Irão “estará pronto muito em breve” para acordo nuclear que trave conflito
EUA garantem ter ajudado mais de 900 navios comerciais a atravessar Ormuz desde maio. Acordo permite a Arábia Saudita lançar programa nuclear civil e enriquecer urânio.
O Presidente Donald Trump afirmou que o Irão está a ser “duramente atingido” pelas forças norte-americanas e “estará pronto muito em breve” para finalizar um acordo nuclear que trave o conflito em curso.
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“Estão a ser duramente atingidos e querem fazer um acordo. Mas eu digo que não estão prontos para fazer um acordo porque cada vez que fazem um, querem mudá-lo e tudo mais. Não estão prontos. Estarão prontos muito em breve”, disse Trump num comício na Geórgia.
Trump chegou ao estado do sul depois de participar numa cerimónia na Base Aérea de Dover, no Delaware, para receber com honras os corpos dos quatro militares norte-americanos mortos na semana passada em ataques iranianos na Jordânia e no Iraque, as primeiras baixas desde o rompimento do cessar-fogo.

Antes da cerimónia, Trump disse aos jornalistas que a República Islâmica pagaria “caro” pelas mortes de militares norte-americanos, que são agora 18 desde que os Estados Unidos e Israel lançaram a sua ofensiva contra o Irão, a 28 de fevereiro.
No mês passado, Washington e Teerão assinaram um memorando de entendimento para estabelecer um cessar-fogo, desbloquear o estreito de Ormuz e permitir tempo para negociações sobre o programa nuclear iraniano, mas a trégua falhou e os dois países têm trocado ataques nas últimas duas semanas.
Trump continua a minimizar a gravidade da situação, comparando a guerra com o Irão às guerras do Vietname e do Iraque, que se arrastaram por duas décadas e resultaram em milhares de baixas americanas.
Também esta quarta-feira, Trump ameaçou destruir infraestruturas civis iranianas sempre que Teerão atacar navios no estreito de Ormuz, numa altura em que prosseguem os confrontos entre os dois países.
“A partir de agora, sempre que a República Islâmica do Irão disparar contra um navio no estreito de Ormuz, seja com um míssil, um ‘rocket’, um drone ou qualquer outro dispositivo ou arma, os Estados Unidos bombardearão e destruirão uma ponte ou uma central elétrica”, escreveu Trump na rede social Truth Social.
A ameaça surge após a 11.ª noite consecutiva de ataques aéreos norte-americanos contra o Irão, que, segundo o Pentágono (Departamento de Defesa), visaram hangares de aeronaves e depósitos de drones.
Em resposta, o Irão lançou mísseis contra a cidade de Aqaba, na Jordânia, junto à fronteira com Israel.
A Guarda Revolucionária iraniana garantiu que continuará os ataques de retaliação, enquanto o Governo de Teerão mantém a disputa em torno do estreito de Ormuz, por onde, em tempos de paz, transita cerca de um quinto do petróleo e do gás comercializados a nível mundial.
Entretanto, o porta-voz do Ministério do Interior iraniano, Ali Zeinivand, afirmou que “a diplomacia não foi suspensa” e que continuam a ser trocadas mensagens entre as partes, apesar da escalada militar.
EUA garante ter ajudado mais de 900 navios comerciais a atravessar Ormuz desde maio
Entretanto, o Comando Central dos Estados Unidos (Centcom) garantiu que mais de 900 navios comerciais atravessaram o estreito de Ormuz desde o início de maio, graças ao apoio das Forças Armadas americanas destacadas na região, apesar das ameaças iranianas.
“Os navios comerciais continuam a usar o estreito com o apoio militar dos EUA. Desde o início de maio, as forças americanas ajudaram mais de 900 navios a atravessar o estreito“, informou o Centcom num comunicado.
“O Irão não controla o estreito de Ormuz. A via marítima internacional continua aberta ao trânsito, independentemente das ameaças e ataques da Guarda Revolucionária do Irão”, acrescentou o comando central dos EUA, responsável pelas operações na região.
Acordo permite a Arábia Saudita lançar programa nuclear civil e enriquecer urânio
Por outro lado, a Arábia Saudita poderá desenvolver um programa nuclear civil e, potencialmente, enriquecer urânio, ao abrigo de um acordo assinado hoje com os Estados Unidos.
Em comunicado, o secretário norte-americano da Energia, Chris Wright, afirma que o acordo tem “propósitos pacíficos” e inclui disposições sobre não proliferação nuclear militar, visando “reforçar as relações comerciais entre os Estados Unidos e a Arábia Saudita, garantir a prosperidade interna e aumentar a segurança dos aliados” de Washington.
O acordo “estabelece as bases legais para uma parceria de décadas”, principalmente para reforçar a infraestrutura energética saudita, adiantou o governo norte-americano.
Dará ainda às empresas norte-americanas acesso preferencial ao setor da energia nuclear da Arábia Saudita.
Conhecido como “Acordo 123″, o documento foi assinado por Chris Wright e pelo seu homólogo saudita, Abdulaziz bin Salman, referiu a mesma fonte.
Wright assegurou que o entendimento “cumpre os mais elevados padrões de segurança nuclear e de não proliferação, sendo apoiado pela melhor tecnologia nuclear e pelos melhores cientistas do mundo, desenvolvidos nos Estados Unidos”.
Meios de comunicação como o The New York Times noticiaram na terça-feira o acordo, que vai além de outros sobre capacidade nuclear convencional que Washington assinou com aliados como os Emirados Árabes Unidos, e permite a Riade enriquecer urânio.
Desde que os detalhes foram divulgados, alguns congressistas democratas criticaram o acordo e instaram o Congresso a rejeitá-lo, embora os republicanos detenham a maioria em ambas as câmaras. O acordo só será válido após ratificação pelo Congresso.
Desde que regressou ao poder, em 2015, o Presidente Donald Trump, tem procurado uma aproximação à Arábia Saudita e ao príncipe herdeiro Mohammed bin Salman, apesar de este último ter sido acusado pelos serviços de informação norte-americanos de orquestrar o assassinato do jornalista do Washington Post, Jamal Khashoggi, em 2018.
O reino sunita é um dos principais aliados de Washington no Médio Oriente e tem sido alvo de ataques iranianos em resposta à ofensiva dos EUA contra o Irão, iniciada a 28 de fevereiro.
Além disso, os rebeldes Huthis no Iémen anunciaram um bloqueio marítimo a navios sauditas no Mar Vermelho.
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