BRANDS' ECO IBM Technology Summit Porto: da cautela à ambição quântica

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  • 25 Setembro 2025

A segunda edição do IBM Technology Summit Porto reuniu especialistas, académicos e empresas para discutir o impacto da IA, a evolução da infraestrutura digital e o futuro da computação quântica.

“A computação quântica vai mudar as nossas vidas completamente e vamos conseguir atingir áreas que até hoje eram impossíveis sequer de pensar nelas como uma realidade”. Foi com esta convicção que Ricardo Martinho, presidente da IBM Portugal, abriu o IBM Technology Summit Porto, evento que regressou ao Terminal de Cruzeiros do Porto de Leixões para a sua segunda edição.

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Ricardo Martinho, presidente da IBM Portugal

Na intervenção inaugural, o responsável sublinhou a rapidez da evolução tecnológica e apontou duas estratégias fundamentais para as empresas: integrar novas ferramentas com as já existentes e apostar em soluções abertas. “Não dá para substituirmos tudo aquilo que temos hoje em termos tecnológicos nas nossas empresas e, portanto, pormos tudo de novo. Isso é impraticável. É fundamental que consigamos conciliar este tipo de integração”, afirmou, defendendo a abordagem de cloud híbrida da IBM.

O executivo deu exemplos práticos do impacto da inteligência artificial, em particular da nova geração de agentes digitais. “Podemos olhar para o agente como sendo um colaborador digital”, explicou, sublinhando que estas ferramentas vão muito além dos assistentes tradicionais e permitem atingir objetivos complexos de forma autónoma.

Ricardo Martinho reforçou também a importância da abertura tecnológica, lembrando que os modelos Granite da IBM são baseados em open standards. Essa abordagem, explicou, garante às empresas a possibilidade de construir modelos próprios e diferenciadores. “Se estivermos todos a usar o mesmo modelo, vamos ter as mesmas respostas às perguntas que fazemos. É fundamental que eu consiga utilizar de uma forma segura, governada, toda a informação própria, junta com a informação disponível nestes modelos, de uma forma rápida e que consiga tirar daí o máximo proveito”.

Ao falar de inovação, o presidente da IBM Portugal não deixou de abordar a computação quântica, área em que a empresa é líder mundial. Recordou o lançamento do System 2 e o objetivo de criar, até 2029, um supercomputador com mais de 100 mil qubits e tolerante a falhas. E deixou um anúncio ambicioso: “Estimamos atingir a vantagem quântica já em 2026. Ou seja, vamos conseguir, na prática, resolver problemas que não são possíveis de resolver pela computação clássica”.

Objetivo: trazer um centro de computação para Portugal

Foi neste ponto que Ricardo Martinho partilhou um desejo pessoal: trazer um centro de computação quântica para Portugal. “Acho que Portugal é o típico exemplo de um país que pode tirar o máximo partido deste novo paradigma da computação”, afirmou, lembrando a qualidade do talento nacional e a necessidade de criar condições para o reter. Para que isso aconteça, defendeu, é necessária estabilidade política e uma iniciativa nacional, envolvendo universidades, empresas e institutos de investigação.

Depois da abertura, o palco passou para Raul Liz, Business Unit Manager da Arrow ECS Portugal, que começou por saudar o público e sublinhar que, olhando para a adesão, não tinha dúvidas de que “para o ano cá estaremos para realizar uma terceira edição do IBM Technology Summit Porto”.

Raul Liz, Business Unit Manager da Arrow ECS Portugal

Numa intervenção bem-humorada, Raul Liz explicou que, em vez de se alongar em questões técnicas, decidiu recorrer a uma solução de inteligência artificial para testar algumas perguntas, nomeadamente sobre inteligência artificial, storage e FinOps, nas quais a própria IA destacou as soluções da IBM como opções robustas para contextos empresariais. “Permitam-me discordar”, atirou a certa altura, em tom de brincadeira, quando a máquina se recusou a apontar um líder universal de storage.

Postura cautelosa face à IA

O tom mudou com a intervenção de Carlos Soares, Associate Professor na FEUP e External Advisor for Intelligent Systems da Fraunhofer Portugal. “Tipicamente, os académicos são mais entusiasmados por tecnologia e as empresas são mais cautelosas. Nós estamos num momento em que está tudo virado ao contrário”, afirmou, lembrando que muitos o conhecem como o “Velho do Restelo” pela postura cautelosa face ao entusiasmo generalizado em torno da inteligência artificial.

