Margarida Balseiro Lopes defende, no ECO dos Fundos, a necessidade de "diversificar as fontes de financiamento" na Cultura e admite "refletir sobre o sistema de gratuitidades que atualmente existe".
A ministra da Cultura admite que, para garantir a sustentabilidade dos equipamentos culturais, é necessário diversificar as fontes de financiamento e por isso admite rever o sistema de gratuitidades que atualmente existe nos museus.
Escolha o ECO como fonte preferida no Google
“A atualização [dos preços dos bilhetes] já existiu este ano. Poderemos eventualmente refletir sobre o sistema de gratuitidades que atualmente existe, até porque precisamos que as pessoas valorizem a cultura”, admitiu Margarida Balseiro Lopes, no ECO dos Fundos, o podcast quinzenal do ECO sobre fundos europeus. Para a ministra da Cultura esta é a forma das pessoas valorizarem a Cultura. “Alguma coisa que não é paga terá menos valor do que alguma coisa que é paga. Isto está cientificamente, economicamente mostrado”, justifica.
Contudo a responsável ressalva que isto “não significa” que não haja políticas públicas para garantir o acesso.
Margarida Balseiro Lopes revelou ainda que vai ser feita uma aposta forte nas lojas dos museus, que em outubro vai lançar um financiamento de um milhão de euros para serviços educativos de museus, que terá uma majoração para os territórios de baixa densidade populacional, e lançar, até ao final do ano, uma linha de financiamento para a internacionalização num valor de um milhão de euros. “Para permitir que um escritor possa participar numa feira do livro, que o músico possa participar num festival internacional”, explica.
A percentagem do Orçamento do Estado para a cultura sempre foi a mais baixa de todas. É necessário aumentar o preço das entradas nos museus? Será através da nova lei do Mecenato que vai conseguir encontrar receitas para as manutenções dos equipamentos culturais?
Todos esses exemplos que deu são realidades, ou seja, precisamos de diversificar as fontes de financiamento, é verdade. Precisamos, por exemplo, nessa diversificação das fontes de financiamento, apostar em lojas de museus, que é uma das prioridades da Museus e Monumentos, EPE, que gera a maior parte dos museus em Portugal. É também uma fonte de financiamento que nunca foi objeto de grande investimento e que agora começa a acontecer.
Um desses exemplos é o Museu da Música, em Mafra, que já reabriu em novembro e que tem, no final da visita – que vale mesmo muito a pena – uma loja que permite levar alguma recordação e permite também que seja uma fonte de financiamento para todas as outras atividades e serviços que queremos que os museus tenham.
Queremos que os museus tenham serviços educativos ou que tenham serviços melhores. Vamos lançar em outubro um financiamento de um milhão de euros para serviços educativos de museus. Mas para financiar estas políticas públicas, precisamos de garantir maior sustentabilidade dos nossos equipamentos culturais.
O aumento do preço das entradas dos museus seria direcionado para os turistas estrangeiros, mantendo a gratuidade para os nacionais?
A atualização já existiu este ano. Poderemos eventualmente refletir sobre o sistema de gratuitidades que atualmente existe, até porque precisamos que as pessoas valorizem a cultura.
É aumentando o preço ou passando a cobrar entrada que fará com que as pessoas valorizem mais?
Alguma coisa que não é paga terá menos valor do que alguma coisa que é paga. Isto está cientificamente, economicamente demonstrado. O que não significa que não devamos ter políticas públicas para garantir o acesso.
Já disse várias vezes que tenho quatro prioridades na cultura. A primeira tem a ver com as acessibilidades, porque continuamos a ter museus que não são acessíveis para todas as pessoas. Há barreiras físicas, mas há outro tipo de barreiras do ponto de vista da comunicação, da experiência.
Por exemplo, o Museu da Música é um desses bons exemplos, até em resultado das intervenções feitas – é, atualmente, um dos que está com melhores condições. É possível a uma pessoa surda ter acesso à experiência do museu através de um colete sensorial. Este tipo de experiências tem de existir também nos museus públicos.
Temos também de investir aqui: acessibilidades, serviços educativos e mediação cultural, garantir que os museus são portas de entrada para crianças e jovens.
E as outras?
A questão da coesão territorial e da internacionalização. É preciso olhar para o país todo. Este financiamento que vamos lançar em outubro vai ter uma majoração para os territórios de baixa densidade populacional, que muitas vezes acabam por ser concelhos onde a oferta cultural não é tão rica, ou tão diversificada. Precisamos que a cultura chegue a toda a gente.
Ao nível da internacionalização, já houve a experiência de levar a coleção de arte moderna para fora. Há outras iniciativas semelhantes na calha?
Há. Acabámos por ter um momento muito importante para a coleção de arte contemporânea do Estado, que faz este ano 150 anos. Abrimos, a 1 de julho, a casa da coleção de arte contemporânea. Durante 50 anos funcionou em armazéns arrendados. Sem as melhores condições de conservação, manutenção destes espaços, mas também com custos relevantes.
Estamos a falar de cerca de 660 mil euros que eram anualmente despendidos para a utilização destes espaços que não eram do Estado. Já é possível visitar, no concelho de Cascais. Esta é outra dimensão. Agora temos reservas visitáveis, a coleção de arte contemporânea do Estado é de cada um de nós.
A coleção de arte contemporânea do Estado, durante 50 anos funcionou em armazéns arrendados. Sem as melhores condições de conservação, mas também com custos relevantes. Estamos a falar de cerca de 660 mil euros que eram anualmente despendidos.
A nossa estratégia é privilegiar a circulação nacional, a coleção é para circular nos nossos museus. Há, obviamente, por exemplo, o Museu de Arte Contemporânea do CCB, que é um parceiro privilegiado, que utiliza essa coleção, ou, por exemplo, a Villa Portela em Leiria, que ainda agora, na sequência das intempéries, reabriu quase a seguir.
Portanto, ir novamente para todo o território, mas também ir para fora do país. Estivemos em Xangai, ou seja, pela primeira vez fora da Europa em novembro e temos também agendadas cedências de muitas das nossas obras. Estamos a falar de um acervo que, neste momento, já tem mais de 3.200 obras e o nosso objetivo é continuar a reforçar a internacionalização. Em alguns casos através da coleção de arte contemporânea do Estado, mas também a apoiar os artistas e os criadores portugueses que se queiram internacionalizar.
Vamos lançar também, até ao final do ano, uma linha de financiamento para a internacionalização num valor de um milhão de euros para permitir que um escritor possa participar numa feira do livro, que o músico possa participar num festival internacional. É, basicamente, para quem está em início de carreira, conseguir iniciar o seu percurso fora do país.
Assine o ECO Premium
No momento em que a informação é mais importante do que nunca, apoie o jornalismo independente e rigoroso.
De que forma? Assine o ECO Premium e tenha acesso a notícias exclusivas, à opinião que conta, às reportagens e especiais que mostram o outro lado da história.
Esta assinatura é uma forma de apoiar o ECO e os seus jornalistas. A nossa contrapartida é o jornalismo independente, rigoroso e credível.
Comentários ({{ total }})
Ministra da Cultura admite rever entradas livres nos museus. “Precisamos que as pessoas valorizem a cultura”
{{ noCommentsLabel }}