamente por isso. Então, para evitar essa tendência, fez com que cada utilizador da Deepbond fosse obrigado a criar um perfil onde, além de uma foto de perfil e uma biografia onde partilham interesses, têm também os dealbreakers, uma ferramenta que permite ao utilizador colocar temas importantes para si – ter ou não ter filhos, se já é mãe ou pai, se é ou não fumador, entre outros.
A ideia foi criar “algo completamente diferente, que não existia no mercado”: “Nos dealbreakers, o utilizador cria um conjunto de questões e, depois, quando há uma pessoa interessada, tem de responder a essas questões. No final, vai ter uma pontuação entre 0 e 100, e o utilizador define a pontuação mínima. Só quando as pessoas passam nos dealbreakers uma da outra é que existe uma conexão e só aí é que podem conversar“.
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Miguel Vieira, CEO e fundador da Deepbond, no 83º episódio do podcast "E se corre bem?" Hugo Amaral/ECO -
"Há uns anos atrás, eu usei dating apps e sentia que havia muita gente a usar que ficava frustrada, quer com a experiência em si, quer com o resultado final. O modelo dessas aplicações era muito focado no engagement, na quantidade, e não tanto na qualidade" Hugo Amaral/ECO -
"As pessoas pensam que é só ter uma ideia e depois está tudo feito. Mas ter a ideia é apenas 1% do trabalho. Desenvolver o produto é 10% do trabalho. E tudo o resto é muito mais complicado" Hugo Amaral/ECO -
"Eu trabalho em full time e do resto do meu tempo vou tentando conciliar o máximo possível. Também trabalho oito horas na Deepbond e trabalho sempre aos fins de semana" Hugo Amaral/ECO
“Acho que é importante trazer esse esforço porque, imagina, quando tu estás a criar o teu perfil e tens de escolher os dealbreakers, isso obriga-te a pensar naquilo que é importante para ti, naquilo que aceitas e não aceitas, naquilo que queres para o teu futuro. Traz-te essa clareza e, depois, no processo, permite que garantas uma compatibilidade maior naquilo que são questões base e que são importantes para ti”, continuou.
O objetivo é, segundo o CEO da Deepbond, “otimizar ligações” e “ligar pessoas que sejam mais compatíveis”. Para já, “tem corrido bem”, já que, em apenas dois anos, a aplicação conta já com 25 mil utilizadores em Portugal. Mas garante que, apesar dos resultados positivos, o processo “não é muito fácil”: “É difícil porque dá muito trabalho. As pessoas pensam que é só ter uma ideia e depois está tudo feito. Mas ter a ideia é apenas 1% do trabalho. Desenvolver o produto é 10% do trabalho. E tudo o resto é muito mais complicado“.
Além de desenvolver a aplicação, Miguel Vieira dedica-se a trabalhar na parte do negócio, do marketing e a fazer conteúdo, tudo isto enquanto mantém o seu emprego na Smith Micro, uma empresa norte-americana que entrou no mercado português através da aquisição da startup onde o CEO da Deepbond trabalhava, a iMobileMagic. “Eu trabalho em full time e do resto do meu tempo vou tentando conciliar o máximo possível. Também trabalho oito horas na Deepbond e trabalho sempre aos fins de semana“, contou.
Apesar de ter começado a Deepbond sozinho, hoje em dia Miguel Vieira conta com mais dois sócios e, para o futuro, espera conseguir internacionalizar a empresa. No entanto, confessa que não é fácil fazê-lo sem investimento: “A minha esperança é conseguir estar em todo o mundo, pelo menos em todos os continentes. Acho possível, mas nesta fase inicial precisava de investimento. O ecossistema mais ligado a startups, em Portugal, ainda é pequeno e não existe tanto apoio como noutros países. Eu vou tendo apoio, mas acho que podíamos ter um ecossistema mais desenvolvido”.
Ainda assim, garantiu estar “à frente daquilo que esperava” e considera que o “caminho tem sido muito bom”. “Temos conseguido fazer isto sem investimento, só com capital próprio. Tem sido uma experiência muito desafiante, mas também estamos a conseguir resultados sem esse capital. Claro que se nós conseguíssemos investimento, conseguíamos acelerar todas as operações e estar mais à frente, mas faz parte do processo. Estamos nessa luta de conseguir. Mas estou orgulhoso, temos feito um bom trabalho e a ideia é continuar a satisfazer os nossos utilizadores, que é o mais importante”, concluiu.
Este podcast está disponível no Spotify e na Apple Podcasts. Uma iniciativa do ECO, na qual Diogo Agostinho, COO do ECO, procura trazer histórias que inspirem pessoas a arriscar, a terem a coragem de tomar decisões e acreditarem nas suas capacidades. Com o apoio da Nissan e da Scalpers.
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