BRANDS' ECO “As outras fontes de energia podem custar mais de 100% acima do gás natural”
O Museu da Electricidade, na Madeira, recebeu vários especialistas para discutirem a importância dos gases renováveis na transição energética. O gás foi apontado como uma das melhores soluções.
No âmbito do ciclo “Rota da Descarbonização”, a Sonorgas organizou uma segunda conferência, que decorreu no Auditório do Museu de Electricidade – Casa da Luz, no Funchal. O evento visou refletir sobre desafios e oportunidades da transição energética e, para isso, juntou decisores políticos, especialistas e representantes de diferentes setores.
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Os gases renováveis foram os grandes protagonistas da discussão, já que existiu um grande consenso de que esta solução será a mais vantajosa a curto prazo, uma vez que permite reaproveitar os resíduos e usá-los para produzir energia. No entanto, também ficou claro que não existe uma solução única que sirva para todos e, por essa razão, é importante apostar em mais do que uma opção nos diferentes setores de atividade.
Gás é a aposta da transição energética na Madeira
“A Sonorgas, consciente dos desafios do contexto regional onde opera, através de uma operação singular de redes em ilha e UAGs, está a preparar-se para a descarbonização da sua rede, promovendo parcerias com stakeholders na procura de um contributo sério, pró-ativo e consequente para a transformação e adaptação de todo o sistema nacional de gás, à realidade urgente de injeção de gases renováveis nas redes“, começou por dizer Conceição Lucas, presidente do Conselho de Administração da Sonorgas.
Por causa das características especiais da ilha da Madeira, há uma maior probabilidade de instabilidade climática, o que acaba por condicionar a eficiência de energias renováveis, como a fotovoltaica e a eólica. Luís Miguel Sousa, presidente e CEO do Grupo Sousa, defendeu, por isso, que a questão fundamental é: “Qual a melhor solução para garantir que essa instabilidade tem o menor impacto ambiental? O gás é hoje a solução mais segura e ambientalmente mais responsável para essa transição“.
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Conceição Lucas, presidente do Conselho de Administração da Sonorgas -
Luís Miguel Sousa, presidente e CEO do Grupo Sousa -
Maria da Graça Carvalho, Ministra do Ambiente e Energia -
Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira
A mesma opinião foi partilhada pela Ministra do Ambiente e Energia, Maria da Graça Carvalho, que também deixou uma mensagem de vídeo a todos os presentes, na qual se mostrou disponível para apoiar esta transição da Região Autónoma da Madeira. “Acredito que este é o momento certo para a Madeira dar o passo seguinte, apostando de forma decisiva na produção de gases renováveis. Este passo será muito importante do ponto de vista da transição energética, mas também do reforço e competitividade da região“, disse.
Este apoio foi bem recebido por Miguel Albuquerque, presidente do Governo Regional da Madeira, que admitiu que sempre aproveitaram os fundos disponíveis para investir “nos quadros de energia eólica, hídrica e solar”. No entanto, alertou para a necessidade de pensar além dessas soluções: “Temos estimada uma capacidade de produção de cerca de 50% através das renováveis. Mas não podemos descurar que, num sistema autónomo como o nosso, a fiabilidade é fundamental. E estes sistemas dependem de coisas que não controlamos, como a meteorologia. Por isso, estamos interessados em desenvolver convosco alguns projetos na área do gás, designadamente o aproveitamento dos resíduos, como os florestais, para a produção do gás renovável“.
Gás sem custos? Quais são as vantagens?
No primeiro painel de debate, a importância dos gases renováveis esteve no centro da discussão. Joaquim Sá, COO da Sonorgas, afirmou mesmo que “a Madeira tem um potencial que todos os dias se renova e que tem de ser aproveitado” e Amílcar Gonçalves, presidente do Conselho de Administração da ARM – Águas e Resíduos da Madeira, acrescentou que, para isso, apenas é necessário “melhorar a cadeia de valor”: “É uma oportunidade e um desafio, mas temos os players certos e vamos chegar lá, não tenho dúvidas”.
