O Web Summit acabou, e agora?

O ECO falou com várias startups que vieram ao Web Summit tentar fazer negócio. Cada uma tentou chamar atenção à sua maneira e parece que resultou. Para o próximo ano fica a promessa de um regresso.

Ao fim de quatro dias de trabalho e inspiração, o Web Summit chegou ao fim. O ECO foi ao encontro das startups para perceber se a vinda a Lisboa valeu a pena e se conseguiram criar parcerias. Pelos vistos valeu. Cada um usou as armas que tinha e, no final, garantem que o objetivo foi concluído com sucesso.

Mesmo no último dia, desengane-se quem pensou que o ambiente ia acalmar. A multidão continuava lá e as empresas continuam em busca do novos contactos e futuras parcerias. João Rosa aproveitou para visitar o evento com mais atenção. O sócio da 3DWays veio ao Web Summit para “procurar resolver o problema da dificuldade da impressão 3D profissional” que, segundo ele, tem tudo para dar certo.

O 3D não é o presente, é o futuro. Com o 3D podemos construir tudo o que quisermos“, dizia. A empresa de João Rosa destaca-se pelo facto de conseguir dar “apoio online, em tempo real” ao cliente, mesmo que a máquina esteja noutro país. O objetivo é “criar um verdadeiro hub das impressões 3D”, explica.

Stand no Web Summit, vale a pena?

O investidor conta o papel fundamental que o Web Summit representa para empresas como a sua: depois de no ano passado ter cá estado sem stand, este ano com um, assegura que a presença de uma bancada influencia, e muito, o contacto e a exposição da empresa. “Fizemos muitas parcerias no primeiro dia, quando tivemos o stand. Já tinha cá estado o ano passado sem stand e a diferença foi completamente diferente. Conseguimos mostrar mais o nosso produto“.

João Rosa é sócio da 3DWays.Paula Nunes/ECO

"Fizemos muitas parcerias no primeiro dia, quando tivemos o stand. Já tinha cá estado o ano passado sem stand e a diferença foi completamente diferente. Conseguimos mostrar mais o nosso produto.”

João Rosa

3DWays

Não é só João Rosa que considera o Web Summit um rampa de lançamento para muitas empresas. Também Frederico Paiva, responsável de negócio da Samsung, assegura que conseguiu “tirar muitas ideias” e “perceber uma série de soluções”. Ao fim de quatro dias, relembra a importância do evento: “para a economia em geral e não para qualquer empresa em particular. Penso que dá espaço a uma nova geração de empreendedores e vai permitir abrir muitos negócios e desenvolver a economia”.

No fim da conversa ficou uma promessa. Quando questionado se estaria cá novamente para o ano, Frederico assegurou que, mesmo que a empresa não esteja, o que é difícil de acontecer, “Eu, pelo menos, estarei de certeza”.

Foi a explorar o recinto que encontramos Justine Sain-Eve Fromont, vinda diretamente de Paris. Representante da Synapse Editions, uma aplicação que se divide entre e-books e jogos online, contou ao ECO que veio ao Web Summit para “conhecer outras startups, investidores, parceiros e participar nas conferências”, que tanto elogiou. E não vai para França de mãos a abanar. Justine conta que conseguiu fazer “alguns negócios” e teve a “oportunidade de travar muitos conhecimentos”. Para o ano, entre sorrisos, confessa que “gostaria muito de voltar”.

Justine Saint-Eve Fromont é a representante da Synapse Editions.Paula Nunes/ECO

Um pouco à frente, a passear pelo recinto, a Patrícia e a Madalena não conseguiram passar despercebidas com as mensagens apelativas que traziam estampadas nas mochilas. São da PrimeIt, uma consultora tecnológica que atua nas áreas das telecomunicações e do marketing digital e garantiram que o peso que carregavam não as fazia desanimar.

Contrariamente a João Rosa, das impressoras 3D, este ano as jovens empreendedoras voltaram ao Web Summit mas, desta vez, sem stand. Ficaram-se pelas mochilas, mas garantem que é mais “divertido”. “Com um stand, obviamente que temos muitas mais pessoas a virem diretamente falar connosco, não necessariamente potenciais clientes, mas todo o tipo de pessoas. Com as mochilas conseguimos visitar todo o Web Summit, mas é mais difícil abordá-las. É mais difícil assim, mas mais divertido“, contam. Para o ano, dizem, a ideia será unir o stand e as mochilas de forma a conseguir chegar a um maior número de potenciais investidores.

Havia uma “mercearia” e mulheres em cima do balcão

Partindo do princípio que o que mais vende é o que é mais apelativo, cada um usa as armas que tem para conseguir compradores ou, neste caso, investidores. Este ano, o stand de João Rosa destacou-se dos demais por ter uma particularidade única: os preços afixados. “A nossa bancada parecia uma mercearia. Tínhamos preços para as pessoas saberem quanto custa o produto, em comparação com diferentes tecnologias”, conta.

E ainda garante que isso lhe valeu muitos contactos. “Não só fizemos várias parcerias como foi muito interessante porque saímos daqui não só com uma solução de modelo de negócio, mas com um conjunto potencial de parceiros que nos vão permitir chegar a outros países“, disse o investidor da 3DWays.

Mas, neste stand da Kitchintable, não há preços e quem manda são as mulheres! Laila Dupuy veio de Londres para o Web Summit e trouxe consigo a sua empresa criada exclusivamente para o mundo feminino. A Kitchintable é uma plataforma que pretende unir as mulheres, oferecendo a possibilidade de partilha das suas próprias mesas de cozinha para trabalho. E parece que tem funcionado, e segundo Laila tem tido uma grande adesão por parte do público feminino e recebeu vários elogios durante o evento.

Laila Dupuy, da empresa Kitchintable, veio de Londres para o Web Summit.Paula Nunes/ECO

No entanto, agradar ao público masculino é que parece ser mais difícil. A fundadora da Kitchintable conta que “os homens nem sequer olham porque estão duas mulheres no stande o nome também não ajuda. “É como se estivesses no baile de finalistas à espera que um rapaz (investidor) se aproxime para conversar”, diz. Ainda assim, isso não vai parar a Kitchintable. “Acho o Web Summit incrível, adoro!” e para o ano há mais.

Um pouco mais longe, diretamente do Estado de Donald Trump vieram o Fabrice e o Pietro. Intitulam-se os “Uber’s e os Airbnb para festas e eventos” e representam a Tuunrt: uma aplicação que pode ajudar vários party lovers a encontrar as melhores festas da cidade. Passamos a explicar: sempre que procurar alguma festa ou evento perto de si, basta recorrer à Tuurnt. Irá ter acesso a todas as festas nas redondezas, horários e preços, mas a particularidade é que consegue ver em direto o que lá se passa.

Fabrice Mishiki e Pietro Kabeya da Tuurnt. O negócio deles é festa.Paula Nunes/ECO

Como? Os utilizadores da aplicação que estejam na festa/evento publicarão na plataforma vídeos em direto do ambiente que lá se vive. Assim, poderá decidir se lhe agrada ou não. Para além disso, Pietro conta que o utilizador tem ainda a “chance de criar o seu próprio evento e conseguir dinheiro com isso, ao estipular um preço e convidando as pessoas que quiser“.

É o primeiro dia da Tuurnt em Portugal e na Web Summit, mas ambos os responsáveis garantem que será uma experiência a repetir, e nem sequer vão precisar de ver vídeos em direto para decidir se vêm, ou não.

Outros participantes e negócios na Web Summit

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