BRANDS' ECO “O capital privado olha para a Madeira como uma potência de gases renováveis”

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  • 1 Junho 2026

Os gases renováveis, a valorização de resíduos e a modernização das infraestruturas estiveram em destaque no primeiro painel de debate da 2ª conferência do ciclo "Rota da Descarbonização", no Funchal.

A transição energética e a descarbonização do setor continuam a colocar os gases renováveis no centro da discussão sobre o futuro energético. Foi precisamente esse o ponto de partida do primeiro painel de debate da segunda conferência do ciclo “Rota da Descarbonização”, promovida pela Sonorgas, que decorreu esta terça-feira no auditório do Museu da Electricidade – Casa da Luz, no Funchal.

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Além de refletirem sobre o papel das infraestruturas modernas, sobre a valorização de resíduos e os impactos positivos associados ao setor do gás na aceleração da transição energética, os especialistas também falaram sobre os desafios ligados às metas, à inovação tecnológica e à necessidade de criar condições para uma descarbonização mais rápida, sustentável e eficiente.

“Descarbonizar não é igual a eletrificar. Temos de perceber que todos os dias produzimos resíduos e que um dos subprodutos desses resíduos é o biogás, que é um gás renovável. Este é um potencial que se renova diariamente e que é fundamental no design do sistema energético, já que contribuirá para aumentar a competitividade para o território porque tem soberania energética”, afirmou Joaquim Sá, COO da Sonorgas.

Este reaproveitamento dos resíduos seria igualmente benéfico para aliviar a central de incineração da Região Autónoma da Madeira que, segundo Amílcar Gonçalves, presidente do Conselho de Administração da ARM – Águas e Resíduos da Madeira, foi uma “solução vencedora”, mas hoje em dia precisa de um upgrade para o qual “é difícil encontrar financiamento”. Assim, aproveitar os biorresíduos, que já recolhem “de forma separada e dedicada”, para a gasificação é um complemento que considera “muito interessante”: “Podemos produzir energia 100% renovável e pensar nela como combustível para abastecer a frota de recolha“.

Amílcar Gonçalves, presidente do Conselho de Administração da ARM – Águas e Resíduos da Madeira

Mas, para que a produção de gás seja endógena, Ricardo Emílio, CEO da Sonorgas, apontou o biometano como a melhor solução. “Podemos ter gás natural, mas o mais importante é podermos produzir gás endogenamente. E aí temos o biometano. Isto porque, apesar de o hidrogénio ser um gás renovável importante, ainda tem vários constrangimentos na produção, mas também na instalação. Já o biometano tem um conjunto de variadas formas de ser produzido e a sua molécula é semelhante à do gás natural. Enquanto que com o hidrogénio, eu só posso injetar 20% na minha rede, com o biometano eu posso injetar 100%. É um gás muito eficiente e descarboniza as redes“, explicou.

Ainda assim, o COO da Sonorgas acrescentou ainda que as “infraestruturas da empresa estão preparadas para o biometano, mas também para o hidrogénio”: “O gás natural tem uma menor concentração, por isso os riscos para o utilizador são muito reduzidos. Mas também já estamos num estágio muito avançado no processo de certificação de hidrogénio”. A tendência é, por isso, que o gás natural substitua o GPL, precisamente por trazer “mais segurança e mais eficiência”.

Joaquim Sá, COO da Sonorgas

Amílcar Gonçalves considera que esta é uma “solução de futuro” e que é preciso “arregaçar as mangas” para a aproveitar: “Temos matéria-prima e podemos criar situações que vão ao encontro das metas. Se olharmos firmemente para esta solução, vemos que ela é uma solução de futuro, não tenho dúvidas. Percebemos que vender o gás que produzimos é muito mais interessante do que vender energia“.

Esta solução torna-se uma das mais apoiadas porque, ao substituir o GPL por gás natural, Ricardo Emílio assegura que as pessoas “terão sempre gás sem terem de alterar os equipamentos”. “Na eletricidade teríamos esse problema, mas aqui a transição é simples. Há um conjunto de externalidades positivas fortes e isto tem um impacto muito grande na sociedade”, disse.

Ricardo Emílio, CEO da Sonorgas

A expectativa da aposta nesta solução é tão positiva que o CEO da Sonorgas garantiu que há mesmo a capacidade de fazer na Madeira “um projeto que vai para além do que temos feito no continente”. “O gás natural, em termos comparativos com outras energias, pode ter diferença de preços de mais de 100%. (…) O capital privado, no nosso caso, está muito interessado, até porque olha para a Madeira como uma potência de gases renováveis“, concluiu.

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