Depois da defesa, Luxemburgo expande modelo de obrigações para habitação acessível

  • Tiago Martins d'Oliveira
  • 23 Julho 2026

Depois de esgotar num dia as primeiras obrigações de defesa destinadas ao público, Luxemburgo vai aplicar o mesmo modelo a outras áreas estratégicas, o que pode inspirar outros países europeus.

Depois de ter arrecadado 150 milhões de euros numa emissão de obrigações destinada ao setor da defesa, o Governo luxemburguês prepara agora uma nova operação para financiar projetos de habitação acessível.

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A emissão de obrigações de defesa, realizada em fevereiro, foi a primeira na União Europeia (UE) neste século, destinada ao público para financiar investimento militar. A operação, com vencimento em três anos e uma taxa de juro anual de 2,25%, esgotou em apenas um dia, levando o Executivo luxemburguês a considerar que existe procura suficiente para repetir este tipo de instrumento financeiro para outros setores estratégicos para o país.

“O que verificámos foi que existe procura por parte dos investidores de retalho no Luxemburgo”, afirmou Bob Kieffer, diretor do Tesouro do Estado do Luxemburgo, em entrevista à Bloomberg. Segundo o responsável, esta estratégia permite igualmente “desenvolver um novo tipo de investidor, além do investidor institucional”.

Na sequência desse resultado, o país pretende emitir em janeiro do próximo ano cerca de 250 milhões de euros em novas obrigações de retalho para apoiar a construção de habitação acessível. Apesar da mudança de destino dos fundos, Kieffer considera que o princípio mantém-se: utilizar obrigações temáticas para aproximar os cidadãos do financiamento de prioridades estratégicas do Estado.

O sucesso da iniciativa do Luxemburgo poderá inspirar outros países da União a usar esse mecanismo. No Reino Unido, o debate em torno da emissão de “obrigações de guerra” ganhou força, num momento em que o Governo do novo primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, procura novas formas de financiar o reforço das capacidades militares das forças armadas do país.

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