Grupo neonazi planeava ataques a políticos e figuras públicas. Casa de Montenegro vigiada

  • ECO
  • 19 Junho 2026

Movimento Armilar Lusitano (MAL) tinha uma lista de “indesejáveis”, tendo discutido ataques armados contra governantes, políticos, jornalistas ou humoristas. O cabecilha era um agente da PSP.

O líder e os oito membros do Movimento Armilar Lusitano (MAL) acusados pelo Ministério Público (MP) de crimes relacionados com terrorismo planeavam ataques contra, pelo menos, 175 políticos e figuras públicas, que constavam do que designavam como “lista dos indesejáveis” — que incluía ainda 89 instituições e associações.

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Segundo o Expresso (acesso pago), na lista de personalidades na mira deste grupo de extrema-direita, nacionalista e neonazi estavam os políticos Marcelo Rebelo de Sousa, António Costa, Luís Montenegro, Cavaco Silva, Luís Marques Mendes, Carlos Moedas, assim como humoristas como Nuno Markl ou Ricardo Araújo Pereira. No que toca às entidades, faziam parte da lista a SOS Racismo, o Movimento Vida Justa, a AIMA e a Associação 25 de Abril, por exemplo.

Embora não tivessem nada em concreto contra eles, por se tratarem de governantes, políticos e figuras públicas que associavam à “esquerda”, classificavam-nos como “ameaça direta” aos interesses nacionais. Durante anos, foram identificando e recolhendo informações pessoais, de acesso reservado, sobre os vários “alvos”, contra os quais diziam que seria necessário usar armas. A casa do atual primeiro-ministro chegou até a ser alvo de vigilância.

De acordo com a acusação da procuradora Cláudia Porto, do Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP), os membros do MAL tinham presença em plataformas digitais com vista à intervenção na vida política nacional. Contudo, apesar das ações de recrutamento, da realização de treinos, da preparação logística e da aquisição e fabrico de armas numa impressora 3D, a escassez de meios humanos, logísticos e materiais impediu o grupo de concretizar ações violentas.

O cabecilha era o agente da PSP Bruno Gonçalves, que, conta o Público (acesso pago), dedicava todo o seu tempo livre a este grupo classificado como terrorista. Chegou mesmo a fazer serviços remunerados para ter disponibilidade financeira para contribuir e suportar as atividades do MAL, que negava o Holocausto e defendia o nazismo.

O MAL nasceu da confluência de outros subgrupos nacionalistas que já se extinguiram, como o Gárgulas de Portugal, o Soldiers of Odin ou a Nova Ordem Social. A milícia tinha ligações a congéneres estrangeiras, tendo os investigadores do caso pedido a colaboração das polícias de Espanha, Irlanda, Alemanha e Reino Unido.

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