Mota-Engil América Latina? “Um dia esse caminho pode ser possível”

Presidente da construtora pensa em colocar o negócio africano ou o latino-americano na bolsa, mas lembra "tentativa falhada" com a Mota-Engil África para dizer que não está nos planos neste momento.

António Mota e as irmãs no aniversário dos 30 anos da Mota-Engil na bolsa portuguesa.Paula Nunes

António Mota, presidente da Mota-Engil que celebra esta segunda-feira 30 anos na bolsa de Lisboa, adiantou que a construtora admite lançar um novo IPO (initial public offering) do seu negócio em África ou até estrear a América Latina em bolsa, mas lembrou a experiência não tão bem-sucedida com a colocação da Mota-Engil África na bolsa de Amesterdão em 2014.

“Ter Mota-Engil África ou Mota-Engil América Latina? Um dia esse caminho pode ser possível”, referiu o presidente do Conselho de Administração da empresa portuguesa na cerimónia de aniversário da terceira década de presença no mercado de capitais. “Mas neste momento não há nenhuma intenção”, frisou ainda. Porquê?

O responsável lembrou a tentativa “falhada” com o IPO da Mota-Engil África que entrou na bolsa holandesa em 2014 e um ano depois já estava a ser reabsorvida pela casa-mãe a metade do preço de admissão. “Se calhar foi cedo demais para nós”, justificou o filho do fundador da Mota & Companhia, empresa constituída em 1946 por Manuel António da Mota.

"Ter Mota-Engil África ou Mota-Engil América Latina? Um dia esse caminho pode ser possível.”

António Mota

Presidente da Mota-Engil

Mais de 80% da carteira de encomendas encontra-se nos mercados de África e América Latina, avaliada em mais de quatro mil milhões de euros.

Questionado pelos jornalistas se a Mota-Engil EGL 0,06% pensa explorar novos mercados, António Mota disse que a construtora pensa em consolidar os negócios que detém atualmente. “Mercado asiático? É muito longe para nós”, disse.

António Mota, presidente da Mota-Engil, no discurso do 30º aniversário da construtora na bolsa.Paula Nunes

António Mota frisou ainda que a economia portuguesa e africana estão em fase de “pré-bonança”, razão pela qual espera que os resultados cresçam mais no próximo ano do que em 2017, sem precisar números. Acrescentou ainda que espera que o mercado africano recupere novamente o estatuto de principal mercado, superando o maior contributo que a América Latina dá atualmente para as receitas do grupo.

Sobre os 30 anos da vida da construtora na bolsa, António Mota referiu que a Mota-Engil continua a ser uma empresa familiar justamente por causa da presença no mercado de capitais. “Foram 30 anos que permitiram que a cultura dos fundadores da empresa pudesse ser expandida para todos os sítios, com ambição, compromisso e resiliência. Foi isso que aprendemos com os fundadores, com o meu pai”, recordou.

Por fim deixou o desejo de “marcar encontro para daqui a 20 anos”, numa plateia que contou com a presença das irmãs Maria Manuela Mota, Maria Teresa Mota e Maria Paula Mota e ainda do atual CEO do grupo, Gonçalo Moura Martins e do seu antecessor, Jorge Coelho.

Já Paulo Rodrigues Silva, presidente da Euronext Lisbon, disse que tem “particular carinho e apreço pela Mota-Engil”. “É uma das mais antigas da bolsa de Lisboa. “Faz parte da safra de 87, foi um bom ano da bolsa“, sublinhou.

“A Mota-Engil é um exemplo da importância do mercado de capitais no financiamento da economia real. E sempre soube aproveitar o mercado de capitais sem perder o seu cariz familiar”, ressalvou ainda Paulo Rodrigues Silva.

"Foram 30 anos que permitiram que a cultura dos fundadores da empresa pudessem ser expandidas para todo os sítios, com ambição, compromisso e resiliência. Foi isso que aprendemos com os fundadores, com o meu pai.”

António Mota

Presidente da Mota-Engil

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