Falstaff em Portugal: “Queremos construir um ecossistema completo”
A Falstaff chega a Portugal na próxima semana pela mão de uma alemã que aqui vive. "A revista é o coração do projeto, mas estamos a construir uma plataforma de media", diz.
A Falstaff, cujas revistas circulam por toda a Europa, está atualmente presente em 13 países e cinco línguas, e escolheu Portugal para a próxima etapa da sua expansão. Ou melhor, foi a publisher e diretora, Alexa Desch, alemã, que escolheu a Falstaff para entrar em Portugal, depois de conhecer o país, primeiro como visitante e agora como residente. O primeiro número chega na próxima semana.
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Alexa Desch explica ao +M que “a revista é o coração do projeto”, mas não só. “Estamos a construir uma plataforma de media” com a Falstaff. “Existe a vertente editorial, mas há também eventos, experiências, uma comunidade, um círculo de membros, uma plataforma de vinho, provas, prémios e viagens com curadoria. Queremos trazer pessoas a Portugal para descobrirem o país através do vinho, da gastronomia, da cultura e da arte. Ao mesmo tempo, queremos levar Portugal ao resto da Europa através da rede internacional da marca”.
“O conteúdo editorial é a nossa base e a nossa fonte de credibilidade, mas hoje uma revista, por si só, não é suficiente. Queremos construir um ecossistema completo. O nosso objetivo não é volume. É valor. Queremos criar reputação, confiança e qualidade. Essa é a nossa moeda”, afirma a publisher, a partir do primeiro andar do quartel-general da Falstaff, em Santos, Lisboa, um espaço pronto para trabalhar ou fazer uma prova de vinhos.

A Falstaff chega oficialmente a Portugal no dia 24 de junho, em Lisboa, com duas edições distintas: uma publicação trimestral em português, pensada para o mercado nacional, e edições especiais em inglês, com distribuição internacional. Cada uma terá uma tiragem de 20 mil exemplares e distribuição em locais selecionados.
“A edição portuguesa foi pensada para públicos de língua portuguesa. A edição em inglês dirige-se tanto a leitores portugueses como a um público internacional, incluindo expatriados, viajantes e leitores da rede global da Falstaff”. Aliás, sublinha, “não são traduções uma da outra”.
“A edição internacional será focada no verão, mas não queremos mostrar apenas a costa ou os destinos óbvios. Vamos falar de vinho, gastronomia, lifestyle, natureza, caminhadas, cultura e, acima de tudo, das pessoas por trás dos projetos. Não queremos criar apenas mais um guia de compras ou de viagens. Queremos contar histórias”, diz Alexa Desch. Já a edição portuguesa, “segue mais de perto o modelo tradicional da Falstaff, mas com conteúdos produzidos especificamente para Portugal. Ao mesmo tempo, diz, a revista “vai trazer inspiração internacional e mostrar como Portugal se liga ao resto da Europa”.
As pessoas procuram experiências genuínas, ligações com significado e lugares que preservem a sua identidade. Portugal oferece isso de forma natural”
Para Alexa Desch, Portugal “está a atravessar um momento notável”. “Há aqui uma energia criativa incrível: chefs, produtores de vinho, artistas, designers, arquitetos e uma nova geração de marcas. Ao mesmo tempo, Portugal continua a ser profundamente autêntico e isso é importante porque a própria definição de luxo está a mudar”, defende. “O luxo está a tornar-se menos sobre ostentação e mais sobre autenticidade”, defende. “As pessoas procuram experiências genuínas, ligações com significado e lugares que preservem a sua identidade. Portugal oferece isso de forma natural”.
Fala de um país que já conhece. Alexa Desch vive em Portugal com a família, após vários anos de ligação ao país. Comprou casa na Comporta, apartamento em Lisboa e, no último ano, mudou-se definitivamente. Foi já em Portugal que começou a procurar novos projetos profissionais e encontrou “um país cheio de talento extraordinário, pessoas fascinantes e histórias notáveis”, prontas a serem contadas fora de portas. A ligação à Falstaff surgiu através de uma amiga, que fez a ponte com o fundador da marca. O acordo foi assinado em novembro e o projeto começou a ganhar forma em janeiro.
Wolfgang M. Rosam, editor da Falstaff International, diz, em comunicado, que Portugal “sempre foi uma questão de quando, e não de se”. “O país tem tudo o que define a Falstaff: uma cultura vinícola extraordinária, uma gastronomia de nível mundial e um estilo de vida que atrai pessoas de toda a Europa”, afirma. O responsável destaca ainda o papel de Alexa Desch na criação da operação portuguesa, sublinhando a sua experiência em media, visão editorial, instinto comercial e relação pessoal com Portugal. Antes de se mudar para o país, a publisher acumulou 20 anos de experiência a trabalhar marcas de media.
Com Portugal, a Falstaff passa a estar presente em 13 países e em cinco línguas. As primeiras edições, em português e em inglês, terão 20 mil exemplares de tiragem cada uma.
No lançamento da Falstaff Portugal estão envolvidas cerca de 20 pessoas. “Não temos apenas jornalistas, temos distribuição, vendas, eventos, experiências, comunicação digital, especialistas em vinho e parcerias”, diz Alexa Desch. “Somos todos construtores.
Estamos todos a criar algo novo. Isso gera um tipo de energia muito especial. Claro que é exigente, há muitas horas de trabalho e muito para fazer, mas também é incrivelmente gratificante”, diz.
Segundo a Falstaff, a operação portuguesa integra a expansão internacional de uma marca editorial fundada há quase 50 anos em Viena e presente atualmente na Áustria, Alemanha, Suíça, Itália, Dinamarca, Suécia, Noruega, Finlândia, Estónia, Letónia, Lituânia e Eslováquia. Com Portugal, a Falstaff passa a estar presente em 13 países e em cinco línguas, com uma tiragem combinada de quase 175 mil exemplares, 600 mil subscrições de newsletter e 500 mil seguidores no Instagram e no Facebook. No total, a marca chega anualmente a cerca de três milhões de leitores e utilizadores através das suas revistas, plataformas digitais e eventos.
O ecossistema internacional da Falstaff inclui revistas, guias anuais de vinhos, restaurantes e hotéis, prémios dedicados à excelência nestas áreas, aplicações móveis, plataformas digitais e experiências para membros do Falstaff VIP Circle. Este clube de membros será uma das apostas da operação portuguesa, com provas privadas, encontros culturais, eventos e experiências presenciais pensadas para ligar leitores, marcas, produtores e figuras culturais.
O lançamento oficial realiza-se na noite de 24 de junho, na La Distillerie, em Lisboa, com um evento desenhado para ser uma experiência imersiva. Os convidados serão convidados a percorrer diferentes ambientes, como se entrassem fisicamente nas páginas da revista, atravessando os vários mundos editoriais da Falstaff: vinho, gastronomia, viagens, design e cultura.
A ambição de Alexa Desch para os próximos anos é clara: “Gostaria que a Falstaff se tornasse a plataforma de referência para qualquer pessoa que queira descobrir Portugal. Um lugar onde as pessoas venham procurar informação, inspiração, experiências e ligações com significado. E, em última análise, gostaria que conseguíssemos alcançar algo muito simples: ligar Portugal ao mundo e trazer o mundo a Portugal”. Não é pouco.
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