Dona da Iberia e da British Airways inclinada a desistir da corrida à privatização da TAP
O grupo IAG não deverá avançar com uma oferta na privatização da TAP. Companhia criticou o processo no passado por estar à venda apenas uma posição minoritária.
O grupo IAG, dono das companhias aéreas British Airways e Iberia, não deverá avançar com uma oferta na privatização da TAP, avança a Bloomberg, que cita fontes ligadas ao processo.
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A agência refere, no entanto, que não foi ainda tomada uma decisão final e que a opinião sobre a operação ainda pode mudar. Também não está afastada a possibilidade de avançar com uma oferta não vinculativa, que poderá não ter sequência.
Contactada, fonte oficial do grupo diz apenas que, “de acordo com o processo, o IAG tem até ao dia 2 de abril para submeter uma oferta”.
O IAG tem vindo a reiterar o seu interesse na TAP, mas também a alertar para a necessidade do negócio ir ao encontro dos objetivos de rentabilidade do grupo, manifestando preocupação com a possibilidade de os atingir como acionista minoritário. O Governo avançou com a venda de 49,9% do capital, dos quais 5% são para os trabalhadores.
“O grupo britânico IAG pretende assegurar uma posição de controlo maioritário, enquanto o Estado português se mantém firme na intenção de vender, no máximo, 49,9% do capital”, salienta ao ECO Nuno Barradas Esteves, analista financeiro especializado no setor.
O analista refere ainda que o Governo “valoriza uma forte componente de Manutenção & Engenharia, ao passo que o IAG — cuja presença nesta área, através da Iberia, é relativamente limitada — apresenta o seu principal foco no transporte aéreo. As prioridades, portanto, não estão alinhadas“.
A saída de um potencial interessado representa menos concorrência no processo, o que é, à partida, negativo para a privatização da TAP.
Na divulgação dos resultados anuais, no final de fevereiro, o grupo IAG afirmou que a alienação parcial da TAP era “uma oportunidade estrategicamente interessante para o grupo, mas que terá de ser feita em termos que criem valor para os acionistas da IAG”.
“O grupo tem reiterado que uma eventual aquisição da TAP dependeria da capacidade da transportadora portuguesa em convergir para níveis de rentabilidade semelhantes aos das suas principais subsidiárias, designadamente a British Airways, a Iberia e a Aer Lingus”, refere Nuno Barradas Esteves, que acrescenta que o atual contexto do setor aéreo europeu — marcado pelo conflito no Irão e a subida dos preços do jet fuel — “apresenta riscos acrescidos”.
Além do grupo IAG, manifestaram interesse na privatização da TAP também a Lufthansa e a Air France-KLM. As propostas não vinculativas têm de ser entregues até dia 2 de abril.
“A saída de um potencial interessado representa menos concorrência no processo, o que é, à partida, negativo para a privatização da TAP”, salienta ainda o analista.
(Notícia atualizada às 18h12 com reação do grupo IAG)
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