Primeiro-ministro cancela férias após primeira vítima mortal nos incêndios
Montenegro cancelou o período de férias que tinha previsto e antecipou o regresso ao trabalho. Decisão surge após a morte do ex-autarca de Vila Franca do Deão, Carlos Dâmaso, e críticas do Almirante.
O primeiro-ministro cancelou esta sexta-feira o período de férias que tinha previsto para esta época, devido aos incêndios que atingem o país, disse à agência Lusa uma fonte do gabinete de Luís Montenegro.
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Segundo a fonte, o primeiro-ministro “cancelou o período de férias que tinha previsto, entre o dia de hoje e o dia 22 de agosto”. Luís Montenegro “esteve de férias nos últimos cinco dias, embora com agenda pública em quatro desses dias”, acrescentou.
Portugal está em situação de alerta devido ao risco de incêndio desde 02 de agosto e, nas últimas semanas, têm deflagrado vários incêndios no norte e centro do país que já consumiram mais de metade dos cerca de 75 mil hectares de área ardida este ano.
A situação de alerta foi prolongada até domingo, anunciou na quinta-feira a ministra da Administração Interna, Maria Lúcia Amaral. Esta sexta-feira, a Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil anunciou que Portugal ativou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil no âmbito do combate aos incêndios, solicitando aviões para apoio ao combate. Decisão foi tomada após as dificuldades sentidas durante a noite na supressão do fogo na Lousã.
A decisão do primeiro-ministro surge no dia em que foi confirmada a primeira vítima mortal nos incêndios florestais deste ano, o ex-autarca de Vila Franca do Deão, na Guarda, Carlos Dâmaso. Em declarações à agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal da Guarda, Sérgio Costa, confirmou que Carlos Dâmaso morreu na sequência do combate às chamas, tendo o seu corpo sido encontrado esta sexta-feira.
Esta sexta-feira, Luís Montenegro foi alvo de críticas do candidato presidencial Henrique Gouveia e Melo. Um dia depois da tradicional Festa do Pontal, em Quarteira, o Almirante na reserva criticou os políticos que mantém uma agenda numa “bolha de cinismo frio” perante o sofrimento, defendendo que devem estar ao lado da população.
“Não posso deixar de ficar incrédulo e chocado com a postura de alguns responsáveis políticos que, alheios ao terror vivido pelas populações, mantêm as suas agendas, numa bolha de cinismo frio perante o sofrimento. Se não conseguem prevenir, nem remediar, espera-se, no mínimo, que estejam presentes, ao lado do povo, no seu sofrimento“, escreveu Henrique Gouveia e Melo, numa publicação no Facebook.
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