Luís Pinho x Susana Gaspar: A arte de descarbonizar para um futuro mais sustentável para empresas e comunidade
Luís Pinho, empresário, e Susana Gaspar, atriz e encenadora, traçam o paralelismo entre a arte e a descarbonização, destacando que ambos estão ligados e têm propósito contribuir para um futuro melhor.
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Como ligar a arte à descarbonização? Para Luís Pinho, country manager da Helexia, e Susana Gaspar, a questão é como não o fazer. “Vejo os processos de descarbonizar também como arte e como arte aplicada”, afirmou o diretor do negócio da Helexia em Portugal. Já Susana Gaspar sustenta que a arte pode ser uma ferramenta essencial para aproximar as pessoas da crise climática e da sustentabilidade, argumentando que o teatro, a música e outras expressões artísticas ajudam a traduzir para a emoção um debate frequentemente dominado por linguagem técnica e científica.
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“O desafio é como nós ligamos a arte a todos os projetos envolvidos na descarbonização” e como se combina a aplicação de várias tecnologias para a criação de valor“. “Vejo isto como a arte como criar e transformar alguma coisa em algo prático que cria impacto para o cliente, para as empresas e para o planeta”, sustentou o responsável pelo negócio da Helexia em Portugal. O gestor argumenta, porém, que esta mudança tem de envolver todos. “Se queremos uma mudança que não seja só a espuma dos dias tem de abranger quem toma decisões hoje mas quem vai tomar decisões no futuro”, defende.

Luís Pinho fala num mundo em que a mentalidade está a mudar. “Em Portugal o nível de perceção da vantagem dos níveis de descarbonização tem ganhado terreno. Tanto as pessoas como as empresas veem isto como algo natural“, afirma, acrescentando que “para as gerações mais jovens, é natural”. Mesmo assim, admite, há quem vá mais depressa. As empresas que “veem a descarbonização não como tema técnico e exigência do mercado, mas como uma arte de transformar essa ambição em projetos que têm impacto real, não só para elas, mas também para a sociedade, são as que avançaram primeiro“, justifica.

Num painel dedicado ao tema “Descarbonizar também é uma arte?”, a atriz e encenadora Susana C. Gaspar defendeu que o “teatro, música ou artes são como o pão. É uma questão de sobrevivência, é uma questão de respirar e perceber que o mundo não é só negativo”. Para Susana Gaspar, as artes têm a capacidade de mudar a forma como as pessoas observam os problemas ambientais. “Não é só olhar, é observar, escutar o que nos rodeia”, afirmou, defendendo que o teatro, o cinema, as artes visuais ou instalações artísticas conseguem criar novas perspetivas sobre a sustentabilidade e as alterações climáticas. E a forma de transmitir uma história ou uma mensagem pode ser uma ferramenta poderosa para mudar as perceções.
Os perfis
- Luís Pinho é o country diretor em Portugal da Helexia, a multinacional francesa que fornece serviços de transição verde e descarbonização às empresas. Responsável pelo lançamento da operação em 2016, Luís Pinho tem sido o responsável pelo crescimento da unidade no país, liderando a expansão e a concretização de aquisições. Com experiência no setor das renováveis desde 2008 e passagem pela Martifer, Luís Pinho conta ainda com experiência internacional em vários países.
- Susana C. Gaspar é atriz, encenadora, dramaturga e professora de teatro portuguesa, com um percurso ligado ao teatro documental e à intervenção comunitária. Licenciada em Ciências da Cultura pela Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, mestre em Educação Artística — Teatro na Educação pela Escola Superior de Educação de Lisboa, e doutorada em Estudos Artísticos — Arte e Mediações, iniciou a carreira profissional em 2008, colaborando com várias companhias, entre as quais a Companhia de Teatro de Sintra, teatromosca e bYfurcação. Em 2011 estreou-se na encenação com “Lampedusa”, espetáculo distinguido nos Jovens Criadores 2012. É codiretora artística da companhia Chão de Oliva e docente na Escola Superior de Educação de Lisboa, desenvolvendo também investigação académica na área das artes e dos direitos humanos.
O momento de humor
Entre filhos, carros elétricos e preocupações com o planeta, a atriz e encenadora Susana Gaspar e Luís Pinho mostraram que a sustentabilidade já faz parte das conversas do dia a dia — e até lá de casa. “Não precisamos de ser pais nem mães para estar preocupados com as crianças no futuro, mas há sempre este eco na nossa cabeça”, admitiu Susana Gaspar, explicando que, quando se tem filhos, o futuro deixa de parecer uma coisa distante. Já Luís Pinho contou que, para a geração das filhas, certas escolhas já nem estão em discussão. “Se falarmos em comprar um carro, a conversa não é sobre a cor. É se vai ser térmico, se vai ser elétrico”, brincou. No fundo, a ideia é simples: para os mais novos, a sustentabilidade já não é moda, é o normal.
O momento de tensão
A “negatividade” das notícias entrou na discussão sobre a descarbonização. “Quando vejo as notícias, há um determinado ponto que queremos fechar o noticiário porque já não aguentamos mais“, disse Susana Gaspar, criticando o pessimismo que domina as notícias. É preciso “dar o mesmo espaço à negatividade e ao que está a correr mal no mundo à positividade e ao que está a correr bem“. Também Luís Pinho concordou que “todos os dias somos bombardeados com notícias que focam no drama, no horror e na tragédia”. “Se calhar o desafio é como comunicamos melhor“, atirou.
A ideia para o futuro
Num momento em que a sustentabilidade é um tema incontornável para as empresas, Luís Pinho diz que as empresas devem abraçar o desafio da descarbonização “não por uma obrigação, mas porque acreditam que é o passo certo“. “As empresas perceberam que há três coisas que são importantes: benefício económico, autonomia e resiliência e o efeito de competitividade que ganham não só no mercado nacional, mas no mercado exterior e para a exportação”, justifica. “Isso já o drive certo para as empresas fazerem isto”, conclui.
As frases
Se queremos uma mudança que não seja só a espuma dos dias tem de abranger quem toma decisões hoje, mas também quem vai tomar decisões no futuro.
Teatro, música ou artes são como o pão. É uma questão de sobrevivência, é uma questão de respirar e perceber que o mundo não é só negativo.
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