CGD: Governo de Passos meteu imparidades na gaveta
Dois pareceres da IGF relativos a 2014 alertavam para o agravamento das imparidades na Caixa. Governo recebeu os documentos em março, mas só os despachou seis meses depois. A quinze dias das eleições.
Em março do ano passado, o Ministério das Finanças do Governo de Passos Coelho recebeu dois pareceres da Inspeção-Geral das Finanças (IGF) que, com base nos relatórios trimestrais da Comissão de Auditoria da Caixa Geral de Depósitos (CGD), alertavam para um aumento das imparidades no banco público.
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No entanto, só em setembro, a quinze dias das eleições legislativas, é que os documentos foram despachados para a Direção-Geral do Tesouro e Finanças por Manuel Rodrigues, à data, secretário de Estado das Finanças. Os pareceres da IGF ficaram, assim, arrecadados durante seis meses e, apesar de saber desse incremento nas imparidades, o Governo não pediu nenhuma auditoria ao banco. A notícia é avançada esta segunda-feira pelo jornal Público.
Os documentos são pareceres da IGF sobre os relatórios da Comissão de Auditoria do banco público referentes ao terceiro e quarto trimestre de 2014, e que não são uma mera “opinião de auditoria”. Como nota o jornal, ganham ainda mais relevância por dizerem respeito ao período em que foi efetivada a recapitalização da CGD por Maria Luís Albuquerque, decidida por Vítor Gaspar em 2012. O valor foi de quase 1,5 mil milhões de euros.
Segundo o Público, no relatório do terceiro trimestre de 2015 lê-se que houve um “incremento” das imparidades em cadeia. Já o documento do quarto trimestre desse ano fala num “acréscimo” das imparidades. Ambos os documentos chegaram ao Parlamento, já rasurados ou com informação apagada, no âmbito da Comissão de Inquérito à Caixa.
Em 2015, apuraram-se 1,5 mil milhões de euros em imparidades na CGD, bem como 4,5 mil milhões de euros em exposição. De acordo com o jornal, a informação visível nos pareceres do IGF não permite calcular o valor do aumento trimestral das imparidades a que estes se referiam.
Recorde-se que, na semana passada, veio a público um relatório do Tribunal de Contas (TC) que apontava para um insuficiente controlo da instituição por parte do Governo liderado por Passos Coelho. Nele, o mesmo tribunal recordava que o banco se encontrava, nessa altura, exposto “a matérias de especial risco” e que, ainda assim, “não foram obtidas evidências de o acionista ter solicitado à IGF ações de fiscalização”. O resultado? “A aprovação dos documentos de prestação de contas foi efetuada com base em informação incompleta”, referia o TC no documento.
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