Governo aprova proposta para Península de Setúbal ter mais fundos europeus

Ministra da Coesão anuncia que Conselho de Ministros aprovou NUT III para a Península de Setúbal e já comunicou à Comissão Europeia essa intenção, de modo à região ter acesso a mais fundos europeus.

“Aprovámos, em Conselho de Ministros, a NUT III [Nomenclatura de Unidade Territorial] para a Península de Setúbal e já comunicámos à Comissão Europeia a intenção de constituir na Península de Setúbal uma NUT III e uma NUT II”, anunciou a ministra da Coesão Territorial, Ana Abrunhosa, no Parlamento, no âmbito da discussão na especialidade do Orçamento do Estado para 2023 (OE2023).

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“É um território que, pelo facto de estar inserido na Área Metropolitana de Lisboa [AML], tem tido sistematicamente apoios que não correspondem à sua realidade em termos de desenvolvimento”, justificou a ministra da Coesão Territorial. Esta alteração vai permitir autonomizar a região que está integrada na NUT AML, passando a ter acesso a mais fundos europeus. E que inclui as localidades de Alcochete, Almada, Barreiro, Moita, Montijo, Palmela, Seixal, Sesimbra e Setúbal.

O pedido para a criação da NUTS II já sido tinha entregue a Bruxelas em fevereiro deste ano. Agora, foi aprovada, em Conselho de Ministros, a criação de NUT III para a Península de Setúbal, ou seja, a constituição de uma unidade territorial mais pequena que vai permitir que os nove municípios desta sub-região tenham acesso a mais fundos comunitários.

A resolução do Conselho de Ministros vai à Assembleia da República “muito em breve“, segundo Ana Abrunhosa.

De acordo com o comunicado do Conselho de Ministros, “foi aprovada a proposta de lei, a submeter à Assembleia da República, que altera o regime jurídico das autarquias locais, aprofundando o regime das áreas metropolitanas e das comunidades intermunicipais (CIM), no âmbito do processo de revisão das NUTS em curso”.

Interpelada sobre a promessa governamental da abolição das portagens, a ministra respondeu que “o que consta do programa do Governo é a redução das portagens [nas autoestradas dos territórios] do interior e da A22 – Via do Infante de Sagres”. Mais, reitera Ana Abrunhosa: “Nunca escondi que o interior merece a extinção das portagens e que é um caminho a fazer. O compromisso que aqui deixo é trabalharmos na redução das portagens do interior no âmbito de um programa mais alargado“.

Ana Abrunhosa considera que não há muita alternativa no interior em termos de vias e de transportes coletivos. Por isso, a governante considera necessário ter, em simultâneo, no interior “programas de mobilidade e de acessibilidade”, referindo-se ao Programa de Apoio à Redução Tarifária (PART) e ao Programa de Apoio à Densificação e Reforço da Oferta de Transporte Público (ProTrans). “Além de fomentar o uso de veículos elétricos”, sublinha.

Nunca escondi que o interior merece a extinção das portagens e que é um caminho a fazer.

Ana Abrunhosa

Ministra da Coesão Territorial

A ministra da Coesão Territorial defende ainda que é preciso “apoiar as comunidades intermunicipais [a fazerem] concursos para contratação de operadores para transportes públicos”.

A governante adiantou também que 39 municípios não agendaram a primeira reunião para o processo de revisão dos Planos Diretores Municipais (PDM). Não iniciaram o processo dentro do prazo previsto, 31 de outubro. Advertiu, contudo, que “continuam a poder candidatar-se [nas áreas] da educação, saúde e habitação que são fundamentais”.

Ainda segundo Ana Abrunhosa, “já exercem competências na área da educação, desde 1 de abril, a totalidade dos municípios”, ocorrendo o mesmo na área da Cultura “apenas no que se refere ao licenciamento de espetáculos de natureza artística”. Mas quanto à gestão do património classificado, já são 41 municípios num universo de 56.

Na área da saúde, cuja transferência de competências está dependente da assinatura de um auto com a tutela, a ministra divulga que 52 de um total de 278 assinaram autos de transferência.

O OE2023 contempla 1.204 milhões de euros no Fundo de Financiamento para a Descentralização (FFD), um reforço superior a 200 milhões em relação a este ano.

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