Império das Farmácias ‘limpa’ dívida a troco de novas ações

A Associação Nacional de Farmácias avança com uma oferta para comprar a dívida da sua Farminvest e convertê-la em ações, reforçando a solidez financeira do grupo e aumentar o controlo para 87,51%.

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  • A Associação Nacional das Farmácias lançou uma oferta para adquirir obrigações convertíveis da Farminveste SGPS, visando consolidar sua estrutura financeira e reduzir a dívida.
  • Após um ano de reorganizações, a Farminveste encerrou 2025 com uma dívida líquida de 114,1 milhões de euros, uma redução significativa em relação a 2024.
  • A ANF planeia utilizar cinco milhões de euros para a conversão das obrigações em capital social, o que poderá diluir a participação dos acionistas existentes.
Pontos-chave gerados por IA, com edição jornalística.

A Associação Nacional das Farmácias (ANF) deu mais um passo na arrumação financeira do grupo que controla ao lançar uma oferta de aquisição das 933.969 obrigações convertíveis da Farminveste SGPS, o veículo que detém participações em empresas como a Alliance Healthcare, a Glintt Global e, indiretamente, a CUF.

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O objetivo desta operação passa por a ANF comprar estes títulos de dívida para os converter de imediato em ações de categoria B, trocando crédito por capital e consolidando a estrutura financeira de um grupo que, depois de um ano de 2025 marcado por alienações e reorganizações societárias profundas, encerrou o exercício com uma dívida líquida consolidada de 114,1 milhões de euros, menos 98 milhões do que em 2024.

A oferta, cujo período de aceitação decorre entre esta segunda-feira e 12 de junho dirige-se aos titulares das denominadas “Obrigações 2022-2026”, um empréstimo obrigacionista originalmente emitido em julho de 2022 no valor de 14,4 milhões de euros, entretanto reduzido para 4,67 milhões após uma operação de troca realizada em 2025.

Quem aceitar a proposta recebe 5,11875 euros por cada título (uma soma que corresponde ao valor nominal de 5 euros acrescida de um prémio de 0,02165 euros e dos juros corridos desde 20 de janeiro de 2026, no valor de 0,0971 euros, calculados à taxa fixa anual de 4,75%). Trata-se assim de “uma antecipação, em cerca de 33 dias, do valor devido a título de reembolso do capital e pagamento de juros, sem qualquer penalização”, segundo o prospeto enviado para a CMVM, já que a maturidade original das obrigações é 20 de julho.

A Farminveste SGPS é uma empresa que poucas pessoas conhecem pelo nome, mas cujo alcance no quotidiano dos portugueses é considerável. Detida em 86,93% pela ANF desde o aumento de capital concretizado em outubro de 2025, quando vários obrigacionistas converteram títulos da emissão 2021-2025 em ações, a holding concentra participações que vão da distribuição farmacêutica aos sistemas de informação para farmácias, passando pelo imobiliário e, indiretamente, pela saúde privada através da CUF.

As contas de um grupo com raízes em cada farmácia

Em 2025, a Farminveste SGPS registou um volume de negócios consolidado de 908,6 milhões de euros, um crescimento de 7,6% face ao ano anterior, com um EBITDA de 51,6 milhões de euros e um resultado líquido de 58,7 milhões, fortemente influenciado, todavia, pela venda da participação na Alloga Logifarma, que sozinha contribuiu com mais de 70 milhões de euros em resultados de operações descontinuadas.

O restante capital (13,07%) encontra-se disperso por mais de três mil acionistas minoritários, na sua maioria sócios da própria ANF, com as ações de categoria B admitidas à negociação no Euronext Access Lisbon numa liquidez que o próprio prospeto classifica de “extremamente reduzida”: nos últimos seis meses, as ações transacionaram em apenas 20 dos 124 dias de negociação, com um volume médio diário de 97 títulos.

É precisamente essa escassa liquidez bolsista que torna a oferta da ANF uma alternativa para os obrigacionistas que, chegados à fase final do empréstimo, não pretendam exercer a conversão direta em ações.

Num cenário de adesão total, a posição da associação no capital social da Farminveste subiria dos atuais 86,93% para um máximo de 87,51%, abaixo do limiar de 90% que obrigaria a mecanismos de aquisição potestativa.

O Caixa – Banco de Investimento que acompanha a oferta da ANF, entidade assistente da operação, revela numa nota técnica que acompanha o documento da oferta da ANF “a dificuldade em poderem ser considerados os valores de mercado e/ou contabilísticos das ações da Farminveste como referenciais de valor adequados, dificulta a determinação do valor económico ao direito de conversão dos obrigacionistas com base na informação pública disponível“, acrescentando que desde a emissão das obrigações, em julho de 2022, a cotação das ações apenas foi igual ou superior a 5 euros — valor de referência para a conversão — em cinco dias de negociação, o que equivale a 0,51% do período total.

A contrapartida de 5,02165 euros por título representa um prémio de 28,8% face ao preço de fecho das ações da Farminveste a 22 de maio (que era de 3,90 euros) e de 47% relativamente ao preço médio ponderado dos últimos seis meses (3,42 euros). A ANF refere ainda que a oferta não está sujeita a condições e que é eficaz qualquer que seja o montante de obrigações adquirido.

Num cenário de adesão total, a posição da associação no capital social da Farminveste subiria dos atuais 86,93% para um máximo de 87,51%, abaixo do limiar de 90% que obrigaria a mecanismos de aquisição potestativa, ao mesmo tempo que os atuais acionistas de categoria B veriam a sua participação diluída em cerca de 4,42%.

Para a ANF, o racional é simples e o orçamento já está reservado: o Conselho Nacional da associação deliberou afetar cinco milhões de euros à “redução da dívida consolidada do Grupo mediante a aquisição e posterior conversão das Obrigações 2022-2026 em capital social da Farminveste”, com a garantia de pagamento depositada junto da Caixa Geral de Depósitos. A liquidação financeira está prevista para 17 de junho de 2026, com a conversão dos títulos adquiridos a ocorrer a 23 do mesmo mês.

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