Canceladas negociações de paz na Suíça entre EUA e Irão. Israel volta a atacar Líbano

  • ECO e Lusa
  • 19 Junho 2026

Macron não acredita que guerra “tenha terminado por completo” e pede responsabilidade a Netanyahu. EUA sancionam autoridades libanesas acusadas de apoiarem os interesses do Hezbollah.

A Suíça confirmou esta sexta-feira que foram canceladas as conversações de paz entre os EUA e o Irão que estavam agendadas para decorrer num resort de Bürgenstock, na sequência do acordo provisório alcançado entre Washington e Teerão.

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O Ministério dos Negócios Estrangeiros suíço indicou que, apesar do contratempo, “os trabalhos preparatórios em Bürgenstock continuam” e o país segue totalmente preparado para acolher e facilitar as negociações.

As autoridades suíças garantiram um plano robusto para assegurar a segurança dos negociadores e mediadores nesta estância de montanha isolada, situado acima do lago Lucerna.

Além da exclusividade, a localização oferece uma vantagem de segurança única: o acesso pode ser completamente bloqueado, fechando a única estrada existente e suspendendo o serviço do teleférico histórico que liga à margem do Lucerna.

A polícia local já tinha tomado ambas as medidas: estabelecido um posto de controlo para filtrar a entrada e impedir o acesso de qualquer pessoa que não estivesse hospedada em Bürgenstock, além de destacar pessoal de segurança adicional.

Este mesmo complexo turístico sediou a cimeira da paz para a Ucrânia de 2024, que contou com a presença de diversos chefes de governo e delegações de 92 países, nas discussões sobre a sua reconstrução, após o eventual fim da guerra com a Rússia.

A confirmação do cancelamento do arranque das negociações surge horas depois de a Casa Branca ter dito que o vice-presidente J.D. Vance tinha desistido de viajar para a Suíça, onde era aguardado para se reunir com os negociadores iranianos para dar início às discussões sobre a implementação do projeto de acordo de 14 pontos.

Khamenei aprova acordo, mas admite diferenças com presidente iraniano

O líder supremo do Irão, Mojtaba Khamenei, já veio a público aprovar o acordo preliminar de paz com os EUA, apesar de ter uma “opinião diferente” sobre o entendimento assinado pelo Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian.

Segundo o guia espiritual xiita, Pezeshkian deu-lhe garantias de que “se o lado americano fizer exigências excessivas” durante as negociações de 60 dias para um acordo final, estas não serão atendidas. “É claro que as futuras negociações presenciais não implicam a aceitação do ponto de vista do inimigo”, observou.

Numa declaração lida na televisão estatal, Mojtaba Khamenei considerou ainda que Donald Trump procurou o acordo “num ato de desespero”, utilizando “todos os meios de pressão” para garantir o aval de Teerão para pôr fim à guerra.

O memorando de entendimento prevê o fim do conflito em todas frentes, incluindo no Líbano entre Israel e o grupo xiita Hezbollah, aliado de Teerão, a reabertura do estreito de Ormuz ao tráfego marítimo comercial e o levantamento do bloqueio naval norte-americano aos portos do Irão, que pode desde já voltar a comercializar bens petrolíferos.

Nos próximos dois meses, as partes vão discutir na Suíça os detalhes do acordo final, incluindo o programa nuclear do Irão e o destino do seu urânio enriquecido, em troca do levantamento de todas as sanções a Teerão e descongelamento dos ativos iranianos no exterior.

Está ainda prevista a criação de um fundo de 300 mil milhões de dólares (cerca de 260 mil milhões de euros) para a reconstrução da República Islâmica.

“A partir de agora, nós — isto é, vós, a orgulhosa nação, e este humilde servidor — aguardaremos o cumprimento das condições acima referidas”, acrescentou o líder supremo, depois de elogiar os “grandes esforços” e a “boa vontade” dos negociadores iranianos.

Mojtaba Khamenei foi nomeado líder supremo m 08 de março para suceder ao pai, Ali Khamenei, assassinado em Teerão no primeiro dia dos ataques israelo-americanos, em 28 de fevereiro. Desde então, não é visto em público e as suas declarações têm sido feitas por escrito e lidas na televisão estatal.

Macron não acredita que guerra “tenha terminado por completo” pede responsabilidade a Netanyahu

O Presidente francês não acredita que a guerra “tenha terminado por completo”, apesar do acordo assinado na quarta-feira, pedindo ao primeiro-ministro israelita prova de “responsabilidade e racionalidade” na frente libanesa.

“É sempre melhor ter um acordo do que a guerra, sobretudo quando podem existir riscos de escalada”, disse Emmanuel Macron em declarações à estação France 2. “Entramos numa nova fase, que é a da cooperação e do diálogo, o que é melhor do que a guerra”, acrescentou.

Um dos pontos frágeis do acordo continua a ser a ofensiva israelita no Líbano, cuja cessação consta no memorando de entendimento, e embora o líder francês reconheça que “o [movimento xiita libanês] Hezbollah seja um risco para Israel”, defendeu que a longo prazo a ofensiva “é contrária aos interesses” do Estado judaico.

“O Hezbollah é um risco para Israel, isso é absolutamente verdade”, mas a segurança do Estado israelita “não pode ser garantida pela conquista de um território vizinho”, disse. A política de Netanyahu, tanto no Líbano, como na Faixa de Gaza e na Cisjordânia, “alimenta o ressentimento e a violência de todas as populações da região”, acrescentou.

Pelo menos 18 mortos em ataques israelitas no sul do Líbano

Pelo menos 18 pessoas morreram e mais de 30 ficaram feridas numa nova vaga de bombardeamentos levados a cabo pelo exército israelita contra vários locais no sul do Líbano, informou o Ministério da Saúde Pública libanês.

Por sua vez, as forças armadas de Israel anunciaram que nos combates no Líbano morreram quatro militares israelitas.

O Ministério da Saúde libanês indicou que, até ao momento, foram confirmadas 18 mortes e 33 feridos, incluindo sete mortos e 10 feridos num bombardeamento na cidade de Haruf.

Estes ataques ocorreram apesar do memorando de entendimento assinado pelos Estados Unidos e pelo Irão, que estabelece a cessação das hostilidades também no país mediterrânico.

O exército israelita confirmou ataques contra “terroristas do Hezbollah e infraestruturas terroristas em várias zonas do sul do Líbano” e declarou que os bombardeamentos “foram lançados após repetidas violações do cessar-fogo por parte do Hezbollah”.

O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, afirmou na quinta-feira que as tropas israelitas permanecerão em zonas do sul do Líbano durante o tempo que for “necessário”, depois de o exército israelita ter divulgado um novo mapa do seu posicionamento militar e rejeitado a retirada.

EUA sancionam autoridades libanesas acusadas de apoiarem os interesses do Hezbollah

Entretanto, o Governo norte-americano impôs sanções económicas a figuras libanesas acusadas de “obstruir o processo de paz” no Líbano e de “atrasar o desarmamento do Hezbollah”, o movimento xiita libanês pró-iraniano.

Entre os sancionados estão Sleiman Frangieh, que recebeu o apoio do Hezbollah na última eleição presidencial libanesa, e Mahmoud Qamati, vice-presidente do gabinete político do movimento xiita.

Estes responsáveis “usaram a sua influência para obstruir o processo de paz no Líbano e atrasar o desarmamento do Hezbollah”, destacou o Departamento do Tesouro dos EUA em comunicado.

O Líbano mantém negociações com Israel desde abril, promovidas por Washington, e que são rejeitadas pelo Hezbollah.

 

 

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