A tecnologia ainda é um feudo masculino

As mulheres têm cada vez menos dificuldades em lidar com tecnologia, mas fazer da tecnologia profissão continua a não as seduzir.

As mulheres representam mais de metade da força de trabalho, mas ocupam apenas 25% das funções na computação. Quando se aprofunda um pouco mais esta análise, descobre-se que são ainda em menor número as que se encontram no desenvolvimento de software e no comando de empresas tecnológicas. O mais estranho é, contudo, verificar que há áreas, como as profissões ligadas à computação onde o número de mulheres está em declínio desde 1991 (passou de 36% para 25%).

Um estudo liderado por Jennifer Glass em 2013 nos Estados Unidos revelou que as taxas de abandono do trabalho na área das engenharia e da tecnologia era de 50% ao fim de 12 anos de carreira, contra apenas 20% em outras profissões. Este desencanto pode justificar-se pelo facto de as mulheres sentirem que o seu trabalho não é valorizado, que a sua opinião não é escutada, que não são convidadas para projetos que as desafiem e lhes deem visibilidade, e que por isso não vão conseguir evoluir profissionalmente, sendo mais fácil passar ao nível seguinte em outras áreas, revelava dois outros estudos feitos pelo Clayman Institute for Gender Research, em 2007, e pelo Anita Borg Institute, em 2008.

Um outro estudo feito pela Accenture e pela Girls Who Code, também nos Estados Unidos, indica que se nada se fizer para captar mais jovens para esta área, em 2005 a percentagem de mulheres a trabalhar nesta área decrescerá para 22%. Este estudo, realizado no ano passado, chama a atenção para a urgência de se tomarem medidas rápidas e específicas para atrair as meninas para a tecnologia. Se nada for feito em 2025 haverá apenas 1,7 milhões de mulheres a trabalharem nesta área, mas com medidas específicas, será possível chegar aos 3,9 milhões.

As empresas de tecnologia estão a sentir dificuldades não só em contratar mulheres para funções técnicas, como a programação, como também mulheres para os boards. Por isso, há empresas que já estão no terreno, como a Accenture e a Siemens, por exemplo, que têm programas junto das escolas para despertar o interesse das meninas para a tecnologia.

Na verdade, até ao nível da criação de empresas há poucas mulheres a fazê-lo na área tecnológica e também este número está em decréscimo. O relatório Silicon Valley Bank US Startup Outlook 2017 revela que mais de 70% das 941 startups inquiridas no ano passado não tinham uma única mulher no board, e que 54% também não tinham mulheres em funções executivas.

Na Europa, o panorama não é mais animador – segundo a Comissão Europeia as mulheres representam 30% dos 7 milhões de postos de trabalho em tecnologias de informação e comunicação -, pelo que não é difícil imaginar que a realidade em Portugal não seja muito diferente. Apesar de termos várias empresas tecnológicas lideradas por mulheres, a verdade é que este continua a ser um mundo de homens.

Para debater o que afasta as mulheres desta área onde se prevê que em 2020 haja uma carência de 900 mil profissionais, a Executiva organiza a conferência ‘Mulheres na Tecnologia’, com o patrocínio da Accenture e da NOVA Information Management School, e o apoio da Siemens. Vamos reunir CEO, especialistas em sistemas de informação, recursos humanos e diversidade para debater o que estão as empresas a fazer para captar e reter mais talento feminino nesta área. E contaremos também com seis mulheres que trabalham em tecnologia para falarem sobre o que as apaixona e desafia diariamente no seu trabalho. No final, o tema da intervenção de Pedro Pina, o keynote speaker da conferência, é “A diversidade é um facto, a inclusão é uma decisão”, ou o que se passa nesta área e o que é necessário fazer para provocar mudanças e torná-la mais apelativa para as mulheres.

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