Montenegro recusa “penalizar o país” para ter excedente. “Não estamos obcecados com isso”
Primeiro-ministro volta a admitir a possibilidade de registar défice devido às tempestades e à guerra no Irão, mas recusa penalizar o país "de forma exagerada” para ter excedente.
O primeiro-ministro voltou a admitir que Portugal poderá ter um défice orçamental este ano, em virtude do comboio de tempestades que atingiu o país entre finais de janeiro e fevereiro e o conflito alargado no Médio Oriente. Contudo, garante que a economia nacional não será alvo de um procedimento por défice excessivo e que não está obcecado em registar um excedente nas contas públicas.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
“Não estamos obcecados com isso. Lutamos para ter uma situação positiva no nosso saldo orçamental, mas queremos um país que seja justo socialmente e pujante economicamente. E o que tivermos de fazer que concilie estes dois vetores será feito“, reiterou Luís Montenegro aos jornalistas, à entrada para a reunião do Conselho Europeu desta quinta-feira, que decorre em Bruxelas.
Estas declarações podem ser vistas como uma indireta a Pedro Passos Coelho, muitas vezes criticado por querer ir além das exigências da própria troika durante a crise das dívidas soberanas. Recentemente, em entrevista ao ECO, o antigo primeiro-ministro fez críticas ao rumo político do Executivo de Luís Montenegro, bem como à estabilidade parlamentar e à capacidade do país para executar reformas estruturais.
Pouco tempo faltará para se conhecer o resultado do saldo orçamental do ano passado. A expectativa do chefe do Governo é que seja positivo, uma ambição que mantém para 2026, apesar das “duas circunstâncias imprevistas”. “A nossa convicção é de que ainda é possível salvaguardar o quadro orçamental de maneira a termos um resultado positivo”, afirmou.
Mas, mesmo admitindo uma eventual situação de défice no fim deste ano, Luís Montenegro fez a ressalva de que, ainda assim, pode “ter equilíbrio” nas contas públicas. “O facto de ter défice não significa estar num procedimento de desequilíbrio”, sublinhou, rejeitando penalizar o país “de uma forma exagerada com uma obsessão para ter superavit“.
Conselho de Ministros decide apoio para evitar cortes totais de energia
Nas declarações aos jornalistas à entrada para a reunião do Conselho Europeu, o primeiro-ministro português aproveitou também para revelar que a medida permanente para assegurar os mínimos no fornecimento de energia a famílias em condições económicas mais vulneráveis será discutida no Conselho de Ministros desta quinta-feira.
“O objetivo é evitar cortes totais de fornecimento energético em situações críticas. Mas o âmbito e o alcance das medidas ficarão definidos no diploma que sairá do Conselho de Ministros“, disse Luís Montenegro, acerca da medida já anunciada no debate quinzenal na Assembleia da República.
O aumento dos preços da energia e a segurança do abastecimento energético, na sequência do conflito no Médio Oriente, são temas que estarão em debate no encontro desta quinta-feira dos líderes dos 27 Estados-membros da União Europeia (UE).
No contexto europeu, o líder do Governo português defende que Bruxelas deve permitir maior flexibilidade aos Estados-membros, nomeadamente através de ajudas públicas. “Há autorização para algumas ajudas de Estado, que cada Estado-membro depois utiliza de acordo com os seus sistemas, as suas políticas internas, seja também e sobretudo através de execução de uma estratégia que vem de trás e que hoje mais do que nunca se mostra necessária para o futuro”, afirmou.
Montenegro alertou ainda para a dependência europeia dos combustíveis fósseis, apontando-a como uma das causas da atual vulnerabilidade da UE, e que, nesse sentido, torna mais urgente atingir a autonomia energética: “Se hoje estamos com uma exposição grande à evolução do preço dos combustíveis fósseis, é porque ainda estamos muito dependentes deles”.
(Notícia atualizada pela última vez às 10h51)
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Montenegro recusa “penalizar o país” para ter excedente. “Não estamos obcecados com isso”
{{ noCommentsLabel }}