Carlos Soares, Associate Professor na FEUP e External Advisor for Intelligent Systems da Fraunhofer Portugal

O investigador alertou para os riscos de visões extremadas, tanto a ideia de que “de agora em diante vai ser tudo bom”, como a perceção de que “é o fim do mundo”. Para Carlos Soares, o equilíbrio é essencial. “Qualquer tecnologia pode ser bem utilizada ou mal utilizada”, sublinhou, usando a indústria farmacêutica como paralelo: tal como os medicamentos são acompanhados de um processo rigoroso e de uma bula que dá confiança ao utilizador, também a IA deveria assentar em processos de desenvolvimento responsáveis, auditáveis e transparentes.

O académico apontou a falta de mecanismos de rastreabilidade como um dos principais problemas da utilização de modelos de IA. “Estamos a usar artefactos de IA com pouca informação ou com informação insuficiente sobre o seu comportamento”, notou. Exemplificou com casos internacionais que se tornaram mediáticos, como o da Amazon, que viu os seus modelos de recrutamento serem acusados de discriminação. Defendeu que, tal como na farmacêutica, é preciso aprender com os erros e implementar práticas de governança sólidas para evitar custos elevados, penalizações e danos reputacionais.

Carlos Soares destacou ainda projetos desenvolvidos em Portugal, como a plataforma AICeBlock, criada pela Fraunhofer em parceria com a Imprensa Nacional-Casa da Moeda, que utiliza blockchain para registar de forma fiável todas as etapas de desenvolvimento de modelos de IA. Sublinhou também a necessidade de incorporar desde o início uma “atitude responsável” no desenho de sistemas, referindo exemplos de iniciativas como a Bright Factory, que desenvolve agentes conversacionais com preocupações éticas desde a sua génese.

O problema é a estupidez

“O que mais me preocupa não é a inteligência, é a estupidez”, observou, numa crítica ao excesso de opiniões pouco fundamentadas que ocupam espaço público, muitas vezes em substituição de conhecimento científico sólido. Nesse sentido, deixou um apelo a que as universidades retomem o papel central na produção e disseminação de conhecimento. “Não há razão nenhuma para não contratarmos pessoas adequadas, pessoas que percebam deste assunto, para ver se a governança da IA corre melhor”, concluiu.

O tema da IA prosseguiu com Nuno Maximiano, Data Tech Sales Manager na IBM SPGI, que sublinhou a importância de “fazer a IA certa e fazer bem a IA”. Seguiu-se a apresentação de Sérgio Castro, Senior Vice President Business Development da Jolera, intitulada Do Dakar à IA: A Jornada da Jolera.

Um dos momentos altos da manhã foi o painel Acelerar com IA, que juntou Rui Gomes, CIO do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Rui Valente, Diretor de IT da Colep, e Ruben Sousa, Senior Vice President – Data & AI da Jolera, numa conversa moderada por Filipa Caldeira, Data & AI Sales da IBM Portugal.

Após o intervalo, as atenções voltaram-se para a infraestrutura tecnológica. Lara Campos Tropa, Infrastructure & Cloud Leader da IBM Portugal, lançou o tema, seguido da intervenção de Jorge Duarte, CEO da IT Peers, com A Journey into Hybrid Cloud.

Um painel dedicado à infraestrutura reuniu novamente Lara Campos Tropa, Manuel Prates, Systems Hardware Sales da IBM Portugal, e Mariana Relvas, Storage Brand Sales da IBM Portugal. A sessão prosseguiu com a apresentação de Tomás Cerejeira, Automation Sales da IBM Portugal, sobre as soluções da HaschiCorp, TerraForm e Vault, focadas em automação e segurança.

A sustentabilidade esteve igualmente em destaque, com Joana Dinis, Sustainability Finance & ESG Manager da Timestamp, a apresentar a jornada digital com IBM Envizi. Seguiram-se as intervenções de Paulo Valadares, Director de SAP Consulting Solutions da Timestamp, que falou sobre o IBM Maximo, e de João Martins, Data Analytics & AI Senior Manager da Noesis, que abordou o tema How to Succeed in FinOps and Data Management with IBM. Antes do almoço, Carlos Gonçalves, Consultor Sénior da ITGest, encerrou o bloco da manhã com Automatizar para Transformar: O Poder do IBM BAW.

A tarde abriu com Gonçalo Costa Andrade, Diretor de Software da IBM Portugal, que apresentou IBM Technology in Action. Seguiu-se a exposição de casos de estudo de IA para empresas por Marta Freitas, Data & AI Sales da IBM Portugal, e Rui Barata Ribeiro, IBM Strategic Accounts Manager – Data Platform da IBM Portugal.

A governança financeira do IT foi o foco de Arlindo Dias, IT Automation – SME na IBM SPGI, numa intervenção sobre IBM Apptio. Houve ainda espaço para que Simão Moura, Storage Technical Specialist da IBM Portugal, conduzisse a apresentação e demonstração de Fusion.

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