Além de ser uma oportunidade para se tornarem autossuficientes e garantirem uma menor pegada de carbono, esta solução também traz uma grande vantagem económica que Ricardo Emílio, CEO da Sonorgas, fez questão de frisar neste painel: “Em termos comparativos, as outras energias podem custar mais de 100% acima do gás natural. O aspeto económico dos custos da energia tem um impacto gigante na vida das pessoas, dos serviços e das empresas”.
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Painel de debate "Importância dos Gases Renováveis" -
Joaquim Sá, COO da Sonorgas -
Ricardo Emílio, CEO da Sonorgas -
Amílcar Gonçalves, presidente do Conselho de Administração da ARM – Águas e Resíduos da Madeira -
Nuno Maciel, Secretário Regional da Agricultura e Pescas
Nuno Maciel, Secretário Regional da Agricultura e Pescas considera, por isso, que esta transição é uma “oportunidade económica para a região porque, com ela, conseguirmos melhorar a vida das pessoas”. E Francisco Taboada, presidente do Conselho de Administração da EEM – Empresa de Eletricidade da Madeira, reforçou que “o gás é já uma parcela importante das fontes de produção de eletricidade. Representa hoje 20% da energia produzida na Madeira“.
No segundo painel do evento, houve ainda espaço para perceber de que forma setores como transportes e turismo são afetados por esta transição. E aqui o gás também se evidenciou como uma das soluções mais usadas. “70% da nossa frota é movida a gás natural. Claramente, é uma solução super fiável”, disse Paulo Amaral, diretor de operações da STCP. Já no turismo, de acordo com António Jardim Fernandes, Vice-Presidente do Conselho Fiscal da Confederação do Turismo de Portugal, esta opção torna-se crucial onde a eletrificação não é possível: “Nós temos muito processos que não são eletrificáveis a curto prazo. Aí, soluções como o gás natural e o biometano são fundamentais”.
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Painel de debate "Infraestruturas de Distribuição como Catalisadores de Investimento e Inovação" -
Francisco Taboada, presidente do Conselho de Administração da EEM – Empresa de Eletricidade da Madeira -
Paulo Amaral, diretor de operações da STCP -
António Jardim Fernandes, Vice-Presidente do Conselho Fiscal da Confederação do Turismo de Portugal
No encerramento da sessão, Manuel Ara de Oliveira, Diretor Regional do Ambiente e Mar, avançou que “o objetivo até 2045 é que as ETAR utilizem energia de fontes renováveis produzidas pelas suas próprias instalações”. “Armazenar energia na rede regional cria flexibilidade, segurança e resiliência ao sistema, e também cria margem para acumular mais renovável”, declarou.
Por sua vez, Carlos Gomes da Silva, Chairman da Sonnet, afirmou que “a energia do futuro terá de ser, necessariamente, um ecossistema. E nesse ecossistema os gases renováveis podem ter um papel importante. Aqui, o biometano é um bom exemplo porque permite transformar o que é um desafio económico em valor económico”.
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Manuel Ara de Oliveira, Diretor Regional do Ambiente e Mar -
Carlos Gomes da Silva, Chairman da Sonnet -
Pedro Rodrigues, Secretário Regional de Equipamentos e Infraestruturas
“Se conseguirmos reduzir em cerca de 20% os resíduos incinerados e produzir energia renovável, juntamos o útil ao agradável. Associado a isso, estamos também já a trabalhar na criação de um sistema público de distribuição de gás. Estamos a trabalhar em coordenação com a ERSE porque queremos criar um mercado regulado. Pensamos que num futuro próximo poderá ser lançada a concessão para essa rede de distribuição“, revelou, no fecho do evento, Pedro Rodrigues, Secretário Regional de Equipamentos e Infraestruturas.
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