BRANDS' ECO “Quem controlar acesso ao espaço controla a economia espacial”

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  • 29 Maio 2026

Futuro da indústria espacial esteve em discussão no AED Days, no Estoril, com consenso em torno da ideia de que a Europa tem de apostar numa maior soberania para conquistar lugar no mercado.

Longe vão os tempos em que o espaço era um nicho reservado a agências estatais, dependente do investimento público. Como sublinhou Marco Borghi, manager da consultora Novaspace e um dos oradores do primeiro dia dos AED Days, nos últimos 30 anos, o setor ficou mais privado, mais ágil, mais diverso e, no atual contexto geopolítico, assume uma importância estratégica crítica. Hoje há mais de 80 países do espaço para um mercado que vale, à escala global, cerca de 539 mil milhões de euros.

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Mas, se o modelo de mercado mudou radicalmente, os papéis principais continuam a ser representados pelos atores de sempre: Estados Unidos, China, Japão e Rússia e, só depois, a União Europeia (UE). Em Portugal, depois do lançamento do seu primeiro satélite, em setembro de 1993, e da adesão à Agência Espacial Europeia (ESA), no início deste século, o número de empresas dedicadas à economia do espaço duplicou nos últimos seis anos.

As boas-vindas ficaram a cargo de Rui Santos, Diretor-Geral da AED, e a sessão de abertura contou com Ricardo Conde, Presidente da Agência Espacial Portuguesa (AEP), que apoiou institucionalmente o Space2, área do espaço dos AED Days 2026, e Ivo Vieira, Vice-Presidente da AED Cluster Portugal. “Não podemos ficar só a fazer satélites, porque é o que os outros países estão a fazer”, alertou o presidente da AEP. “Como integrantes da Europa temos de fazer parte não do novo espaço, mas sim do próximo espaço”, defendeu o responsável. Ou seja, transitar de um modelo de negócio focado na miniaturização e que aposta na produção em massa de pequenos satélites, para o novo paradigma centrado na industrialização em órbita. A participação europeia na missão Artemis é, para Ricardo Conde, um sinal claro de que a Europa quer integrar este novo paradigma.

Regulação, aliado ou vilão?

Ricardo Conde apontou a harmonização dos quadros legais europeus como um pilar essencial para a criação de uma economia do espaço à escala europeia.

Numa intervenção posterior, também Helena Correia Mendonça, principal consultant do escritório de advogados VdA – Vieira de Almeida, defendeu que a regulação deve ser vista como um facilitador, admitindo, contudo, as limitações do EU Space Act. “A versão original trazia muitos fardos às empresas, a atual já é melhor”, referiu.

“A regulação é um fardo”, acusou, no mesmo painel, João Fonseca Santos, head of office em Portugal do Banco Europeu de Investimento (BEI) que apontou ainda a disparidade de requisitos como outro dos fatores que minam o setor. “Na regulação, a Comissão Europeia está a fazer baixar os requisitos para as PME”, algo que não será bem aceite pelos restantes players. “Os mais pequenos têm de assumir o maior risco, mas têm de ser compensados por isso”, defendeu.

Para Helena Correia de Mendonça, é essencial que a regulação aposte na simplificação de requisitos, na agregação de várias leis numa só e na flexibilidade na resposta às pequenas empresas. “Tem de haver um esforço para que as leis sejam mais claras, facilitem a vida às empresas e criem indústria”, defendeu.

Mais do que ir à Lua, o desafio é levar a infraestrutura espacial à sociedade. A adoção, comercialização e o uso das tecnologias que estão a ser desenvolvidas para apostar na economia europeia

Katerina Pena

Space Market Downstream Officer da EUSPA

A próxima fronteira

O último painel da tarde foi dedicado à reflexão sobre o futuro da indústria espacial europeia, com vários caminhos a serem apontados. Para o CEO da Lusospace, as soluções de evitação do lixo espacial – uma das vertentes do próximo espaço – é um dos campos em que a Europa pode apostar, não só apenas ao nível da regulação, mas também do ponto de vista económico”. Já para Katerina Pena, space market downstream officer da EUSPA, é urgente trazer ao cidadão comum as infraestruturas espaciais. “Mais do que ir à Lua, o desafio é levar a infraestrutura espacial à sociedade. A adoção, comercialização e o uso das tecnologias que estão a ser desenvolvidas para apostar na economia europeia”, disse.

Por seu turno, Andrés Juez Muñoz, head of european GNSS, da GMV, defendeu a capacidade de fornecer soluções de comunicações seguras e alertou para a necessidade de deixar depender de terceiros. “A Europa não se pode deixar ficar para trás”.

Uma preocupação partilhada por Christos German, key account manager da Airbus Defence & Space, e João Bentes Jesus, head of Institutional Affairs da Geosat, para quem a Europa “tem estado cega” no seu modo de atuar, nomeadamente no que à soberania diz respeito. “O procurement tem de estar no topo da agenda”, defendeu Christos German, que acredita que uma posição de liderança global terá de passar pelo investimento em inovação. “É necessário um pensamento estratégico, precisamos de atuar em conjunto e não depender de terceiros”, concluiu João Bentes de Jesus.

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