Merkel quer uma UE mais “atrativa”. Brexit foi “chamada de atenção”
Numa rara entrevista ao Financial Times, a chanceler alemã diz que a UE tem de ser "atrativa, criativa e inovadora" e avisou que o Brexit foi "uma chamada de atenção". Falou ainda da União Bancária.
A União Europeia (UE) tem de chamar a si “mais responsabilidade” e apostar em ser competitiva, de forma a continuar relevante, avisa Angela Merkel, numa rara entrevista ao Financial Times (acesso pago).
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
Numa altura em que os valores liberais da chanceler alemã têm sido postos em causa em vários episódios por todo o mundo, a chanceler alemã diz ainda que o Brexit foi uma “chamada de atenção” e que a UE é como um “seguro de vida” para a Alemanha. Além disso, mostra-se hesitante com a União Bancária.
“A Alemanha é demasiado pequena para exercer influência geopolítica por si mesma, e é por isso que precisamos de recorrer a todos os benefícios do mercado único”, afirma Angela Merkel, admitindo que, apesar da intenção, a lógica de parceria na base da UE está sob uma “pressão” cada vez maior.
Exemplo disso é a saída do Reino Unido da UE. Angela Merkel diz ver o Brexit como uma “chamada de atenção” ao bloco e avisa que a UE tem de apostar em reforçar a competitividade, tornando-se “atrativa, criativa e um bom sítio para investigação e educação”. “A concorrência pode ser muito produtiva”, salienta.
O diagnóstico está feito. Apesar de reconhecer que a UE pode estar na frente da legislação dos temas digitais, como foi o caso do Regulamento Geral de Proteção de Dados (RGPD), a chanceler da Alemanha alerta, contudo, que existem “falhas” no setor tecnológico que têm de ser preenchidas. Nesse sentido, Merkel vê como “possível” a produção de chips eletrónicos na UE, ou mesmo de baterias, por exemplo para os carros elétricos.
Na entrevista, Angela Merkel também expressa a necessidade em se reformar alguns organismos comuns. Apesar das divergências conhecidas com o presidente Donald Trump, dos EUA, Merkel concorda com a ideia de que a Organização Mundial do Comércio e as Nações Unidas têm de ser alvo de reformas: “Não há dúvida de nenhuma sobre isso. Mas eu não ponho em causa a estrutura multilateral do mundo”, remata.
![]()
"A UE tem de ser atrativa, inovadora, criativa, um bom sítio para investigação e educação.”
Mas Merkel não fala só de perspetivas geopolíticas para a UE. Na mesma entrevista, a chanceler reconhece que o país está “ligeiramente hesitante” com a ideia de avançar já com a União Bancária na UE. Explica que, na base dessa hesitação, está o “princípio de que todos têm de reduzir primeiro os riscos no seu próprio país antes de esses riscos serem mutualizados”.
A União Bancária é um projeto europeu que visa criar um “sistema de supervisão e resolução bancárias” ao nível da UE. O objetivo é garantir a segurança e fiabilidade do setor bancário em todo o bloco.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Merkel quer uma UE mais “atrativa”. Brexit foi “chamada de atenção”
{{ noCommentsLabel }}